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Aperte os cintos: Audio Adrenaline está de volta… e com Kevin Max!


Você não leu errado. E não é pegadinha de 1º de abril (até porque não é a época, né?). Kevin Max (ex-dc Talk) é o novo vocalista do Audio Adrenaline. Dois grandes nomes do rock e da música cristã contemporânea estão de volta e juntos. A notícia foi confirmada pelo site JesusFreakHideout, depois de já ter sido especulada no próprio site nos últimos dias.

Kevin Max se junta ao AA
Kevin Max, ex-dc Talk, é o novo vocalista do Audio Adrenaline

O Audio Adrenaline, uma das principais bandas de alternative rock no meio cristão durante boa parte dos anos 1990 e começo dos anos 2000, havia encerrado as atividades em 2007, após um bom tempo em que o vocalista Mark Stuart andava brigando com suas cordas vocais. Quando não deu mais pra cantar com a frequência necessária, os caras resolveram parar e não continuar sem Mark (um dos dois membros originais que ainda estava na banda). Os integrantes seguiram caminhos diferentes, em outras bandas ou mesmo deixando os palcos pra assumir cargos executivos (caso do baterista da banda Ben Cissell, que se tornou produtor).

Mark até chegou a gravar outro CD, junto com o baixista Will McGinniss, também membro fundador do AA, com um projeto chamado Know Hope Collective. Agora, Will decidiu retornar ao Audio Adrenaline e começou a procurar parceiros pra isso. O guitarrista Jason Walker (que participou do projeto KHC) foi o primeiro recrutado.

Will também chegou a anunciar que teria entrado em contato com Stu G, guitarrista da também retirada banda Delirious?, mas foi Dave Ghazarian o segundo guitarrista confirmado. Dave foi integrante do Superchick e recentemente estava em turnê com a banda de apoio de Peter Furler.

Sem poder contar com Cissell, Will foi atrás de Jared Byers, ex-baterista do Bleach. Byers chegou a participar dos últimos shows do AA em 2007, quando Cissel assumiu seu cargo como produtor na famosa casa de shows Rocketown (aquela da música do Michael W. Smith). Assim, faltava só o vocalista para completar o line-up do novo Audio Adrenaline.

Aí, se vocês se lembrarem disso (Michael Tait é o novo vocalista do Newsboys), vocês vão entender o tamanho da minha surpresa ao ler que Kevin Max seria esse novo vocalista. Assim como o Newsboys, o AA foi atrás de alguém não só experiente, mas com um peso incrível no seu nome e na sua história, e com uma qualidade técnica vocal talvez ainda não encontrada na CCM até hoje.

Última formação da banda em 2007
Última formação do AA antes do fim em 2007

Desde o fim do dc Talk, Kevin foi o único integrante que não conseguiu se colocar de volta no cenário. E isso é extremamente interessante, uma vez que a voz do cara era uma das características mais fortes do trio e talvez ele fosse até mesmo mais bem quisto pelos fãs do que Toby Mac e Michael Tait. Mas Toby se deu muito bem com uma carreira solo sólida e premiada. Michael teve um começo conturbado com sua nova banda, chamada Tait, com a qual lançou dois álbuns e pouco depois acabou se juntando ao Newsboys, criando uma nova fase da banda e conseguindo colocar os caras de volta ao mainstream.

Mas agora os fãs de Audio Adrenaline tem um enorme motivo para comemorar. A banda está de volta, com uma formação incrível, renovada, que pode realmente surpreender. E os fãs de dc Talk vão finalmente poder ver os 3 ex-membros do grupo em grandes turnês.

O AA já está preparando novidades e anunciou que em 2013 um novo álbum deve ser lançado. Aguardo ansiosamente por isso.

Fontes:

Big, Big News: Kevin Max to Be New Lead Singer for Reunited Audio Adrenaline

Kevin Max Is The New Lead Vocalist For Audio Adrenaline!

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Walk off the Earth


Criatividade. Tá aí uma coisa que dificilmente a gente vê sendo repostada e compartilhada na Internet. No meio em que vivo, criatividade é algo fundamental. Design anda lado a lado com a arte nesse quesito e, para se destacar, você tem que exceder alguns limites às vezes.

