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Christian Movies


Durante os anos 1980 e 1990 muitas produções cinematográficas foram feitas visando o mercado cristão. Nada feito por grandes estúdios, mas produzidos por empresas menores, geralmente ligadas às igrejas ou ministérios. Esses filmes chegaram às classes de Escola Dominical, lares, escolas… Me recordo de ter visto vários deles quando era moleque. Era tão comum que inclusive bandas chegaram a ter filmes (como fã não posso deixar de citar o filme “Beyond Belief” da banda americana Petra). Mas o interesse por esse tipo de cinema diminui nos anos seguintes pela falta de algo primordial: boas produções.

A coisa toda recomeçou numa igreja americana chamada Sherwood Baptist Church, quando um de seus pastores, Alex Kendrick, resolveu fundar a Sherwood Pictures e produzir o filme “A Virada”, em 2003, fruto de uma pareceria com a Provident Films. Dirigido e estrelado pelo próprio pastor, o filme teve um orçamento de 20 mil dólares e tem diversos membros da igreja no elenco e nos cargos técnicos, desde a filmagem até a edição. Depois de arrecadar quase o dobro nos cinemas e de ter mais de 600 mil DVDs vendidos, a produtora resolveu elevar a qualidade dos filmes contratando uma equipe experiente para as filmagens.

O primeiro filme da nova leva foi “Desafiando Gigantes”, lançado em 2006, que mostrava a crise de um treinador de futebol americano cristão (novamente Alex Kendrick no papel principal) que passava certos apertos com seu time colegial. O filme acabou sendo um sucesso, arrecadando mais de 10 milhões de dólares nos cinemas e tendo cerca de 2,2 milhões de cópias vendidas. No mesmo ano o cantor Michael W. Smith lançava seu filme, “A Segunda Chance”, produzido também pela Provident Films, mas que mesmo com o peso do cantor não arrecadou mais do que U$ 450 mil nos cinemas.

Em 2008 a Sherwood voltava com mais um grande sucesso: “Prova de Fogo”. Dessa vez o elenco contava com Kirk Cameron no papel de um bombeiro, à beira do divórcio, que tem contato com um livro de devocionais chamado “The Love Dare” (um livro devocional real escrito por Kendrick e seu irmão Stephen). Cameron, que também foi protagonista nas adaptações da série de livros “Deixados para Trás” nos cinemas, acrescentava a experiência que faltava à produtora. O filme teve um orçamento de 500 mil dólares, mas arrecadou mais de 33 milhões nos cinemas, superando até grandes produções hollywoodianas na época. Pouco depois a produtora lançaria “Corajosos” (arrecadando cerca de 35 milhões de dólares) e “October Baby” (esse último, sem lançamento no Brasil).

Pr. Alex Kendrick em ação no filme "Corajosos"
Pr. Alex Kendrick em ação no filme “Corajosos”

A mais recente investida chega aos cinemas brasileiros agora em setembro. Seguindo essa mesma linha, de produções mais elaboradas, e ainda contando com um elenco de peso para os padrões dos filmes cristãos, “Deus Não Está Morto” já fez história ao arrecadar mundialmente mais de 60 milhões de dólares. No elenco estão atores como Kevin Sorbo e Dean Cain, que interpretaram Hércules e Superman, respectivamente, em seriados de sucesso nos anos 1990. O filme também conta com os músicos da banda Newsboys, que inclusive é responsável pela música tema do longa, “God’s Not Dead”. Retratando a dificuldade que nós jovens temos de professar nossa fé em meio às muitas filosofias da vida universitária, “Deus Não Está Morto” é uma das melhores produções recentes em termos de filmes cristãos e não é à toa que chega tão badalado às salas brasileiras.

