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Turma da Mônica: Laços


Não sei exatamente como começar esse texto. Um misto de saudosismo e esperança me vem à mente. Saudosismo por pensar em tudo o que a minha geração viveu durante boa parte dos anos 1980 e 1990, pela influências incríveis que tivemos. Esperança por saber que gente dessa geração ainda tenta resgatar o que havia de mais incrível e passar adiante. Gente como o Vitor Cafaggi.

Desde 2009 (olha só) eu sigo o trabalho do designer mineiro que virou  ilustrador e quadrinista, virou gente grande e virou referência no meio. De Puny Parker a Valente, passando por Doutone e, agora, por suas mágicas histórias baseadas nos personagens de Maurício de Sousa.

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Belíssima capa de “Laços”

E foi assim que chegou às minhas mãos, com certo atraso, o exemplar de “Laços”. O livro faz parte de uma coletânea chamada Graphic MSP, que tem mostrado de forma bem singular histórias dos personagens criados por Maurício. Na primeira edição, o Astronauta ganhou uma versão mais adulta, com traços fortes. Agora foi a vez da turma mais conhecida de todas ganhar nova roupagem.

E quem melhor que Cafaggi para contar de forma singela, doce, cheia de detalhes e referências aos anos da nossa infância? Se o próprio Cafaggi já tinha mostrado talento pra isso na MSP 50 (trabalho realizado na comemoração dos 50 anos do autor, com ilustrações de 50 artistas diferentes)? E cá está o melhor trabalho já realizado pelo designer.

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E.T.

Ao lado de sua irmã Lu Cafaggi, Vitor recebeu a missão das mãos do próprio Maurício de contar uma história sobre amizade. De uma amizade tão grande que supera as diferenças e as rivalidades entre meninos e meninas. Uma história contata gráfica e textualmente de forma incontestável.

Vitor e Lu tiveram aqui o trabalho de reimaginar como seriam Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Floquinho e diversos outros personagens da Turma da Mônica se esses tivessem uma versão mais real, digamos assim. Desde o corte moicano de Cascão, até as perninhas gordinhas da Mônica, tudo foi repensado. E se não fosse o bastante, Lu Cafaggi ainda redesenhou os personagens em sua idade mais tenra para compor a história que inicia e fecha o livro e mostra os amigos se conhecendo e tendo o primeiro contato com o cãozinho que é peça central da trama de Laços.

Mas não é só pelas ilustrações que o livro/graphic novel ganha todas as estrelas possíveis. A história em si e a forma como é contada nos detalhes também são fantásticas. As pausas, as referências à cultura pop, as cenas repletas de significados transformam essa lição de amizade em algo que com certeza irá encantar uma nova geração de leitores.

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Uma referência ao carrinho de churros do Sr. Madruga (Chaves)

Laços já se tornou pra mim um objeto de recordação, daqueles que você põe num lugar à parte pra olhar de vez em quando. E que eu irei mostrar para os meus filhos, contando de onde surgiram esses personagens incríveis e quem foi o grande artista por trás dessa “recriação”. Um trabalho que vale a pena ser visto, revisto, mostrado e compartilhado sempre.

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“No Dia Em Que Fazia Anos”, Gregório de Matos


“Pois os prados, as aves, as flores
ensinam amores,
carinhos, e afetos:
venham correndo
aos anos felizes,
que hoje festejo:
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem atentos
as aves cantoras
as flores fragrantes
e os prados amenos.

Pois os dias, as horas, os anos
alegres, e ufanos
dilatam as eras;
Venham depressa
aos anos felizes,
que Amor festeja.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem deveras
os anos fecundos,
os dias alegres,
as horas serenas.

Pois o Céu, os Planetas, e Estrelas
com Luzes tão belas
auspiciam as vidas,
venham luzidas
aos anos felizes
que Amor publica.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem um dia
a esfera imóvel,
os astros errantes,
e as estrelas fixas.

Pois o fogo, água, terra, e os ventos
são quatro elementos,
que alentam a idade,
venham achar-se
aos anos felizes
que hoje se aplaudem.
Porque aplausos de amor, e fortuna
celebrem constantes
a terra florida,
o fogo abrasado,
o mar furioso,
e as auras suaves.”

Há uma pessoa em especial que faz aniversário hoje. É bem provável que ela jamais visite esse blog, mas, se por um milagre ela aparecer,  só pra ficar registrado: te desejo toda a felicidade do mundo! Mas desejo mais ainda que a felicidade do mundo não seja a felicidade que você busca, que sua busca seja outra… Você sabe do que estou falando!

Parabéns!

Que livro seria você?


Certamente você já deve ter ouvido aquela frase “minha vida é um livro aberto” de algum amigo, não? Ou até mesmo você já deve ter dito isso. Ou aquela outra, “não se julga um livro pela capa”! Todo mundo já disse ou ouviu essas frase que nos relacionam com livros pelo menos uma vez na vida. E eu, como um cara absolutamente ligado ao que é escrito, muito mais do que ao que é falado (apesar de que o cantado é mais minha praia), já usei as expressões várias vezes.

Mas se você pode ser um livro aberto ou se não podem te  julgar por sua capa, que livro seria você? Se você já se fez essa pergunta, como eu, ta aí o jeito de descobrir a resposta.

O site Educar para Crescer, da Editora Abril, resolveu criar um teste onde, através de dez perguntas, você é comparado a um livro da literatura nacional. O teste é simples e pode ser encontrado nesse link:

O meu teste:

Eu jamais esperaria isso, mas, de acordo com o teste, minhas páginas são como as de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas!! Pois é… E não é tudo. Olha só o que eles dizem sobre o livro:

Memórias Póstumas de Brás Cubas, clássico de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas, clássico de Machado de Assis

“Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.”

E o pior de tudo é que o teste faz muito sentido. Nunca fiz um desses testes que desse um resultado tão certo! Sem dúvida se eu fosse um livro, seria Memórias Póstumas! E você, qual livro seria? Comente…