Mas na música, devo admitir, isso é algo bem inesperado. Até porque se você não segue uma determinada tendência musical, dificilmente ganhará uma notoriedade de valor (digo, financeira e comercialmente falando). É claro que existem muita gente que faz algo diferente também na música, mas eles não aparecem muito.

Walk off the Earth
Walk off the Earth

Aí entra o Walk off the Earth. Esse grupo bem “fora da caixinha”, como o próprio nome sugere, resolveu extrapolar de vez os limites da música utilizando a criatividade não só para criar os seus vídeos, mas também para transformar as músicas que tocam, em sua maioria covers de músicas bem comerciais, como essa aqui abaixo:

Somebody That I Used to Know (Gotye)

Criado em 2006 em no estado de Burlinton, Ontario (Canadá), o Walk off the Earth se tornou realmente conhecido quando o vídeo de “Somebody That I Used to Know” atingiu mais de 80 milhões de visualizações no YouTube no começo deste ano, após algumas centenas de tuitadas e shares no Facebook. A versão de cinco músicos e um violão foi bem aceita e repetida em programas de TV e etc.

Encabeçada pelo genial Gianni Luminati, a banda faz em seus vídeos (de baixo orçamento) uma mistura de apresentação ao vivo com mixagens, além de se aproveitar da multi-instrumentalidade não só de seu líder, mas de todos os membros. No vídeo abaixo, por exemplo, Gianni toca todos os instrumentos, canta e ainda faz um tipão:

Roll Up (Wiz Khalifa)

Sem contrato com uma gravadora, o grupo indie canadense usou a força de seus canais na internet para atrair e cativar o público. E funcionou. A maior parte dos vídeos ultrapassou a casa dos milhões de visualizações, mesmo os mais antigos, de antes da “fama”. Hoje os caras se venderam tem contrato com a Columbia Records.

E pra mostrar que são, além de tudo, ecléticos, o Walk off the Earth faz covers de canções que vão de Adele à LMFAO, sempre transformando, criando vídeos ao mesmo tempo engraçados, divertidos e com alta qualidade musical. Vale a pena dar uma passada no canal dos caras (http://www.youtube.com/user/walkofftheearth) e conferir outras versões bacanas e também as canções de autoria própria da banda.

Esse último vídeo é um tributo à cantora e compositora de blues Malvina Reynolds:

Little Boxes (Malvina Reynolds)

É crime? – Parte I


Lembra quando a gente pegava uma fita K-7 com uma coletânea de músicas daquelas que a gente mais gostava e ia ouvir no som do carro? Ou quando a gente copiava aquele LP novo do amigo pra poder ouvir e saber se a banda era boa ou não? Lembra daqueles filmes que a gente alugava em VHS e que tinha aquela mensagem falando que se a fita fosse pirata podia danificar o nosso vídeo? Nessa época, quanto você se preocupava com pirataria?

Uma fita K-7
Fita K-7 da BASF, muito popular nos anos 1970, 1980 e 1990

Bom, creio que se essa pergunta fosse feita hoje a resposta seria bem diferente, certo? Depois do surgimento do CD, do DVD, da Internet, do MP3, muita coisa mudou na indústria em geral, principalmente na cinematográfica e musical. No Brasil então, de 1998 pra cá até a própria lei mudou. Porém, continua polêmica e até desatualizada, segundo alguns estudiosos do setor.

>> Lei L9610, de 19 de fevereiro de 1998 (que trata de Direito Autoral)

Pela nossa legislação, copiar qualquer parte de uma obra intelectual, seja ela um livro, filme ou música, e possuir essa cópia sem prévia autorização do autor, é crime! Ou seja, se você não chegar pro cara que escreveu o livro, gravou o CD ou filmou o DVD e pedir a autorização dele para reproduzir (no sentido de fazer uma cópia) aquela obra, você está agindo ilegalmente. Até aí, nada demais, certo? Essa parte da lei todo mundo conhece!