Vale citar aqui outras ótimas trilhas sonoras dessas produções que têm nomes de peso na música cristã americana. Third Day, Leeland e Casting Crowns são algumas das bandas presentes com músicas que sempre têm tudo a ver com o filme (mais um ponto para os produtores) e não meramente um fundo musical. Outros nomes presentes são os cantores Mac Powell (vocalista do Third Day), John Waller, Waren Barfield, Bebo Norman, a banda Grey Holiday, a até o próprio pastor Alex Kendrick que faz vezes de cantor também.

A boa fase de temas cristãos no cinema movimentou até Hollywood. Recentemente tivemos o lançamento do filme “Noé”, com Russel Crown no papel principal, e em dezembro poderemos ver “Êxodo”, com Christian Bale no papel de Moisés. Além dos filmes bíblicos, uma nova adaptação do best-seller “Deixados Para Trás” deve pintar nos cinemas ainda esse ano, com Nicolas Cage como protagonista.

Com muito desse sucesso tendo como base suas histórias profundamente ligadas ao cotidiano do cristão muito mais do que a histórias de conversão ou com o fim dos dias (temas que eram comuns nos filmes daqueles tempos que eu era criança), essa nova safra de filmes cristãos tem feito bem mais do que faturar bem nos cinemas. Eles têm mostrado que é possível ter produtos de qualidade no mercado cristão e produções que vão além da música, dos livros e dos shows de TV milionários. Produtos com conteúdo, já que boa parte desses filmes tem uma forma própria de abordar a fé cristã colocando a prática do cristianismo em primeiro lugar.

“Inception” vs “The Social Network”


Tem ano que o cinema é realmente fraco! Em 2008, por exemplo, saíram muitos filmes bons, blockbusters bacanas, mas nenhum filme daqueles que entra pra história, marca uma geração, muda tudo em Hollywood! Talvez “The Dark Knight”, que já abocanhou mais de 1 bilhão de dólares nas bilheterias pelo mundo. Já 2009 foi o oposto: “Avatar” e uma série de grandes outros sucessos destruidores como o segundo “Transformers”, o terceiro “Era do Gelo” e o sexto Harry Potter, estão entre os 25 filmes de melhor bilheteria de todos os tempos.

Mas esse ano a coisa realmente ficou excelente para os grandes produtores do cinema americano. Se não bastasse a moda 3D, grandes histórias e enredos fantásticos, mesmo os baseados em histórias reais, tem transformado a briga pelo título de melhor filme do ano, no mínimo, emocionante.

“Toy Story 3” e a “Alice” de Tim Burton já estão entre os 10 mais lucrativos de todos os tempos. O quarto “Shrek”, o terceiro filme da saga “Crepúsculo” e o segundo “Iron Man” também já tiveram arrecadações de respeito. Mas os grandes filmes mesmo de 2010 são, sem dúvida, esses dois do título acima. Os mais fortes candidatos ao Oscar no próximo ano, se não houverem marmeladas daquelas…

Inception (2010)

 

 

 

Inception, com Leonardo DiCaprio
"Inception"

 

 

 

 

Com o título “A Origem”1, no Brasil, a ficção escrita e dirigida por Christopher Nolan invade o mundo dos sonhos de uma forma nunca mencionada antes. O elenco é encabeçado por Leonardo Di Caprio e conta com o figurão Michael Caine, além dos excelentes Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page e Ken Watanabe que, mesmo como coadjuvantes são super bem aproveitados na trama.

Com mais de 800 milhões de dólares arrecadados nos poucos mais de 5 meses em cartaz, o sci-fi action tem no seu enredo confuso o maior apelo. A trama envolve viagens pelo mundo dos sonhos, roubos e inserções de ideias, disputas comerciais a nível internacional e, claro, um caso mal resolvido de romance.

Óbvio que o fato do protagonista ser Di Caprio ajuda bastante. Confesso que eu tinha um pé atrás com o rapaz desde Titanic (e nessa época eu já tinha visto uns 4 ou 5 filmes com ele sempre no mesmo nível), mas de filmes como “Os Infiltrados” pra cá, tenho gostado cada vez mais da atuação dele. Posso dizer tranquilo que o cara é dos meus atores favoritos (talvez junto com Russel Crown). Pra filmes de ação desse gênero (inteligentes), é o melhor.

