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Quando a “faculdade” atrapalha…


Não vou fazer rodeios. Nada de introdução rebuscada aqui hoje. O assunto é exatamente esse: a faculdade, que deveria estar me preparando para o mercado de trabalho, nesse momento, está atrapalhando.

Explico: em tese, nossa ida à faculdade deveria ser para que nos preparássemos para o mercado, para que adquiríssemos um conhecimento teórico embasado não na experiência, mas nos estudos, o que considero tão importante quanto o conhecimento prático. Esse conhecimento deveria ajudar no nosso posicionamento no mercado e também ajudar a enfrentar os desafios da carreira a que nos propomos seguir.

Também deveria servir como ponto de encontro, local de discussões e de se fazer (construir ou aumentar) o chamado networking (redes de contatos). Ou seja, a Universidade deveria ser um local que incentivasse o diálogo, o debate, o conhecimento mútuo, a construção de ideias. E, bem, acredito que isso é o que muito tem em mente.

Mas o que acontece de fato hoje é que, muitas vezes, a faculdade, a instituição (e não o ensino superior, minha gente) tem atrapalhado a inserção do estudante universitário no mercado. Se não atrapalhado totalmente, ao menos dificultado esse processo. E estou falando do meu próprio caso.

A UFPR é um desses lugares...
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) é um desses lugares…

O que, aparentemente, as instituições de nível superior parecem não ter entendido é que eu não trabalho pra fazer faculdade; eu faço faculdade para trabalhar. Ou seja, a faculdade é o meio pelo qual aprimoro meus conhecimentos para que no mercado eu me sobressaia; é onde eu agrego valor não só ao meu currículo, mas a mim mesmo, como pessoa, através das interações sociais, da criação networking, das experiências compartilhadas em sala de aula com professores e colegas (que, às vezes, se tornam amigos).

Mais do que simplesmente ouvir à uma aula, a faculdade nos dá oportunidade de vivenciar coisas. E isso é indispensável na formação de um bom profissional. Mas quando essa experimentação se torna inviável pela própria instituição, a premissa essencial do ensino superior se torna balela. Formar o cidadão fica em segundo plano em prol de uma Universidade com “conceito A pelo MEC”. Ter alunos “caxias” se torna mais importante do que ter bons profissionais.

Não dá pra generalizar, óbvio. Claro que existem tanto boas faculdades, que permitem ao aluno vivenciar o máximo possível dentro da instituição, como existem aquelas tão ruins que o aluno nem se preocupa em estudar, mas só em ter o diploma o mais breve possível. Mas o primeiro tipo é bem raro, infelizmente.

O que fazer depois de formado e sem experiência profissional?
“Eu tenho um diploma, e agora?”

A maior parte das boas instituições tem se tornado elitistas demais ou, em palavras menos amenas, faculdades para “filinhos de papai”. Aqueles que podem se dar ao luxo de passar o dia inteiro indo às aulas (principalmente quando levado em conta as universidades federais), fazendo os trabalhos, já que seus pais é que se preocupam com seu sustento. Mas seria injusto culpar esses alunos mais afortunados. Se eles tem essa oportunidade, que a aproveitem. O que a instituição geralmente não tem em mente é que nem todos os seus alunos estão na mesma condição: mais de 60% dos estudantes do ensino superior trabalham ou já trabalharam em período integral (dados do INEP com base no questionário sócio-econômico do ENEM/ENADE). Quando a Universidade deixa de ter em conta dados como esse e passa a tratar todos os seus alunos como tendo as mesmas condições, principalmente de tempo disponível, a qualidade do ensino não pode se basear somente na “nota 5”.

Eu não vou à faculdade para me encher de trabalhos, ficar calado por 4, 5 horas exaustivas de aulas e pra me privar de ter todas as coisas já citadas no texto. Eu trabalho o dia inteiro e só vou à faculdade porque acredito que lá tenho a oportunidade de crescer profissionalmente. Se isso começa a me ser privado, tem algo errado. Muito errado!

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Design por que?


Por que você é designer? Ou o que te levou a estudar essa área do conhecimento humano? O que te levou a gostar dessa penosa, mas apaixonante carreira? Você já se fez essas perguntas? Sei que muitos sabem a resposta na ponta da língua e vão dizer facilmente que é porque gostam de desenhar, ou porque gostavam de mexer no Photoshop…

Eu decidi fazer design por causa de dois caras, duas personalidades que influenciaram alguma época da minha vida e que, mais tarde, descobri que eram designers. Os dois tem seu valor, um é reconhecido mais do que o outro, mas ambos tiveram contribuições marcantes na minha escolha.

