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O rock brasileiro não está vivendo do passado


Em resposta à Ricardo Alexandre em seu texto “O futuro do rock brasileiro não virá do passado”.

Certo autor resolveu falar sobre o que ele pensa do rock brasileiro. Concordo em partes com o que ele escreveu, na matéria que segue no link acima. Mas faltou muito nessa análise e gostaria de tecer também meus comentários.

O Brasil se orgulha de sua música. Principalmente aquela que considera “música popular brasileira”. Mas faz mais questão ainda de ressaltar que é a terra do samba, do axé, do pagode e do sertanejo. Pelo menos é assim pra grande mídia que leva ao “povão” o que será o próximo sucesso nas rádios (e na tela das TVs também). Não é de se espantar que por aqui o rock fique em segundo plano. Afinal, não é fruto de terras tupiniquins. Veio de fora, da gringa, com ares de importado. Aí fica difícil você querer que o nosso rock seja realmente rock, e não uma mistura de pop, com música “romântica” (termo que o próprio autor usa no seu texto), e um pouco de “sou rebelde”, mas nem tanto. Tudo isso pra ser mais comercial, mais ouvível pra uma massa que prefere as letras pobres e sujas do funk às letras inteligentes e sagazes do rock.

No texto, Ricardo Alexandre cita Pitty como uma das remanescentes do rock no Brasil
No texto, Ricardo Alexandre cita Pitty como uma das remanescentes do rock no Brasil

Quem realmente se prestou a fazer algo diferente, rock ‘n’ roll mesmo, acabou tendo vida curta. Pouco restou das bandas de rock dos anos 1970 e 1980 que chegaram ao mainstream e, nesse processo, o nosso rock ganhou suas próprias características. Não ficou muito com cara do rock americano. Anos mais tarde chegariam aqueles que são os últimos remanescentes do rock, rock mesmo. Bandas como Engenheiros do Havaí, Titãs e Ultraje a Rigor, frutos do rock pós-ditadura, tinham realmente correndo nas veias o sentimento de fazer do rock o meio para filosofar, politizar, criticar. Mas o tempo passou também pra esses caras. E durante boa parte da década de 2000, ninguém sabia fazer nada de diferente do que vinha lá de fora. Era só imitar alguma banda da MTV americana e pronto; voilà. Por muito anos tudo que o rock brasileiro sabia fazer era buscar em algo contemporâneo o meio de chegar rápido ao estrelato.

Mas eis que vieram novos tempos e gente que sabia fazer algo diferente e finalmente deixaram de lado os cabelinhos partidos sobre a testa e roupas pretas. Nem coloridas demais. Demorou, mas vieram os que buscavam outras referências.

No texto o autor cita Malta, a banda que chegou aos holofotes e atraiu a atenção de todos recentemente. Uma banda que faz um som que foge do padrão nacional, mas que lá fora já é comum há tempos (vide Chris Daughtry). Em outro texto do mesmo autor, aparecem também os caras do Suricato. Ambas vindo do mesmo Superstars da Rede Globo. Nenhuma das duas bandas traz nada de novo. E nisso sou obrigado a concordar com o autor. Mas Malta é uma banda que sim, se baseia em algo contemporâneo (e isso o autor não diz; não é o que ele reclama?). Não é rock? Bom, depende do que é rock então, afinal de contas. É o que a massa chama de rock, querendo ele ou não. Mas é claro, são dois exemplos vindos da própria mídia; a mesma que muitas vezes tenta mostrar que rock não tem vez no Brasil, inundando cada vez mais sua programação com sertanejo, axé… Porém, foram as duas bandas que valeram a pena ver no tal programa. Estaria a mídia errada sobre o que o público brasileiro realmente quer ouvir e ver?

O é engraçado que o autor do texto finaliza com um corte bem seco e para por ali análise que ele faz. E mais engraçado ainda é pensar que ele citou Brasília e São Paulo apenas como as cidades de onde deveriam estar vindo coisas boas. Pera lá! Nem de longe o nosso rock é só Brasília e São Paulo. Já foi assim no passado, na época de Legião Urbana, Capital Inicial e Os Paralamas do Sucesso. Mas há muitos Jota Quest, Skank e outros surgiram em terras mineiras. Depois vieram as bandas gaúchas, e até mesmo a baiana Pitty (que eles mesmo cita como uma das últimas representantes do rock brasileiro). Hoje, vejo o som do rock nacional muito mais pautado pelo sul, principalmente por Porto Alegre. E talvez ainda um pouco de Belo Horizonte.