O problema foi que a mídia falou tanto desse filme, meus amigos e mais um monte de críticas em blogs por aí, que acabei enrolando muito pra decidir ir ver. E me arrependi disso. Valeu cada segundo parado diante da tela curtindo a trama maravilhosamente entrelaçada de Nolan. Um filmaço que, certamente, entra naquele rol que citei antes.

The Social Network (2010)

 

 

 

The Social Network
The Social Network

 

 

 

 

Narrando a história da criação do Facebook, um dos maiores casos de sucesso na Era Digital, o filme acompanha o estudante Mark Zuckerberg e seus sócios/amigos naquilo que geralmente é associado ao “sonho americano”: uma grande invenção, fama, rios de dinheiro, sexo e drogas e os problemas na justiça.

Lançado em outubro desse ano, demorou um pouco pras cópias chegarem às salas brasileiras. Por aqui acabou ganhando o nome fiel “A Rede Social”, um caso raro. Mas o sucesso foi instantâneo, talvez por que a moda Facebook está pegando agora, aqui pelas terras tupiniquins. Lá fora o sucesso não foi assim tão grande. A arrecadação custou a chegar nos 100 milhões de dólares, pouca coisa mesmo pra um filme de 50 milhões. Mas uma história real, bem adaptada, que mostra o que acontece por trás dos panos e os verdadeiros problemas de caras com mentes excepcionais.

O estilo do filme me lembrou muito o “Pirates of Silicon Valley”, aquele outro que contava a história de Bill Gates e Steve Jobs e seus impérios construídos igualmente na Califórnia. Talvez não seja exatamente um filme de entrar pra história, de arrecadar milhares de dólares nas bilheterias (até porque não é exatamente um blockbuster e nem tem um elenco tão estrelado quanto “Inception”). Mas, sem dúvida, um forte candidato a levar alguns prêmios da Academia no próximo ano.

Acabei animando assistir ambos os filmes só agora, bem recentemente. E digo valeu a pena mesmo ter ido! Sei que muita gente tem falado isso e que justamente por esse motivo caras como eu desanimam de ir ver. Mas se você é desses, não deixe que o falatório aí tire sua motivação! Os filmes estão mesmo sendo muito comentados justamente pelo tanto que são realmente incríveis. Os dois melhores filmes do ano, sem dúvida alguma!

1 – A explicação do nome do filme “Inception” no Brasil se deu por uma falta de comunicação da distribuição por essas bandas. A palavra inception pode realmente ser traduzida como origem, começo, mas no filme ela está ligada outro significado, o de inserir, absorver (no caso, a ideia).

Tropa de Elite, osso duro de roer…


Tropa de Elite
Osso duro de roer
Pega um pega geral
Também vai pegar você

Quando o hit começa a tocar, não tem jeito: toda a platéia se manifesta ou cantando junto, ou batendo as mãos acompanhando o ritmo, ou se mexendo, balançando a cabeça… Provavelmente foi assim que Tropa de Elite 2 foi recebido na maior parte dos cinemas brasileiros! E foi assim ontem, na sessão em que eu estava, lotada, em plena quinta-feira, já na terceira semana de exibição do filme que deverá ser, de longe, o maior sucesso nacional de todos os tempos.

Tropa de Elite 2: O inimigo agora e outro
cartaz promocional do filme Tropa de Elite 2

Seguindo o mesmo caminho de seu antecessor, Tropa 2 mostra os bastidores das operações do Batalhão de Operações Especiais, o BOPE, que ficou popular após o primeiro filme. Apelidados de caveiras, os membros do grupo são treinados para agir como uma força tarefa na guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro. Na trama do anterior, o então Capitão Roberto Nascimento (Wagner Moura), é o responsável pelo treino e por parte das ações táticas desse time de “super-policiais”. Com um apelo fortemente voltado para a violência, tratando dos traficantes e demais bandidos com pouquíssima cordialidade (e muita pancadaria), o filme ganhou a simpatia do público brasileiro, cansado de ver esses criminosos saírem impunes, e extasiados de vê-los pagando pelos pecados… Mesmo que de uma forma nada justa, e às vezes demasiadamente cruel!