Hans Donner

A maior parte dos designers que lerem isso irá dar risada. Hoje, Donner não é mais tão conceituado no meio como era há alguns anos. O designer austríaco, nascido na Alemanha, mas radicado no Brasil, teve seu grande momento na criação do logo da Rede Globo, revitalizada diversas vezes também por ele. Mas o que me marcou mesmo nos trabalhos de Hans Donner foram as diversas aberturas de programas e novelas que ele idealizou e produziu.

Me lembro das várias vezes que fiz questão de assistir ao primeiro capítulo das novelas (nos idos de 1990 e começo dos anos 2000) só pra ver as animações que sempre rolavam. A melhor, pra mim, era a de Meu Bem, Meu Mal, que mostrava diversas peças modernas com uma edição incrível pra época:

Só que nessa época, ainda muito novo, eu não tinha essa noção de que se tratava. Era algo distante. Entre as várias vinhetas de abertura, Donner também fez as dos programas TV Colosso, Fantástico, Jornal Nacional, Jornal Hoje, TV Pirata e as novelas Mulheres de Areia, O Dono do Mundo e etc.

Mike Shinoda

Se você não é muito ligado à música, não deve conhecer esse nome. Mike é o fundador do Linkin Park. Divide com Chester Bennington o posto de vocalista, mas também é guitarrista, pianista, rapper, produtor e etc. Antes do sucesso da banda, Mike e Joe Hahn (também do Linkin Park) frequentaram juntos na Faculdade de Artes e Design de Pasadena, onde Mike se formou.

Além de produzir musicalmente a banda, ao lado de amigos, Shinoda também fez todo o trabalho de designer do Linkin no começo da carreira dos caras. É o principal responsável pelas artes das capas (inclusive o desenhista de algumas delas). Também era dele a responsabilidade pelo site da banda. O clip de Breaking the Habit (acima) teve direção do músico e designer.

Curto muito o estilo do Shinoda por ter essa influência da tradição milenar do Japão em boa parte do que ele faz. As artes dos álbuns sempre são carregadas de referências da cultura pop japonesa, como a capa do Reanimation, por exemplo, que é uma fortíssima referência ao desenho Transformers.

Mas um dos grandes trabalhos de Mike Shinoda que me impressionou e me marcou por um bom tempo foi o site oficial do Linkin Park, em sua versão lançada em 2002, com essa vibe Transformers. Na época, não me recordo de ter outro site com a qualidade de cores, desenhos e utilização de tecnologias (na época o Flash tava no auge) tão bacana quanto era o site do LP.

Foi nessa época que me apeguei mais ao web design, tendo ainda mais vontade de me aprofundar no assunto, correndo atrás de textos, tutoriais e etc, pra tentar aprender o que havia de mais interessante no meio.

Outra influência muito forte que tive veio da Revista InfoComo sempre estive ligado no universo da informática e tecnologia, a revista da Editora Abril sempre esteve entre as publicações mais frequentes em casa, tanto por mim quanto por meu irmão mais velho. Mas o que me chamava muito a atenção era o projeto gráfico da revista. A diagramação, as capas, sempre fui apaixonado pelo que o pessoal de criação deles vazia.

Com a vontade de poder atuar nessa área, acabei me aventurando pelo Jornalismo, crendo que seria o caminho mais interessante. Nos quase 2 anos de faculdade pude aprender muita coisa sobre escrever bem, mas nada de diagramação ou que estivesse mais próximo do que queria.

Depois de um bom tempo, acabei decidindo dar uma virada na minha vida e parti rumo à Curitiba pra, finalmente, estudar design. Mas isso é outra história.

Links

Site oficial do Hans: http://www.hansdonner.com

Site oficial do Mike: http://mikeshinoda.com/

Jornalismo? Para que? Para quem?


Nada mais me anima nesse antro de podridão e imundícia que vi com meus próprios olhos! O espírito que antes em mim exisitia, a vontade de ser e fazer diferença, tudo foi por água abaixo! A sede de justiça, os olhos esperançosos de algo novo e bom, tudo se foi… Resta agora só o desprezo por aquilo que uma dia eu chamei de Jornalismo e me fez pensar de mim mesmo que poderia ser jornalista! Continuar lendo Jornalismo? Para que? Para quem?