Mas bem… Agora saiba você que o escritor, o artista que compôs ou o ator, atriz, cineasta ou seja lá quem for que você acha que possui os direitos sobre determinada obra, não tem! Segundo nossa mesma legislação, a editora, a gravadora, a produtora é que tem esse direito. Ou seja, é a eles que você deve pedir para fazer uma cópia de qualquer coisa. Até mesmo se você for o próprio artista envolvido!

Sim, essa é a verdade…

Em outras palavras, se você, um cantor, gravou uma música e a lançou por uma gravadora qualquer, mesmo a música sendo registrada em seu nome e etc, o direito daquela obra gravada pertence à gravadora! E para que você possa copia-la para alguém, seja uma amigo, parente, ou colocar uma cópia para download no seu site, você precisa da autorização da sua gravadora!

Pela mesma lei, qualquer tipo de reprodução da mesma obra (no caso de uma música, até o fato dela ser tocada num show) depende de autorização prévia. Tocar nas rádios, tocar como música ambiente de um churrasco, um cover de um fã que vai pro YouTube, todos são caracterizados como crime! Isso acaba impedindo uma série de fatores que seriam interessantes até para o próprio artista.

Garotos fazendo um som na garagem de casa
Ah! Se eles soubessem, jamais sairiam da garagem...

Por sorte, esse ano muito tem se discutido sobre a validade dessa lei que continua em vigor. Atualmente corre pelo Congresso Nacional uma proposta de atualização dessa lei, o que tem sido reivindicado por vários especialistas da mídia e por vários artistas. Contra ela estão somente as gravadoras e editoras. Não só aqui, mas nos EUA e em vários outros países! A alteração dessa lei vai mudar muita coisa pra quem ganha dinheiro às custas do sucesso e talento de outros… Assim como ‘inventando’ talentos!

Uma crise pode se instaurar e o interesse da grande mídia por lançar novas revelações, principalmente musicais, com certeza vai diminuir drásticamente! Mas algo tem que mudar… E já passou da hora!

Continua…

Minha paixão número 1


Um quarto de século se passou desde que vim ao mundo numa manhã de 1985. Acho que esse é o principal motivo de eu estar escrevendo esse texto: um daqueles momentos em que a gente para pra ver a nossa vida e analisar o que se passou, o que aconteceu de relevante. Os caminhos que tomamos, e o que nos fez seguir por eles. Eu não consigo fazer uma análise dessas da minha própria vida sem falar de uma das minhas principais influências: a música.

Minha história musical começou bem cedo. Me lembro de ainda pequeno sempre estar cercado de muita coisa que acostumou meus ouvidos a diferenciar notas, instrumentos, vozes… Devo isso à minha família. Nasci e cresci num lar cristão. Meu pai, pastor da Igreja Presbiteriana, e minha mãe, professora, nos guiaram, a mim e a meus irmãos mais velhos, no mundo da boa música cristã da época. Lá pelos idos anos 1980 (sim, eu vivi metade deles e lembro de algo) lá em casa tinha um velho som Gradiente que sempre estava tocando algum LP (esse era o nome pra mim do que muita gente chamava de “bolachão”, e que os mais novos conhecem apenas como “disco de vinil”).

Capa de um álbum do VPC dos anos 1970
Vencedores por Cristo (VPC)

O que me recordo facilmente de ouvir bastante quando pequeno é Vencedores por Cristo, vulgo VPC, e seus colaboradores: João Alexandre, Guilherme Kerr, Jorge Camargo e etc. E tudo o que era dessa linha. Sérgio Pimenta, Josué Rodrigues e tantos outros. Claro, teve muito Comunidade Evangélica de Goiânia (Koinonia) e Prisma, aquele grupo tradicional da Igreja Adventista que, depois de velho, descobri que traduziam 90% das músicas que cantavam em português na época. Eu, como criança, cresci ouvindo os álbuns para crianças deles. E do Xuxu (Louvores da Garotada, Salt, Print, essas coisas). E do Arlindo Barreto (o primeiro Bozo brasileiro que depois se converteu).