Wagner Moura
Coronel Nascimento (Wagner Moura) em ação

O segundo filme vai na mesma linha, porém explora mais do que as operações táticas do Batalhão, indo até os bastidores do poder público, onde jogos políticos e de interesse econômico controlam até mesmo a própria polícia e sua influência nas comunidades. Enquanto o primeiro filme se baseia em uma história real, retratada no livro Elite da Tropa, escrito por Luiz Eduardo Soares, a sequência tem roteiro próprio, aparentemente fictício, mas que é o fiel retrato da sociedade brasileira de hoje.

Envolvido cada vez mais pelo poder público, Nascimento se torna Coronel, se encaixa na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro e começa uma operação que, para ele, iria limpar de vez as ruas do tráfico de drogas e de toda a rede de corrupção envolvida. Mas ao invés disso, as suas ações abrem uma brecha pra que outro tipo de corrupção se instaure e tome conta das favelas, nas mãos dos próprios policiais. Assim, Nascimento percebe que sua guerra passa a ser contra as milícias: grupos de policiais corruptos que controlam os morros cariocas.

Seu Jorge e o diretor José Padilha
Seu Jorge e o diretor José Padilha

Tropa 2 conta com um elenco de peso, começando pelo próprio Wagner Moura, que volta com uma atuação impecável, assim como do filme anterior. Se no primeiro Tropa o Capitão Nascimento se tornou símbolo pela sua personalidade, firmeza e pelo seu caráter, que mesmo passando por problemas de relacionamento, se mantinha imaculado, na sequência ele se torna ainda mais empático com o público, mostrando ser ainda incorruptível, mesmo não sendo um homem exemplar!

O cast ainda tem André Ramiro e Tainá Müller, que também estavam no anterior, além de Maria Ribeiro, João Miguel, Fernanda Machado, Irandhir Santos e Seu Jorge, com uma perfeita atuação logo no começo do filme.

Tropa de Elite 2 conta não só com um bom enredo, com uma verosimilhança incrível, mas com uma produção excelente, que é de longe a melhor pra um filme produzido em solo tupiniquim. As cenas de ação são recheadas de tiros, ao molho de muito sangue, às vezes até exagerado, mas com tomadas boas, som impecável e um ensaio incrível que faz cada bala parecer mais real que a anterior. Nao me lembro de ter visto nem em filmes americanos cenas em que se sentisse tanto o impacto de um soco, um chute ou um tiro.

E é exatamente com um tiro que o filme encerra. Não vindo de um revólver, mas das palavras fortes do protagonista que fecha o filme com um discurso que no mínimo nos faz pensar sobre a nossa parcela de culpa no cenário social do nosso país. Um segundo tiro então vem, na voz de Hebert Viana, com a música “O Calibre”, que encerra o filme.

Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo
Sem saber o calibre do perigo
Eu não sei d’aonde vem o tiro

Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010)


Há muito tempo não escrevo sobre um filme aqui no blog! Mas nesse feriado prolongado, que em Curitiba é mais prolongado ainda pelo dia 8 de setembro (dia da padroeira da cidade), resolvi aproveitar a promoção da segunda-feira com ingressos a 6 reais (e 3 a meia pra estudante) e fui ao cinema. E devo dizer que entre as várias boas opções, foi difícil escolher: A Origem, Os Mercenários, O Último Mestre do Ar e vários outros. E meio que por uma escolha aleatória (na verdade foi por ter que decidir ver algum filme dublado e uma animação é sempre a melhor escolha nessas horas), acabei na sala que exibia Meu Malvado Favorito. Entre várias crianças elétricas, um som muito alto e a eterna falha da dublagem brasileira de deixar os efeitos especiais mais altos que a voz dos personagens, cheguei à conclusão de ter feito uma ótima escolha!