Se você realmente quer falar de futuro do rock brasileiro, eu te falo de Tanlan, Palavrantiga, Tópaz e outras tantas que há tempos olham para o passado para buscar referências, mas também para a atualidade, pra saber que tipo de sonoridade fazer. São contemporâneas. Aliás, mais contemporâneos, impossível. E, por sinal, não são nem de São Paulo e nem de Brasília. Tem influência de anos 1960, 1970 ou 1980? Pode até ter, mas que rock não tem? Afinal, foi nessa época que o rock se tronou tão importante.

Os gaúchos da Tanlan são prova de que tem gente fazendo algo de diferente no rock nacional
Os gaúchos da Tanlan são prova de que tem gente fazendo algo de diferente no rock nacional

O que falta é a indústria musical parar de olhar para os chavões da mídia, e olhar pra quem tá no underground, nas garagens. Tem muita gente fazendo algo olhando pro futuro, só que ninguém olha pra eles. Tem muita coisa de qualidade sendo feita em território brasileiro. Tem muita coisa por aqui que não é meramente cópia de astros do rock dos anos 1970, mas também não é só imitação o que tá rolando na mídia lá fora. E muitas dessas bandas simplesmente desaparece por falta de apoio. Por falta de chances de aparecer.

Fora da mídia tem muita coisa rolando e só os poucos que procuram, acham. O YouTube é, de verdade, o lugar pra se achar coisas interessantes e novas. Talvez, procurando um pouco mais, dá pra achar também no Palco MP3. Muito do que eu escuto de rock nacional veio de lá. Tem muito rock sendo feito aqui com boa produção, boas letras, boas referências de qualquer tempo e com excelente perspectiva de futuro. É só parar de querer buscar nos holofotes da mídia, onde eles não estão.

Aperte os cintos: Audio Adrenaline está de volta… e com Kevin Max!


Você não leu errado. E não é pegadinha de 1º de abril (até porque não é a época, né?). Kevin Max (ex-dc Talk) é o novo vocalista do Audio Adrenaline. Dois grandes nomes do rock e da música cristã contemporânea estão de volta e juntos. A notícia foi confirmada pelo site JesusFreakHideout, depois de já ter sido especulada no próprio site nos últimos dias.

Kevin Max se junta ao AA
Kevin Max, ex-dc Talk, é o novo vocalista do Audio Adrenaline

O Audio Adrenaline, uma das principais bandas de alternative rock no meio cristão durante boa parte dos anos 1990 e começo dos anos 2000, havia encerrado as atividades em 2007, após um bom tempo em que o vocalista Mark Stuart andava brigando com suas cordas vocais. Quando não deu mais pra cantar com a frequência necessária, os caras resolveram parar e não continuar sem Mark (um dos dois membros originais que ainda estava na banda). Os integrantes seguiram caminhos diferentes, em outras bandas ou mesmo deixando os palcos pra assumir cargos executivos (caso do baterista da banda Ben Cissell, que se tornou produtor).

Mark até chegou a gravar outro CD, junto com o baixista Will McGinniss, também membro fundador do AA, com um projeto chamado Know Hope Collective. Agora, Will decidiu retornar ao Audio Adrenaline e começou a procurar parceiros pra isso. O guitarrista Jason Walker (que participou do projeto KHC) foi o primeiro recrutado.

Will também chegou a anunciar que teria entrado em contato com Stu G, guitarrista da também retirada banda Delirious?, mas foi Dave Ghazarian o segundo guitarrista confirmado. Dave foi integrante do Superchick e recentemente estava em turnê com a banda de apoio de Peter Furler.

Sem poder contar com Cissell, Will foi atrás de Jared Byers, ex-baterista do Bleach. Byers chegou a participar dos últimos shows do AA em 2007, quando Cissel assumiu seu cargo como produtor na famosa casa de shows Rocketown (aquela da música do Michael W. Smith). Assim, faltava só o vocalista para completar o line-up do novo Audio Adrenaline.

Aí, se vocês se lembrarem disso (Michael Tait é o novo vocalista do Newsboys), vocês vão entender o tamanho da minha surpresa ao ler que Kevin Max seria esse novo vocalista. Assim como o Newsboys, o AA foi atrás de alguém não só experiente, mas com um peso incrível no seu nome e na sua história, e com uma qualidade técnica vocal talvez ainda não encontrada na CCM até hoje.