Eu não tinha um gosto próprio. Afinal, eu tinha uns 6, 7 anos de idade. Eu gostava de ouvir o que meus irmãos gostavam de ouvir. E isso foi muito bom, devo dizer. Mais ou menos nessa idade eu tive meu primeiro contato com o rock. Meus pais gostavam bastante de Rebanhão, talvez a primeira banda cristã de rock no Brasil, mas que era bem pop, pra falar a verdade. Muitas das músicas que eu mais gostava de ouvir eram deles.

Igreja Batista do Morumbi, Life, Milad, Logus, Kadoshi… Por volta de 1992 meus irmãos começaram a sair com um pessoal mais velho que já curtia uns sons mais diferentes (e que meu pai não era tão fã) como Katsbarnea e Oficina G3. As duas bandas eram consideradas rock pesado pra gente e não podíamos ouvir. Antes, porém, veio o Catedral. Pouco depois o Raízes. Era o máximo de rock que a gente escutava.

Música internacional também sempre teve vez. Meu pai era fã de um tal de John Starnes, um cantor muito popular nos EUA, que fazia um som meio country. Logo vieram Acappella, Michael W. Smith, Amy Grant, Ron Kenoly e vários outros artistas do que era chamado por lá de Contemporary Christian Music (CCM), que foi logo se tornando gênero favorito dos meus irmãos. E meu, claro!

Não me lembro exatamente quando, mas por volta de 1995 conhecemos o Anointed. Uma fita K-7 gravada com qualidade bem ruim passou a ser a coisa mais tocada em casa. Um walkman da Sony era super disputado nas nossas viagens. Três irmãos pra pouca música. E foi nesse mesmo walkman que, finalmente, conheci algo que mudaria minha experiência com música.

No mesmo ano meu irmão mais velho apareceu com uma fita de rock, internacional, a primeira com que tive contato. Mas rock mesmo. Um tal de Petra! Foi a grande mudança. O nome do álbum era Beyond Belief, algo como “Além da Fé”, mas que na época a gente não fazia a menor ideia do que significava. Não sabíamos inglês, mas o som era muito bom e muito diferente do que nós conhecíamos. Eu ouvia tanto esse álbum que cheguei a decorar a ordem das músicas. Detalhe, não era a ordem certa. Por algum motivo na hora da gravação do LP alguém tinha repetido algumas músicas e deixado a coisa meio fora de ordem. Pra gente, no entanto, tava tudo certo.

Integrantes da formação clássica do Petra
John Lawry, Bob Hartman, Ronny Cates, Louie Weaver e John Schlitt: a formação clássica do Petra

Petra passou a ser minha banda preferida. Eu cantava com os fones no ouvido, sem saber uma frase sequer do que estava cantando, mas achava que tava tudo certo com o meu inglês ‘embromation’.

Em 1996 ganhamos um computador de um tio. Tinha até leitor de CD-ROM, kit multimídia e tudo. Era coisa chique. Era a única coisa em casa capaz de reproduzir um CD de música. Teve votação em casa pra saber qual seria o primeiro CD comprado com suados 12 reais. Adivinha o vencedor? Petra, claro. E veio então o Petra em Alabanza, com as músicas em espanhol do álbum Petra Praise: The Rock Cries Out. E agora nós sabíamos o que estávamos cantando. Naquele tempo, ainda sem Internet, era difícil ter grande acesso as coisas lá de fora e só o que a gravadora Bom Pastor trazia dava pra gente ter em casa. Então nosso acervo de música nacional cresceu bastante em CD.

Pouco depois veio Katsbarnea e, enfim, Oficina G3. Com uma fase mais pop (PG no vocal) ficou mais fácil meu pai aceitar o som deles. Mas meus preferidos eram os caras do Resgate. Aquele som meio anos 1970, a voz rouca do Zé Bruno e as letras dos caras. Aí começou de vez meu gosto pelo rock.

Oficina G3
Os caras do Oficina G3 há muito, muito tempo atrás...