Uma leva de boas animações tem sido lançadas nesses últimos anos. Pra falar a verdade, desde que o primeiro Toy Story foi lançado, a Pixar e a Dreamworks tem duelado incessantemente em levar ao público histórias originais, com belíssimo enredo, engraçadas na medida certa, ótimo plano de fundo, personagens cativantes… Receita pronta e garantia de boa bilheteria! Carros, Walle, Up… Exemplos de animações que misturam perfeitamente o cômico e o drama e criam histórias cheias de lições. Não aquelas lições baratas de moral dos contos antigos, mas verdadeiras lições de valor da amizade, da ética, do cuidado com nosso planeta. Mas tudo acabou se tornando tão clichê que a coisa começou a ficar previsível…

Esse ano nenhuma animação conseguiu me arrastar para os cinemas. Cheguei a ir para ver Ironman 2, Esquadrão Classe A e Prince of Percia (todos muito bons, pra caras como eu que amam blockbusters). Mas nem mesmo o aguardadíssimo Toy Story 3 foi suficiente para me fazer sentir motivado. A explicação é uma só: a onda 3D! Eu simplesmente não suporto mais ouvir falar desse ou daquele filme, aquela cena, aquele trecho… Tudo 3D!

Tudo agora se resolve de modo fácil: um filme qualquer com uns efeitinhos 3D vira campeão de bilheteria. Não, isso não é sobe Avatar e não irei começar aqui uma discussão sobre plágios, orçamento exacerbado e uma chance de engatar uma trilogia bilionária. Eu gostei de Avatar, mas não vi 3D. Aliás, não tive coragem ainda de pagar mais de 20 reais numa sessão 3D para filme algum…

Acontece que quando vi o trailer de Meu Malvado Favorito e sua simples menção de que o personagem central da história seria o vilão, algo me pareceu tão fora dos clichês… Um vilão que no fundo não era assim tão mau. Um vilão que se mete numa trama tão cheia de boas sacadas que simplesmente não dava para não ir ver. E quase deixei pra ver outra hora. Mas foi, sem dúvida, minha melhor sessão de cinema esse ano.

Como isso aqui não é uma crítica de um site sobre cinema, não vou me ater a contar detalhes ou fazer análises detalhadas (eu larguei o jornalismo, lembram?). O roteiro do filme é simples: O temível Sr. Gru é um vilão de meia-idade que nunca engatou um grande plano maléfico. Ele é auxiliado pelo Dr. Nefário e pelos minions, pequenas coisinhas amarelas altamente viciantes de tão engraçadinhas. Em seu plano para se tornar o maior vilão de todos os tempos, Gru decide roubar a Lua. Mas ele tem um arque-rival: um jovem vilão chamado Vetor que fará de tudo para sabotar seu plano. Em meio à disputa de poder entre os dois vilões, três garotinhas órfãs, Margô, Agnes e Edith, acabam se envolvendo e são adotadas por Gru como parte de seu plano maquiavélico. As três garotinhas não só mudam toda a rotina de vilania de Gru como acabam amolecendo seu coração e dão outra direção aos planos do malévolo.

Na dublagem brasileira, apesar de todos os ‘ senão’ que sempre me aborrecem (como o som exageradamente alto dos efeitos de explosões que se sobrepõe às vozes, por exemplo), há sempre uma enorme vantagem: sobra tempo para se ver os detalhes das cenas… Aqueles detalhes que se perdem quando temos que prestar atenção nas legendas. E nas animações esses detalhes são fundamentais. Em Meu Malvado Favorito então, elas são o ponto em que está toda a graça. Não dá pra perder um minuto sequer dos minions em cena.

