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Homofobia: Você tem medo de que?


Há muito tempo venho pensando em escrever sobre esse tema aqui no blog e me posicionar com relação à tudo isso que tem sido dito, escrito e calorosamente discutido com respeito à essa questão que é, sem dúvida alguma, complicada e polêmica. Antes de fazê-lo, porém confesso que tive que ler muito e me pontuar sobre diversas dessas coisas que tem sido apregoada aos ventos por aí afora, nas igrejas, no Senado Federal, nas esquinas, nas escolas… Se você irá ler esse texto, só tenho a te dizer que você deverá fazer o mesmo que eu: leia outros blogs, procure se informar, veja as notícias, saiba do que se trata toda essa discussão e, só depois, argumente contra ou a favor tudo o que aqui estiver escrito. Obrigado!

Não é de hoje que eu me pergunto a validade do termo homofobia para descrever a discriminação sofrida pelos homossexuais. A palavra, de fato, não existia no nosso vocabulário e foi criada há bem pouco tempo (1969), pelo psicólogo americano George Weinberg, e se referia ao medo de homens heterossexuais em relação a que outros os podussem ver como gays. Ou seja, o medo de ser visto como homossexual.

O termo tem origem similar a outras fobias analisadas pela psicologia (como aracnofobia, medo de aracnídeos, ou claustrofobia, medo de lugares fechados). Numa análise mais profunda, o termo phobia (do grego φοβία, que se refere à medo irracional) se junta ao termo homoios (όμοιος, grego para iguais) para formar a palavra homofobia.

Mas, com o tempo, o termo acabou ganhando outra conotação: a de medo dos homossexuais. Mesmo que ainda tendo em sua definição a patologia a que a expressão se refere. Quando digo isso quero deixar bem claro que desde o começo homofobia se referia à  um medo psicológico, e não racional. Hoje, o termo é aceito como se referindo a qualquer atitude contrária ao homossexualismo, mesmo quando esse ato não inclui medo, fobia. Ou seja, o simples fato de se opor à prática do homossexualismo, é considerado homofobia.

Então assim ficou convencionado, independente do significado real da palavra, que se trata de um sujeito homofóbico, todo aquele que intencionalmente pratica um ato vexatório, difamatório ou violento contra o homossexual, que causem danos morais ou físicos. Isso não é lei hoje e é o que mais se tem discutido. Não é a definição da palavra, mas é a realidade.

Se alguém faz o mesmo ao negro, ao índio ou a um estrangeiro, está praticando racismo, preconceito, o que é crime no Brasil. Também o são: preterir um negro ou índio numa entrevista de emprego ou impedi-los, de alguma forma de praticar seus direitos como cidadãos. Inquestionável. Trata-se de discriminação e deve ser tratado como crime sim! O que querem os homossexuais é que, assim como tais, eles sejam enquadrados na mesma lei, sendo considerado então os mesmos tipos de atos sofridos por eles como crime. E isto está errado? Bom, vejamos…

Baseados no Projeto de Lei 122/06, as entidades que representam os homossexuais levaram à sociedade um questionamento pertinente que gerou uma discussão acalorada até mesmo nos prédios do governo. O projeto prevê que se  mude o modo como a sociedade trata o homossexual e, consequentemente, o homofóbico, nos moldes apresentados nos parágrafos acima.

Entre outros detalhes, a PLC 122 acrescenta as diferenças de gênero e de identidade, além de diferenças de idade e de condições físicas aparentes (portadores de deficiência) aos artigos que tratam de discriminação no código brasileiro. Ou seja, qualquer discriminação quanto à cor, etnia, religião, origem, condição de deficiência ou de pessoa idosa, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero será configurada como crime (grifo meu, ressalta as “categorias” que entrariam na lei através do projeto).

O que a lei não explica, e é essa a sua falha, é em que ponto as atitudes seriam taxadas de homofóbicas. De acordo com o que pensa a maioria dos homossexuais e suas representações, o simples fato de que alguém discordar de sua conduta, ou não apoiar a prática homossexual, ele seria enquadrado no teor da lei e seria criminoso. E é nesse pensamento que a maior parte dos contrários à lei se baseiam para que ela não seja aprovada.

Quero levantar aqui a questão tratada no post anterior. A tal Liberdade de Expressão mais uma vez aqui se confunde com as atitudes que a sociedade quer impor ou limitar ao indivíduo.

A lei, ou o Projeto de Lei 122, prevê em todo o tempo que será considerado crime qualquer ato contra o homossexual que lhe cause dano, seja preconceito, discriminação ou ato de violência, sejam eles feitos em lugares públicos ou privados, e quaisquer atos que os tire a liberdade de se manifestar como homossexuais em lugares públicos ou privados abertos ao público.

O que está sendo colocado aqui é a total falta de critério para se fazer valer essa lei. Ela contradiz a própria lei brasileira que, em outros pontos, prega a liberdade de culto, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão, etc. À partir do momento em que eu passo a impor uma conduta, um tipo de comportamento, como aceito, independente de crença, credo, moral ou qualquer outra coisa pertinente ao indivíduo, e somente a ele,  impondo a vontade do Estado, toda a “liberdade” cai por terra.

Entenda: numa sociedade existem uma série de regras, de leis, que dizem como o sujeito deve agir em relação aos seus iguais, ou seja, o que eu posso ou não fazer em relação aos demais cidadãos. Isso se refere à minha liberdade. Não cabe aqui fazer uma análise profunda sobre consciência individual e coletiva, tema que Durkheim1 trata muito melhor do que eu, obviamente.