Última formação da banda em 2007
Última formação do AA antes do fim em 2007

Desde o fim do dc Talk, Kevin foi o único integrante que não conseguiu se colocar de volta no cenário. E isso é extremamente interessante, uma vez que a voz do cara era uma das características mais fortes do trio e talvez ele fosse até mesmo mais bem quisto pelos fãs do que Toby Mac e Michael Tait. Mas Toby se deu muito bem com uma carreira solo sólida e premiada. Michael teve um começo conturbado com sua nova banda, chamada Tait, com a qual lançou dois álbuns e pouco depois acabou se juntando ao Newsboys, criando uma nova fase da banda e conseguindo colocar os caras de volta ao mainstream.

Mas agora os fãs de Audio Adrenaline tem um enorme motivo para comemorar. A banda está de volta, com uma formação incrível, renovada, que pode realmente surpreender. E os fãs de dc Talk vão finalmente poder ver os 3 ex-membros do grupo em grandes turnês.

O AA já está preparando novidades e anunciou que em 2013 um novo álbum deve ser lançado. Aguardo ansiosamente por isso.

Fontes:

Big, Big News: Kevin Max to Be New Lead Singer for Reunited Audio Adrenaline

Kevin Max Is The New Lead Vocalist For Audio Adrenaline!

Petra Rocks My World (atualizado)


(confira no fim do post os vídeos e fotos do show!)

Sábado, dia 14 de agosto de 2010. Esse dia vai ficar marcado na minha memória pra sempre! Na verdade não faz mais de meia hora que terminou o show mais marcante da minha vida. Os caras que estiveram na estrada por mais de 35 anos até então, estiveram em Curitiba pela primeira vez. E foi também a primeira vez que tive a oportunidade de vê-los. Esperei por esse momento por longos anos… Pra entender melhor isso, se você não leu o meu post de 10 de junho de 2010, quando fiz 25 anos de existência (esse aqui), preciso contar alguns detalhes.

Eu já enrolo para falar sobre o Petra aqui no blog há muito tempo, meio porque eu esperava ter um motivo justíssimo para escrever. Bom, esse agora é um motivo mais do que justo. Eu não sei ao certo quando conheci a banda americana do John Schlitt, um dos principais nomes por trás desse ministério que começou em 1972. Os caras, na época, faziam algo que ninguém ousava fazer: tocavam rock nas igrejas cristãs. Há discussões sobre o fato de eles serem pioneiros ou não nisso, mas uma coisa é indiscutível, o Petra foi a primeira banda a realmente se tornar popular nesse segmento.

De lá pra cá, diversos nomes passaram pelos palcos de diversas partes do mundo. A formação sempre variou bastante e já teve gente como Greg X. Volz, John Lawry, Louie Weaver, Ronny Cates, Kevin Brandow, Mark Kelly, Greg Bailey e mais alguns. Mas foi com a formação clássica de meados dos anos 1980 (que durou até 1993) que a banda chegou ao seu auge. Encabeçada pelo guitarrista Bob Hartman, um dos fundadores e o único membro que permaneceu desde a formação original, o Petra passou por diversos altos e baixos, motivo que acabou encerrando a carreira dos caras em 2005, com um emblemático DVD de despedida chamado Petra: Farewell.

Mesmo tendo ficado fora dos palcos entre 1994 e 2002, Bob continuou nos bastidores, compondo e gravando em estúdio como nos álbuns Petra Praise II: We Need Jesus (de 1997) e Petra: Revival (de 2001). Mas com a fadiga dos anos (os caras tinham em 2005 mais de 50 anos), John e Bob decidiram deixar as turnês sob o nome da banda e iniciar uma sequência de shows da dupla, tocando em igrejas e festivais menores, com um foco maior em canções congregacionais. Então, depois de 33 anos de carreira, o Petra encerrou os trabalhos do ministério fazendo uma longa turnê mundial.

Nessa turnê, ainda em 2005, a banda passou pelo Brasil, com alguns shows fora do eixo Rio-São Paulo, e um deles estava marcado para Goiânia/GO. Marcado para o Serra Dourada, com expectativa de um grande público, o show prometia bastante. Prometia, pois não aconteceu. Na época eu morava em Goiás e consegui arrebatar meu pai pra uma carona forçada que deixou minha irmã, uns amigos e eu a poucos metros do estádio. Meus ingressos estavam reservados com uma das organizadoras do evento e então quando liguei para ela pra saber como pegá-los, fiquei sabendo que a banda havia ficado presa no aeroporto em Buenos Aires, por um problema no visto dos caras.