Confesso que me apaixonei pelas boas gargalhadas do garotinho de uns 2 anos que estava ao meu lado e que isso me fez repensar o estar ali no meio daquela criançada (eu já disse que era a sessão das 22 horas e que estava lotado de crianças e pais?). Nunca tive problemas com crianças. Na verdade, eu gosto bastante e sonho muito em ter meus próprios filhos. Mas pra ver filme, sempre preferi o silêncio. Às vezes até prefiro ver sozinho em casa… Mas de alguma forma sentia falta de ouvir essa euforia infantil. Me fez me sentir um pouco mais velho, mais adulto, e pensar bastante numa série de coisas importantes.

O filme em si também é uma enorme lição, como tinha que ser. Enquanto se aproxima das meninas, Gru vai aos poucos percebendo a importância das crianças em sua vida. Aquele seu lado durão, de grande vilão do mau, vai aos poucos cedendo ao cara bom que ele na verdade era. A doçura das meninas, o jeito como aos poucos elas começam a se identificar com ele, e como o lado paternal dele vai aos poucos se mostrando, põe em cheque toda essa cultura que temos vivido em que as próprias crianças tem se tornado cada vez mais adultas e como o mundo delas tem ficado tão parecido com o nosso.

Acho que já deu pra perceber que o tema aqui não é bem o filme em si, não é? Por incrível que possa parecer, assistir à essa produção me fez pensar demais e refletir sobre como tem sido nossa relação com nossas crianças. As três garotinhas do filme são exatamente como as crianças tem que ser: carentes, bagunceiras, querem atenção, querem companhia para brincar, querem alguém para contar histórias, querem um adulto para ser exemplo em suas vidas. E quando acham em Gru esse alguém, as meninas começam a moldar a personalidade dele para que ele seja esse referencial.

Faço essa crítica me colocando na posição de adulto. Talvez seja a primeira vez que vejo a mim mesmo dessa forma, como responsável pela formação do caráter das crianças, como referência pra elas, como alguém que pode se exemplo de como fazer o certo… E o que nossa sociedade tem sentido mais é uma enorme carência disso. Nós temos sido os malvados favoritos de nossas crianças, que acabam nos imitando e sendo tão más quanto nós. Nas corrupções que tanto gostamos de apontar, esquecemos de falar daquelas que estão no nosso dia-a-dia e que nossas crianças têm aprendido.

No fim do filme, Gru se torna um herói. Não vou contar como para não estragar tudo, mas vale a pena dizer que o fim do filme é o final perfeito de uma lição que deve permanecer não só nas nossas risadas durante o filme, ou nos comentários e críticas dos jornais. Essa lição é daquelas que deve começar um diálogo que dê origem a uma mudança de pensamento. Eu quero ser exemplo para nossas crianças. Não de um malvado legal, mas de uma boa pessoa, com boa índole, honesto, responsável. E quero que meus filhos vejam em mim esse tipo de pessoa e aprendam a ser assim. Quem sabe no futuro eles também não sejam capazes de mudar a sociedade simplesmente agindo diferente?

Pra fechar, deixo aqui uma amostra do filme, para você que talvez ainda não tenha assistido. Confira o trailer de Meu Malvado Favorito:

PS.: Acho que nunca achei tantos sinônimos para mal, maldoso, maléfico e etc.

The Matrix – 10 anos


Desde o começo desse ano que estou programando esse post e ele nunca saía. Por mais incrível que possa parecer, acho extremamente difícil falar sobre “The Matrix” sem me deixar levar por devaneios, emoções diversas e muitas outras coisas mais. Por isso procrastinei enquanto deu. Porém, não dava pra fechar o ano sem escrever sobre o filme que, pelo menos pra mim, foi o mais importante de todos os tempos na história do cinema.

Cartaz publicitário do filme

Há pouco mais de dez anos, precisamente no dia 02 de abril de 1999, estreava nos cinemas americanos o que viria a ser um dos maiores sucessos da história do cinema. Contestado, discutido, plagiado e fonte de inspiração pra tantas obras mais, “The  Matrix” (no Brasil simplesmente “Matrix”) surgiu com um conceito totalmente novo para filmes de ação. Mas não só isso, toda a cenografia, os diálogos altamente filosóficos e os conceitos e ideais transmitidos no filme se tornaram um marco.

