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Não tem explicação!


(esse post foi escrito sem fundo musical, sem fotos, sem vídeos…)

Luto! É a única palavra que consegui encontrar para explicar o sentimento de hoje.

Não tem como entender o que aconteceu ontem. Não tem como digerir o que os olhos de milhões de torcedores viram. Não tem como explicar de onde Verón tirou tanto gás. Não tem como não rever na mente o gol antológico de Henrique e pensar que poderia ser o gol do título. Não tem como…

Se ontem o sentimento era o de ansiedade, hoje o de tristeza surge. Mas de qualquer forma, só a Libertadores está na mente. O pior é que chegamos lá. Depois de 12 anos, finalmente o Cruzeiro tinha um time de qualidade, com vontade, capaz de vencer 9 dos 13 jogos até então disputados! De longe, a melhor equipe dessa edição da Libertadores. Mostrou isso nos dois jogos contra o São Paulo e nos dois seguintes contra o Grêmio. Jogaram com garra. Mas faltou garra na final.

Incrível como alguns torcedores do time rival ainda resolvem aparecer para tirar o sarro. Até nos chamaram de fregueses… Isso depois de ficar 2 anos e meio, 12 jogos sem conseguir uma vitória sequer! Aí é ganhar uma, ver o Cruzeiro vice-campeão da Libertadores e achar que pode subir no telhado e cantar de galo!

O jogo

A peble estava lá. Foi assim que os torcedores foram tratados pela diretoria cruzeirense ao longo da semana. Os ingressos estavam absurdamente altos. Se era pra ter pão e circo, faltou o pão e o circo! Quero ver agora os senhores Perrela explicarem onde vai parar a grana arrecadada que deveria premiar os vencedores! Vã dar para Verón e companhia?

O General Adilson também compareceu, mas pareceu perdido em meio às suas opções táticas. Comumente, o famoso professor Pardal resolve inventar, mas ontem preferiu montar uma estratégia básica, simples. E era o certo a se fazer. Mas os seus comandados não reponderam no campo de batalha e, na hora de mudar a estratégia, não mudou.

Os guerreiros do time adversário, raçudos, como é de costume, vieram com a tática de sempre. Batendo muito, correndo muito, dando o sangue (literalemente) para conquistar a vitória. E não é à toa que, depois dessa vitória, somam 4 títulos. 22 no total para os hermanos. É uma superioridade que tem explicação. Mesmo sendo difícil de aceitá-la.

Não tiro o mérito, em momento algum, da garra e motivação do Estudiantes. Eles jogaram como tinham que jogar. Como se joga num jogo de Libertadores. Mas o árbitro… Quem era aquele cara? Não que ele estivesse roubando contra o time mineiro, mas favoreceu em alguns lances a equipe argentina.

Nosso Gladiador Azul… Ah, o Gladiador… Bom, ele bem que tentou, se esforçou, procurou a melhor maneira, mas era difícil. Degladiando contra um exército inteiro, apanhando como nunca e ainda sem a ajuda de seus principais aliados, Kléber não foi muito útil. Poderia ter sido melhor, mas a culpa não foi dele.

E Ramires? O Príncipe? Como é de costume, príncipes não sujam suas mãos em batalhas sangrentas. Ao lado dele, seu irmão Wágner não pensou duas vezes. Quando pressionado, viu que teria que se sujar e fez o que sempre faz: correu. Não foi assim contra o Boca? Ramires ficou com a missão de fazer o impossível. E se era impossível com o exército completo, imagina com desfalques? O corredor, o maratonista, correu por toda a arena. Se movimentou do ataque à defesa. Mas não era disputa para ele. Muito menos para Athirson.

Nas quatro linhas que limitavam a arena, a entrada de um soldado calado fez diferença, mas não o suficiente. Esse soldado, antes querido, depois tratado como bandido, foi o único capaz de ameaçar o rival com uma arma poderosa, pouco usada: chutes. Thiago Ribeiro entrou, fez o que dava pra fazer, acertou a trave, tirou o fôlego de muitos, mas não poderia mudar sozinho um resultado.

Fábio, a Muralha Azul, estava lá. Fez sua parte, mas não contava com as falhas de seus companheiros. Não fez milagres dessa vez, como na outra batalha, mas era querer demais!

O final foi o imprevisto. A confiança deu lugar ao desespero. O placar mostrava um gol apenas que separava campeões de vices. Um único gol a mais que arruinava toda a esperança celeste. Os últimos minutos foram agonizantes. Cada lance, cada passe, cada tentativa de chegar era um sofrimento a mais. A inspiração faltou. O ânimo foi se esvairindo. A batalha se findava e cada vez mais longe ficava o sonho. E acabou!