No finzinho do século, do milênio, começamos a ouvir bem mais às rádios cristãs, principalmente uma da Renascer que era transmitida em BH e outra da Quadrangular, também da capital mineira. Aí nosso repertório aumentou bastante. Mas só mesmo com a chegada da Internet discada lá em casa é que de fato ampliei meus horizontes de forma colossal. Primeiro descobri as salas de bate-papo. Depois o ICQ. Por fim, o MP3! Fui pioneiro lá em casa no assunto Internet, apesar de que meu irmão era quem fazia Sistemas de Informação. O negócio dele era mais softwares, programar. Eu fui cada vez mais me tornando piolho da coisa. Não conhecia o termo na época, mas pode-se dizer que virei Internet Heavy User. Claro que a Internet da época não oferecia a mesma quantidade de informações em português que temos hoje, mas já era alguma coisa.

Em 2000 comecei a estudar no CEFET e a andar com uns caras mais do meu gênero: os adolescentes que haviam deixado de lado os videogames pra se divertir no PC. Eu, com meus 15 anos, comecei a aprender a desmontar computadores, brincar com as peças, e a mexer nas configurações dele. O povo lá de casa ficava louco toda vez que eu mudava alguma coisa. E direto algo não funciona mais como antes. Confesso que a culpa era minha. Também comecei a aprender mais sobre o funcionamento da Internet, sobre servidores, hospedagem e como poderia fazer meu próprio site. Como já mexia com Corel DRAW há um tempo, depois com o Corel PHOTO-PAINT, foi um pulo pra eu começar a desenvolver meus próprios sites. Arrumei umas apostilas de HTML, aprendi a usar o Microsoft FrontPage e voilá.

Os primeiros sites? Obviamente que eram sobre a única coisa que eu sabia falar: música! Primeiro veio o Resgatados, um fan site sobre o Resgate. E em 2001 estava no ar o WebPetra, que em 2003 se tornaria o PetraHead, o maior site sobre Petra em língua portuguesa. Não me lembro de todos os detalhes, mas cheguei a ter mais de 10 mil visitas, o que era muito pra um site independente, hospedado no HPG (Home Page Grátis) e depois no Kit.Net (da Globo). O site tinha letras e detalhes de praticamente todos os álbuns lançados pelo Petra, muitas fotos (encontradas em sites de outros fãs espalhados pelo mundo) e até cifras das músicas. E eu fazia questão de ler muito pra sempre ter informações fresquinhas no site.

Fórum Gospel
Logo oficial do Fórum Gospel: desde que me lembro é essa...

Por causa do site, comecei a procurar coisas em sites em inglês, o que acabou por me fazer ter um contato grande com a língua (e com tradutores online como Babel Fish). Aprendi muita coisa nessa época por causa da Internet (além dos jogos e das músicas). Comecei também a frequentar fóruns de música, como o Fórum Gospel, e a vários sites pouco conhecidos como o SuperGospel e o DotGospel. Fiz várias amizades e ganhei colaboradores. E comecei a ter contato com outros gostos musicais. Por causa do FG e, principalmente, do Dot, conheci Jars of Clay, Third Day, Audio Adrenaline, dcTalk, newsboys, Sonicflood, Guardian, e vários outros artistas dos anos 1990 que tinham um bom tempo de estrada, mas que não chegavam por aqui.

Já há alguns anos, ainda na época do Ensino Médio no CEFET, eu tinha começado a ter contato com algumas bandas seculares (não cristãs) por alguns amigos da escola: Metallica, Red Hot Chili Peppers, Guns n’ Roses, e outras não faziam parte do que eu estava acostumado a ouvir. Anos depois vieram Linkin Park, Limp Bizkit, P.O.D., e bandas que eu mal sabia quem eram, pra falar a verdade, mas comecei a ouvir e a gostar bastante.

Com toda essa mudança musical, passei a curtir o rock um pouco mais pesado, indo primeiro para o new metal, depois para o metal mesmo. Nunca tão pesado. Não sou da linha death, black, speed e coisas do gênero. Sempre fiquei na linha tênue entre heavy metal e metal melódico. Mas também conheci muita coisa de hard rock, progressive, e industrial.