A história narra a saga de Thomas A. Anderson (Keanu Reeves), um homem que vive, do lado de fora dos computadores, a vida de um pacato programador de uma grande empresa. Do lado de dentro ele é Neo, um perigoso hacker procurado pelo FBI. O que o jovem de cabelos escuros não sabe é que nada nessa vida que ele vive não é real.

Durante o filme, ganhador de 4 Oscars, somos levados à um futuro onde homens e máquina duelam pela sobrevivência numa guerra que dura aproximadamente há dois séculos. Neo conhece a verdade sobre esse mundo conduzido por Morpheus (Laurence Fishburne), um dos principais hackers do que ele chama de ‘A Matriz’ (na versão brasileira, mantiveram o nome em inglês Matrix), um sistema criado para aprisionar os seres humanos e gerar a energia que alimenta as máquinas. Dentro desse sistema, os humanos são levados a crer que vivem no mundo real por um mecanismo que prende suas mentes virtualmente. Do lado de fora, uma verdadeira guerra acontece entre os humanos que se libertaram da Matriz e as máquinas. Segundo Morpheus, Neo é O Escolhido (The One) para acabar de vez com a tal guerra. Uma espécie de messias, ou o cumpridor de uma professia.

“The Matrix” coloca em cheque uma série de conceitos sobre o real e o imaginário, traz à tona ideias que vem de Platão (o Mito da Caverna), se misturam com mensagens do budismo e cristianismo, com previsões de um futuro governado por máquinas (a la Isaac Asimov) e um cenário underground típico de aventuras sci-fi (ficção científica). Exatamente por essa mistura de dar medo é que o filme fez tanto sucesso, foi tão criticado, tão visto e fez um tremendo estardalhaço.

Agentes

Nos anos seguintes, muita coisa no cinema mudou devido ao uso das tecnologias adotadas primeiro pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, diretores, produtores e roteiristas da trilogia que se formaria em seguida. The Wachowskis (como são conhecidos desde a mudança de sexo de Larry, agora Lana) são fãs de tudo o que tem a ver com cultura pop, desde Tolkien até mangás, passando por kung-fu, bang-bang e outras coisas nerds. E exploram tudo isso o tempo todo em “The Matrix”.

O filme foi não só uma sensação nos cinemas, mas fora das salas, originando uma franquia similar à de “Star Wars” ou “Star Trek”, tão idolatrada como elas. Jogos para PC (“Enter the Matrix”), bonecos de brinquedo, sátiras, adaptações e até uma inusitada continuação em versão animé (“Animatrix”, lançado em 9 episódios em desenho animado no estilo oriental) apareceram. “The Matrix” também serviu para alavancar a carreira dos protagonistas Keanu Reeves e Laurence Fishburne, além de lançar vários outros atores ainda desconhecidos do grande público como Carrie-Anne Moss (Trinity) e Hugo Weaving (Agente Smith).

Keanu Reeves como Neo em "The Matrix Reloaded"

Keanu Reeves, inclusive, vinha de bons momentos anteriores com o sucesso de filmes como “Advogado do Diabo” (“The Devil’s Advocate”, 1998) e “Velocidade Máxima” (“Speed”, 1994). Mas só depois de “The Matrix” passou a ser considerado ator de primeiro escalão em Hollywood. De lá pra cá o ator perticipou de outros 18 filmes, quase sempre como personagem principal. No próximo ano Reeves deve lançar mais dois trabalhos (“47 Ronin” e “Henry’s Crime”).

Se você ainda não viu “The Matrix”, é bem provável que você terá que ver. Se não por obrigação de escola, pelo menos pra você conhecer um dos filmes que se tornou um clássico e que será comentado por pessoas como eu por muitos e muitos anos. Uma boa forma de começar e vendo o trailer do filme. Divirta-se!