A explicação? Não há! Culpados? Todos. O time. O adversário. O treinador. O juíz. A torcida. Faltou alguma coisa? Sim. O título! O que fazer? Esperar… Espera que alguém se pronuncie. Esperar que alguém renove nossa esperança. Esperar que algo aconteça para, enfim, tirar da cabeça a única coisa que ocupa nossos pensamentos: Libertadores!

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Favoritismo é para amadores…


Eu já havia dito aqui que ia falar muito sobre tudo… É claro que eu não vou deixar passar a oportunidade de falar de algo que todo o Brasil estava acompanhando nesse último domingo. Não, não estou falando do jogo de vôlei da seleção brasileira masculina campeã mundial pela sétima vez. Afinal, eles eram favoritos, certo? Nem vou falar das meninas do handball no Pan que, tanto quanto, já eram consideradas vencedoras antes mesmo de entrar em quadra. Vou falar de outros favoritos. Não brasileiros. Nem sequer americanos. Nem mesmo vou falar do Pan. Vou falar dos argentinos. Certo, não muito deles. Mas de algo relacionado a eles.

A mídia o massacrou. Disse que ele se preocupava mais com a vestimenta do que com as táticas em campo. Mas Dunga mostrou que não é só um ex-jogador famoso, com espírito de liderança. Ao fazer um nó tático nos argentinos e não permitir o jogo dos hermanos na final da Copa América, o técnico brasileiro se fez entendido e assegurou seu cargo no comando da seleção. Havia muita gente torcendo contra. Talvez até mesmo alguns de vocês que estão aqui lendo agora. Mas era fácil desacreditar uma seleção que não podia contar com seus maiores craques, que passa por uma tremenda reformulação e que parecia não ser capaz de vencer ninguém. Quando essa seleção perdeu para o México na primeira rodada, fomos unânimes em dizer que estava tudo errado. Ninguém lembrou na hora que a seleção mexicana era a recém campeã da Copa Ouro (torneio de seleções da Concacaf) e que era um time que jogara junto por semanas seguidas. A seleção brasileira estava desentrosada, cansada e não havia se encontrado. E quando o Chile virou saco de pancadas, era sorte. O time deles era fraco (mais que o nosso, segundo alguns). Ninguém deu valor às atuações de Maicon e Júlio Baptista. O Uruguai então, nem se fala. Quase tirou o Brasil e demos sorte de o Doni ter relado o pé na bola sem querer na primeira cobrança que defendeu. Todas as outras defesas que o goleiro fez nas demais partidas, ou na Roma durante toda a temporada, foram importantes. Ninguém lembrou que a Roma foi segunda colocada da Serie A italiana e que o goleiro foi tremendamente responsável por isso ao lado de outros brasileiros como Mancine e Rodrigo Taddei (pra mim, injustamente deixados de fora da seleção). E estávamos na final. A Argentina estava com seu time completo à disposição. Os melhores jogadores. Uma campanha incrível na competição. Favorita! Ou não?

Vou ser sincero. Não vi todo o jogo. Eu tinha um outro compromisso, mas vi partes do primeiro tempo e alguns lances mais tarde na TV. E posso dizer com toda certeza: eles amarelaram! Foi só olhar para a camisa canarinho que o sangue dos argentinos gelou. Afinal, nas últimas vezes que nos encontramos, só deu Brasil. E outra, das 4 últimas edições da Copa América, vencemos 3! Não importava quem estava em campo por cada equipe. Se eram os astros dos grandes clubes, se eram os jogadores considerados “B”… Era um Brasil x Argentina e não existia favoritismo. O resultado eu não preciso comentar. Você deve ter visto na Internet, nos jornais, na TV… O importante é que caiu por terra qualquer argumento de qualquer “crítico futebolístico” que criticou a seleção todo esse tempo. Que fez chacota com Dunga e seus jogadores “alternativos”. Que quis chutar o cachorro enquanto estava no chão. Agora quero ver falar dessa seleção campeã. Com erros, sim. Não é uma equipe perfeita. Mas que vai dar trabalho quando estiver com sua força máxima.

Dale Dunga! Dale Doni! Dale Maicon! Dale Júlio Baptista! Dale Daniel Alves! Dale Robinho! Sim, Robinho, que soube deixar o estrelismo de lado, chamar a marcação pra si e deixar livres seus companheiros para jogarem o que sabem, sem aparecer demais, marcando gols na hora certa, dando oportunidades na hora certa e contribuindo para que esse time entre no rol dos campeões da Copa América. Com muito orgulho! E em cima da Argentina! Afinal, favoritismo é para amadores.