Rob Beckley, vocalista do Pillar
Rob

Mas como eu gostava muito de letra, tanto quanto ritmo e melodia, resolvi procurar por conta própria bandas cristãs que fizessem um som diferente do CCM. Que fizessem um rock como esse que eu estava começando a gostar. E lá estava a Internet novamente pra dar uma mão. Procurando bastante em sites internacionais e cheguei primeiro ao 12 Stones. Em seguida ao Pillar e, pouco depois, ao Skillet. As três bandas estavam começando a fazer uma caminhada lá pelos EUA com o tipo de som que eu queria encontrar. Juntas, em 2004, as bandas estariam tocando numa turnê que ainda levava Big Dismal e Grits (mais alumas bandas pra minha playlist).

John Cooper, vocalista do Skillet
John

As vozes de Rob Beckley (do Pillar) e John Cooper (do Skillet) passaram a ser referências para mim, tanto quanto a de John Schlitt (do Petra) e Mac Powell (do Third Day). Eu reconhecia de longe, mesmo quando não conhecia a música. Passei a ouvir muito esse tipo de rock (entre o new metal e o rapcore) e conheci várias outras bandas do gênero, mas sempre tinha como favoritas Pillar e Skillet.

Então, em 2004, veio o Orkut. Pouco depois, a onda blog chegou ao Brasil. E uma enxurrada musical veio junto. Bandas e sons dos quais nunca tinha ouvido falar passaram a fazer parte das minhas leituras e, logo, das minhas playlists. Conheci vertentes diferentes do rock, bandas de outros países e fui abrindo um leque que jamais conheceria se não fosse a Internet (daí a minha briga ferrenha contra esse preciosismo da indústria fonográfica de querer limitar os downloads pela web, sem os quais metade dos artistas que eles vendem não seriam conhecidos, mas isso é assunto pra outro post).

Kutless, Switchfoot, Jeremy Camp, MercyMe, tobyMac (ex-dcTalk) e tantos outros começaram a ter lugar cativo no meu Winamp. Cada vez mais meu repertório estava aumentando e mais artistas e bandas internacionais faziam parte dele. Claro que também meus pais e meus irmãos conheciam coisas diferentes. Estava sempre baixando coisas que eles gostavam de ouvir, principalmente em português para minha mãe. Muitos artistas nacionais também compunham nosso acervo de MP3. Mas nunca deixamos de comprar CDs em casa. Isso era uma regra. O que dava pra comprar, o que era de fácil acesso, a gente comprava. Ainda hoje, na casa dos meus pais, muitos CDs meus e dos meus pais e irmãos estão lá empilhadinhos.

Mas por mais que eu escutasse muita coisa nacional, principalmente Resgate e Oficina G3 (duas bandas que faço questão de comprar CDs até hoje e pretendo ter toda a discografia de ambas em CDs originais em casa), minha parcela de música internacional ia só crescendo.

Em 2005, quando o Petra anunciou que iria parar, minha decepção foi muito grande. O PetraHead foi o primeiro site a dar a notícia em português, poucos minutos depois dela ser divulgada num site americano (Petra Rocks My World, que está no ar até hoje). Na mesma época um problema no servidor tirou meu site do ar e um outro no meu PC me fez perder todos os meus dados relativos ao site (e todos os meus 4 Gigabytes de música salvos). Foi uma fase bem triste, que me deixou bastante desanimado. Por sorte, eu tinha algumas coisas gravadas em CDs.

Também nesse ano tive o prazer de conhecer o ZPoC: um programa de compartilhamento de dados (principalmente MP3) totalmente cristão, com salas de bate-papo e muita, muita música. Nele comecei a refazer meu acervo e logo já havia superado os 4GB anteriores que viraram 8GB, 16GB e hoje já somam mais de 60GB de música. Bem pouco, na verdade, se comparado ao share (como nós chamávamos o acervo de cada um no ZPoC) de outros usuários que chegavam a 2 Terabytes. Graças ao Z, completei minha discografia do Petra, o que jamais conseguiria por aqui, pois os primeiros álbuns da banda nunca chegaram ao Brasil e não se encontram facilmente na Internet. Também completei a discografia de várias outras bandas que gostava e conheci diversas outras.