Isso porque poucos anos antes, em 2003, em outra vinda dos caras ao Brasil, tive que deixar de ir ao show porque a data coincidiu com meu vestibular. E por mais uma desventura, esse show, marcado para Ipatinga/MG, também não aconteceu por problemas do pessoal da organização com o local do show. Sei que nesse caso os caras da própria banda resolveram fazer uma apresentação informal para os fãs (reza a lenda).

Agora imagine você: uma das principais bandas da história do rock cristão, uma das bandas mais respeitadas entre a industria cristã e até mesmo a não cristã, os caras que ganharam 4 Grammy, diversos Dove (uma premiação exclusiva da música cristã internacional) e foram incluídos no Hall da Fama do Hard Rock Cafe, a banda que vendeu milhões de cópias de discos e que se tornou referência pra milhares de outros músicos ao redor do planeta, a banda que fez uma carreira brilhante e que levou a música, o rock, a terras até então nunca atingidas (o Petra foi a primeira banda cristã a tocar na Índia, por exemplo), a banda que fez tanto sucesso na América Latina que gravou 2 álbuns em espanhol que venderam tanto quanto as versões em inglês (Petra em Alabanza e Jekyll & Hyde en español), a banda que tinha encerrado as atividades em 2005, resolve voltar aos palcos em 2010! E pra completar: marca um show em Curitiba, justo quando eu estava morando na cidade!

Eu cheguei a comentar no twitter que esse seria o show da minha vida! Eu não tinha dúvidas de que seria! Esperei mais de 10 anos pra ver esses caras ao vivo e já tinha até mesmo me conformado com a possibilidade de jamais vê-los, quando a banda se aposentou. Dá pra imaginar a ansiedade? Bom, se você imaginou, duplica isso que imaginou! Triplica! Agora some a isso o medo de mais uma vez o show não rolar! A incerteza se dessa vez ia dar certo! Some também o preço do ingresso (R$75,00 a entrada, ou R$33,00 se eu conseguisse a meia). Não tinha como eu estar mais inseguro/ansioso/nervoso do que isso.

Mas por incrível que pareça, saí de casa meio desanimado. Não sei se por causa da semana inteira de cansaço, de estudos e trabalho, de uma noite bem mal dormida de sexta pra sábado… Eu cheguei ao show sozinho (não conhecia ninguém que fosse lá), e achando que nem mesmo muita gente fosse aparecer. O Petra não é mais a banda popular que foi nos anos 1990. Pouca gente dessa geração conhece e respeita a banda e sua importância. Mas o lugar estava cheio! Eu ainda não havia conseguido um ingresso, mas na fila, um desistente acabou me vendendo o dele por R$30,00 (mais barato até que a meia entrada). E enfim eu estava dentro, com tudo confirmado, com os caras lá, com o som funcionando, e com o Chris (do Filhos do Homem) no palco.

A ansiedade voltou! O papo com a galera que estava por lá meio que descontraiu todo o clima, relembrando momentos bacanas, falando de música, curtindo o som das bandas que abriram (curti o FDH, que nunca tinha escutado direito e o Chris é gente finíssima – a outra banda, não se era Aurea, ou coisa assim, também mandou bem, mas o vocalista era cheio de graça demais). Enfim, depois de muita enrolação, num show marcado pras 19h30 que começou às 20h e que teve 1263 coisas antes dos caras entrarem no palco (e um falatório de pastor disso, organizador daquilo, presidente da associação daquilo outro e candidato – que nunca falha)… Então os caras apareceram…

Com muita ovação, galera gritando muito, John e Bob apareceram e foram seguidos por Greg Bailey e pelo Christian (o baterista que está participando da turnê com a banda e é argentino – e foi zuado no show). E começaram como tinha que ser: com muito peso, com a galera agitando e com a empatia de todos, ao som de All About Who You Know. Foi legal ver o Greg e o John sorrindo bastante como se não esperassem uma recepção tão boa. E deu pra ver que os caras se empolgaram mesmo quando tocaram uma bela sequência que teve Dance, que fez todo muno pular e cantar no refrão pra lá de animado, e a parte praise com Lord, I Lift Your Name On High (que a galera cantou em coro arrancando mais sorrisos do vocalista), I Waited for the Lord, Amazing Grace, The Noise We Make e Ancient of Days (canções justamente dos álbuns que foram gravados quando Bob Hartman deixou os palcos).