Enfim, se essa lei que rege a minha sociedade diz que eu posso ter minha crença, coisas que fazem parte da minha cultura, ela me dá o direito de agir conforme essa crença, até o ponto em que isso não cause dano a outrem. A minha consciência, a minha crença, a liberdade de pensar e de expressá-las, não podem ser definidos por outra lei, nova, que sobreponha a anterior.

Quero encorajar você, mais uma vez, a ler outros textos sobre o assunto, sem preconceitos. Leia o lado dos homossexuais, que defendem a alteração da lei, e leia também o lado daqueles que são contra essa alteração. Procure se informar, se envolver, se preocupar com essa questão. Não seja levado pelo papo de quem chega cheio de discursos bonitos sobre preconceito e discriminação, mas também não se deixe levar por fanáticos religiosos, charlatões que batem na mesma tecla há séculos e que não vivem o que pregam. Não se aliene, discuta esse tema! Só quando os nossos olhos se abrirem para entendermos os problemas dos outros é que vamos chegar à uma sociedade civilizada, justa e sem preconceitos. E livre, de verdade, para opinar, discutir e, sadiamente, se expressar.

[1] Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês, trata do tema Consciência Individual e Coletiva em diversos livros, sendo o principal deles, “Da divisão do trabalho Social“, uma das principais obras da Sociologia Moderna.

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De volta?


É, seu sei… Deixei vocês todos na mão mais uma vez! Pela terceira vez em sua história, o [estereo]tipo ficou jogado às traças como se não valesse nada. Infelizmente isso foi verdade nesses últimos dias. Sei que muitos de vocês que visitam esse blog estão atrás de informações, de coisas interessantes, e que nada querem saber da minha pessoal. Mas foi esse o motivo do descaso dos últimos meses. Minha pessoal estava uma bagunça e estava na hora de colocar as coisas no lugar.

Pois bem! Nem tudo está como gostaria que estivesse, mas creio que as coisas tendem a ficar melhores ao longo dos próximos dias… Próximas semanas… Talvez próximos meses!

A grande questão que me ronda a mente é: será que o [estereo]tipo sobreviverá a tudo isso? Será que ele voltará a ser atualizado constantemente com conteúdo de qualdidade, de valor? Bom, pessoal, aí mora o problema. Andei sem ânimo durante esses dias e não sei se retornarei com o mesmo ímpeto de outrora pra continuar fazendo desse blog o que ele nasceu pra ser. Mas prometi a mim mesmo tentar.

Sim, estou voltando, não com tudo, mas com 50% pelo menos. Já é um começo, não?

E não quero começar de qualquer jeito, por isso, prometo que ao longo dos próximos dias trarei coisas interessantes! Mas, mais uma vez, decidi por bem mudar o foco do blog. E dessa vez, radicalmente! Não mais escreverei sobre música. Ou sobre jornalismo. Ou sobre política. Ou sobre crise mundial. Ou sobre vírus disso ou daquilo. Nem mesmo sobre tecnologia.

Decidi, e está decidido, escrever sobre o que me vier à cabeça. Mesmo que não tenha nexo ou razão para escrever. O que me der vontade, vou publicar aqui. Textos, artigos, críticas, diálogos da vida. Coisas que me agradam ou desagradam por algum motivo. Coisas que me fazem pensar na vida, no sentido da vida, no propósito da vida. Decidido está que escreverei como nunca antes me permiti escrever. Mais sobre mim mesmo do que sobre qualquer outra coisa.

Não, o [estereo]tipo não vai virar um diário. Um “querido diário”! Será apenas um espaço onde colocarei meus pensamentos escritos virtualmente para quem se interessar em ler. E assim pretendo levar esse blog à algum lugar. Não sei bem onde, mas parado ele não fica mais.

Bem-vindos de volta ao [estereo]tipo!

escrito ao som de: Avril Lavigne – Tomorrow (sim, eu estava ouvindo Avril Lavigne, alguma coisa contra?)

Estereótipo Musical


Na nossa sociedade, tornou-se sinônimo de uma tribo urbana o estilo musical adotado pelo grupo. Assim, um grupo que anda de camisetas pretas, geralmente com logos de bandas, normalmente tem cabelos grandes e costumeiramente são mais fechados do que outros grupos é tido como uma tribo de “metaleiros” (ou, menos pejorativo, head bangers, literalmente “batedores de cabeça”). Da mesma maneira, o grupo que se veste seguindo uma cultura pop japonesa que tem crescido na cultura ocidental, geralmente com franjas enormes, cabelos coloridos e muita maquiagem, são chamados de “emos”. As duas denominações são extremamente estereotipadas e englobam muito mais do que a maneira de se vestir, ou o estilo de cada grupo. Mas tem se tornado muito comum em nosso meio esse tipo de caracterização que chega a ser preconceituosa.

Antes de falar mais desse assunto, vamos entender um pouco de teoria. E quando digo teoria, de fato quero dizer teoria musical. Não, você não precisa ser um músico pra ter uma noção legal de teoria musical. Duvida? Eu não sou músico! E até que sei algumas coisas… Não tenho capacidade de dar uma aula de música e, mesmo que tivesse, não é a intenção deste post. Porém, algumas coisas são indispensáveis para o entendimento da questão.

Estamos todos cercados de estereótipos
Estamos todos cercados de estereótipos

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