Hoje não sei dizer exatamente quantos CDs tenho, quantas bandas escuto, quantas músicas tocam no meu PC o dia inteiro. Vivo de música. Ouço sempre que dá. Aprendi a tocar, a cantar, a traduzir as que gostava mais… Mais velho, já no fim da adolescência, comecei a tocar na igreja, a gostar de gêneros mais congregacionais (música que a gente canta na igreja, com a igreja). Passei a ouvir muito modern worship, essa linha hoje encabeçada pela Hillsong Church, mas que passa por Leeland, Delirious?, Chris Tomlin, Matt Redman, David Crowder*Band e tantos outros.

Hillsong United
Hillsong United, principal nome do modern worship entre os jovens

Outro dia me perguntaram qual era minha banda preferida. Não soube responder. Nem minha música, ou meu CD. Não sei se tenho “a” preferida. Gosto de ouvir algo num determinado momento e outra coisa completamente diferente em outro momento. Eu diria facilmente quer era Petra a banda e Beyond Belief a música, há uns 6, 7 anos atrás. Mas eu conhecia tão pouca coisa que essa afirmação era a única possível pra mim. Hoje eu escuto tanta coisa que é impossível separar algo que eu goste mais. Claro que tem umas 20 músicas que eu escute mais que as outras. Mas daqui um mês essas 20 serão outras. As cinco bandas que mais escuto hoje, não são as mesmas cinco do ano passado.

Não tem como eu me separar da música. Não tem como separar a música da minha história, da minha trajetória. A influência do que eu escuto, do que eu gasto meu tempo organizando (sou fissurado em organizar tudo o que baixo, desde as pastas até as TAGs, com as capas de todos os álbuns e tudo o mais), me fez ser metódico com as coisas. Minha personalidade foi moldada ouvindo música, em frente ao PC, aprendendo, lendo e ensinando o que sei. É por causa da música, das letras, dos ritmos, das melodias, que sou hoje o tipo de cara que sou.

Também posso dizer que influenciei bastante gente nessa caminhada musical. Vários amigos me contam que começaram a ouvir tal artista, tal banda, tal música depois que eu apresentei a eles. Alguns viciaram no som, outros simplesmente passaram a gostar.

E devo à música meu principal ganha-pão hoje, e o motivo de eu estar finalmente fazendo uma faculdade com a qual me identifico e numa área que quero trabalhar. Foi pela música, pelo contato com a web, pelos sites, que tomei gosto pelo design. Foi pelas capas de CDs, pelas tipografias nos nomes das bandas, pelas artes e pelas fotos que me vi envolto por esse mundo das artes gráficas, do digital, do Photoshop, dos vetores. Pela música tomei gosto pela coisa e me tornei o estudante de design gráfico.

Sei que muitas músicas ainda vão me assombrar na hora de ir dormir, como sempre acontece comigo. Sou de deitar e ficar com uma música na cabeça antes de dormir. E sempre acordo cantarolando ela em pensamento. Às vezes isso é tão forte que tenho que ligar o PC só pra ouvir a música e conseguir dormir.

Minha história musical está completando somente 25 anos. Tenho muito tempo de música pela frente! Sei que muita coisa ainda vai me marcar. Muitas músicas significam momentos especiais, com pessoas especiais. Sempre me lembro de alguém ou de algum momento quando escuto determinadas músicas. Algumas são bem saudosistas, outras são momentos que eu poderia esquecer, mas que a música não deixa que isso aconteça. Acho que posso dizer sem medo: música é minha paixão número um!

Andreas Kisser fala sobre as letras do White Metal


Olá pessoal!

Resolvi hoje trazer um texto que não é meu, mas que fala sobre um assunto que me interessa demais e que fez certo sucesso por aqui. O título pode não ser muito chamativo para você se você não conhece muito de metal ou pelo menos de rock. Mas Andreas Kisser é guitarrista da principal banda de metal brasileira, o Sepultura. E o cara falar sobre a música cristã é algo que deve ser levado em conta.

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