Logo no começo, antes de a banda subir aos palcos, na parte das enrolações, fizeram uma disputa entre alguns caras que tentaram cantar canções do Petra… Alguém tentou soltar um This Means War, outro arranhou Jekyll & Hyde (e ainda teve a cara de pau de dizer que era cover do Petra), mas só um cara realmente fez a galera vibrar: um tal de Boby (já postaram o vídeo no YouTube), mandou ver cantando trechos de Creed. O cara foi ovacionado e teve seus 10 (ou 2) minutos de fama. Mas foi mesmo quando John puxou no palco as primeiras frases da música que os fãs presentes realmente deliraram. Com “I believe in God Father” puxando a canção, um coro uníssono começou e durou toda a música. Tava com cara de clímax, mas ele ainda viria por aí…

A galera também vibrou bastante ao som das clássicas Sight Unseen, It Is Finished, I am on the Rock, Think Twice, Midnight Oil, Mine Field e This Means War, cantadas num Rock Medley, à semelhança do que eles fizeram no DVD lançado em 2005. Do último álbum de estúdio da banda rolaram também Perfect World e a música título do álbum Jekyll & Hyde, que já arrancou gritos do pessoal desde os primeiros acordes de Bob nas guitarras. Teve também Right Place e aquela sacada de sempre do John de fazer a galera participar bastante.

Demorou um pouco… Na verdade alguns anos! Esperei um momento quase interminável durante os primeiros 10 segundos em que Bob começou a introdução de Beyond Belief. Considerada pela maioria dos fãs como a melhor música da banda, a canção se tornou um hino do rock cristão e foi, tanto quanto Creed, cantada com ênfase e vontade não só por John, mas por todos os presentes. Foi o clímax! Confesso que segurei o choro, com nó na garganta. Tinha ligado pro meu irmão quando eles tocaram Creed e liguei pra minha irmã ao som de Beyond Belief, enquanto eu esquelava o refrão com o pouco de voz que ainda tinha me sobrado. A importância dessas duas músicas pra mim e pro meus irmãos, não dá pra descrever…

Das mais antigas da banda, da formação que ainda tinha Greg Volz no vocal, eles acabaram cantando somente duas músicas. Uma delas foi Judas’ Kiss. Acho que não era exatamente uma que todo mundo conhecia. Além de mim, vi poucos outros cantando.

Nesse momento Bob assumiu a frente e tivemos um apelo. Não me espantei nem um pouco e até esperava que isso acontecesse. Só comprova que o Petra é mais que uma banda, mas um verdadeiro ministério que ultrapassa o tempo, que atinge há gerações os corações de jovens, adultos e até crianças (tinha algumas por lá). E, como de costume, houve o momento da tradução meio grossa da galera que insiste em não interpretar a fala dos caras. Acho que to ficando meio chato com isso agora que to aprendendo um pouco mais de inglês e consigo perceber quando o cara fala uma coisa e traduzem outra. Um dia eu chego ao nível de poder eu mesmo traduzir um artista internacional por aí (me apóiem, por favor).

Então o show foi interrompido pela produção que resolveu fazer uma homenagem justa à banda. Uma placa foi entregue, um dos organizadores falou bastante sobre a vinda da banda e das dificuldades de trazer os caras pra cá e sobre a esperança de que eles voltem outras vezes à Curitiba (e ficou no ar uma promessa de que ano que vem tem Classic Petra por aqui). Então John se encarregou de agradecer e de deixar uma mensagem aos fãs do Brasil, a quem ele se referiu como segunda família e orou mais uma vez, pelo público, pelos pastores e pelos futuros líderes e ministérios que surgirão, incentivando o surgimento de novos ministérios como o Petra, que foram ousados e marcaram a história.

A última canção então foi introduzida por John, logo após a oração, enquanto ele ainda falava e soltou “He came, He saw…” (e nessa hora eu já comecei a gritar sabendo o que vinha) “… He Conquered”. Essa era a segunda música das mais antigas, também não muito conhecida, mas que foi regravada pela banda no álbum acústico de 2000 (Double Take), junto com Judas’ Kiss. Com o grito final de He Came, He Saw, He Conquered veio o fim do show.

Com gosto e quero mais (e os caras não voltaram mesmo pro palco mesmo depois do pedido de “one more” meio estranho que decidiram improvisar) a primeira vinda do Petra a Curitiba terminou e deixou uma sensação de dever cumprido no ar. Os caras fizeram o que vieram fazer, tocaram, cantaram, animaram, se alegraram enquanto cantavam as músicas que haviam deixado de tocar juntos há 5 anos, e marcaram mais uma vez a história de muitos fãs, como eu, que cresceram ouvindo o som desses dinossauros do rock.

Se antes, a importância da banda na minha vida já era uma coisa difícil de explicar, principalmente para quem não conhece ou não viveu essa época, agora se tornou ainda mais significativa a influência do Petra pra mim, tanto musicalmente quanto em ministério. E, posso dizer, agora com ainda mais ênfase, ainda mais entusiasmo, que Petra Rocks My World!

Nota: dos álbuns do Petra, por mais importantes e significativos que são cada um deles, por cada canção e sua relevância na história da banda, muitos são colocados no rol dos melhores e a discussão entre um e outro entre os fãs nunca chegará a um consenso. Mas pra mim, e isso é absoluta e totalmente pessoal, God Fixation, se não é o melhor deles, é o segundo ou no mínimo terceiro colocado. E nenhuma das canções do álbum foi cantada no show. Nem mesmo If I had to die for someone, que foi single da banda entre 1997 e 1999. Talvez essa seja minha canção favorita, ao lado de Beyond Belief, Creed e St. Augustine’s Pears, creio eu, mesmo que isso seja discutível. Então fica aqui registrada a minha queixa quanto a isso! Não que isso tire um pedaço de tudo o que foi essa noite ou diminua a minha alegria e satisfação com minha ida, talvez única, ao show do Petra!

Nota 2: Entre os meus álbuns e músicas favoritas, dois fizeram parte da fase em que realmente comecei a curtir a banda (antes só escutava, mas depois virei realmente um fã). A época do Praise II e do Revival foram de grande importância na minha vida pessoal, e me marcaram muito. Foi quando comecei a ouvir esses álbuns que comecei a montar e manter no ar o site WebPetra, que mais tarde se tornou o PetraHead, que eram os principais fansites da banda em língua portuguesa. Foi uma época em que fiz muitos amigos, contatos com outros fãs e comecei a conhecer ainda mais o som da banda e a descobrir outros artistas internacionais bacanas que hoje fazem parte das minhas playlists. Fiquei muito feliz de ouvir as músicas desses álbuns, já que não esperava que elas fossem aparecer (eu achava que eles não as tocassem ao vivo). Dessas, Lord I Lift Your Name on High foi a que eu fiquei mais feliz de escutar por ser uma das que tenho tocado nos cultos em inglês da minha igreja.

Nota 3: A setlist do show, na ordem correta, eu vou divulgar aqui assim que achar ela por aí. Eu tentei escrever na ordem, mas tenho quase certeza de que não está certinho, já que minha memória é péssima pra isso.

Vídeos:

All About Who You Know

Ancient of Days

I Waited For the Lord

Beyond Belief (o som não tá legal, mas dá pra ouvir o quanto a galera cantou junto com os caras)

Solo do Bob Hartman

Creed e Judas’ Kiss

e uma matéria legal que a rede RPC (daqui do Paraná) fez sobre o show:

Fotos:

Ops! Ainda não deu pra pegar!

Gêneros Musicais: Rock Gospel? Existe isso?


Existe rock gospel? Essa pergunta com certeza já foi tema de discussão em muitos lugares por aí. Eu mesmo já participei de algumas. A questão é que a pergunta errada está sendo feita. Se você tem acompanhado os últimos posts desse blog, deve ter percebido que tenho tentando mostrar que há uma distinção entre gênero e estilo musical. Enquanto gênero está bem mais ligado ao som, estilo envolve a postura, comportamento, ações e até mesmo o pensamento envolvido por trás de uma música. Então o rock é um gênero ou um estilo? Historicamente, o rock é um estilo que envolve revolução, uma completa mudança na sociedade, mas que gerou diversos gêneros. O gospel foi uma das origens do rock, mas, por sua vez, continuou sendo um estilo, uma maneira de se fazer música, ou de se levar uma mensagem através da música. Então existe rock gospel? Se formos considerar um estilo, podemos sim somar esses dois e gerar um terceiro. Mas quando normalmente se diz rock gospel, as pessoas estão querendo rotular, criar um gênero que não existe.

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Review: newsboys – In the Hands of God


Capa de In the Hands of God
Capa de In the Hands of God

Depois de um bom tempo se aventurando pelo modern worship, o newsboys volta ao som que marcou a banda nos anos 90. In the Hands of God é um álbum que irá marcar a saída de Peter Furler dos vocais da banda, mas também marcará uma nova fase para a banda austro-americana.

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