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O rock brasileiro não está vivendo do passado


Em resposta à Ricardo Alexandre em seu texto “O futuro do rock brasileiro não virá do passado”.

Certo autor resolveu falar sobre o que ele pensa do rock brasileiro. Concordo em partes com o que ele escreveu, na matéria que segue no link acima. Mas faltou muito nessa análise e gostaria de tecer também meus comentários.

O Brasil se orgulha de sua música. Principalmente aquela que considera “música popular brasileira”. Mas faz mais questão ainda de ressaltar que é a terra do samba, do axé, do pagode e do sertanejo. Pelo menos é assim pra grande mídia que leva ao “povão” o que será o próximo sucesso nas rádios (e na tela das TVs também). Não é de se espantar que por aqui o rock fique em segundo plano. Afinal, não é fruto de terras tupiniquins. Veio de fora, da gringa, com ares de importado. Aí fica difícil você querer que o nosso rock seja realmente rock, e não uma mistura de pop, com música “romântica” (termo que o próprio autor usa no seu texto), e um pouco de “sou rebelde”, mas nem tanto. Tudo isso pra ser mais comercial, mais ouvível pra uma massa que prefere as letras pobres e sujas do funk às letras inteligentes e sagazes do rock.

No texto, Ricardo Alexandre cita Pitty como uma das remanescentes do rock no Brasil
No texto, Ricardo Alexandre cita Pitty como uma das remanescentes do rock no Brasil

Quem realmente se prestou a fazer algo diferente, rock ‘n’ roll mesmo, acabou tendo vida curta. Pouco restou das bandas de rock dos anos 1970 e 1980 que chegaram ao mainstream e, nesse processo, o nosso rock ganhou suas próprias características. Não ficou muito com cara do rock americano. Anos mais tarde chegariam aqueles que são os últimos remanescentes do rock, rock mesmo. Bandas como Engenheiros do Havaí, Titãs e Ultraje a Rigor, frutos do rock pós-ditadura, tinham realmente correndo nas veias o sentimento de fazer do rock o meio para filosofar, politizar, criticar. Mas o tempo passou também pra esses caras. E durante boa parte da década de 2000, ninguém sabia fazer nada de diferente do que vinha lá de fora. Era só imitar alguma banda da MTV americana e pronto; voilà. Por muito anos tudo que o rock brasileiro sabia fazer era buscar em algo contemporâneo o meio de chegar rápido ao estrelato.

Mas eis que vieram novos tempos e gente que sabia fazer algo diferente e finalmente deixaram de lado os cabelinhos partidos sobre a testa e roupas pretas. Nem coloridas demais. Demorou, mas vieram os que buscavam outras referências.

No texto o autor cita Malta, a banda que chegou aos holofotes e atraiu a atenção de todos recentemente. Uma banda que faz um som que foge do padrão nacional, mas que lá fora já é comum há tempos (vide Chris Daughtry). Em outro texto do mesmo autor, aparecem também os caras do Suricato. Ambas vindo do mesmo Superstars da Rede Globo. Nenhuma das duas bandas traz nada de novo. E nisso sou obrigado a concordar com o autor. Mas Malta é uma banda que sim, se baseia em algo contemporâneo (e isso o autor não diz; não é o que ele reclama?). Não é rock? Bom, depende do que é rock então, afinal de contas. É o que a massa chama de rock, querendo ele ou não. Mas é claro, são dois exemplos vindos da própria mídia; a mesma que muitas vezes tenta mostrar que rock não tem vez no Brasil, inundando cada vez mais sua programação com sertanejo, axé… Porém, foram as duas bandas que valeram a pena ver no tal programa. Estaria a mídia errada sobre o que o público brasileiro realmente quer ouvir e ver?

O é engraçado que o autor do texto finaliza com um corte bem seco e para por ali análise que ele faz. E mais engraçado ainda é pensar que ele citou Brasília e São Paulo apenas como as cidades de onde deveriam estar vindo coisas boas. Pera lá! Nem de longe o nosso rock é só Brasília e São Paulo. Já foi assim no passado, na época de Legião Urbana, Capital Inicial e Os Paralamas do Sucesso. Mas há muitos Jota Quest, Skank e outros surgiram em terras mineiras. Depois vieram as bandas gaúchas, e até mesmo a baiana Pitty (que eles mesmo cita como uma das últimas representantes do rock brasileiro). Hoje, vejo o som do rock nacional muito mais pautado pelo sul, principalmente por Porto Alegre. E talvez ainda um pouco de Belo Horizonte.

Se você realmente quer falar de futuro do rock brasileiro, eu te falo de Tanlan, Palavrantiga, Tópaz e outras tantas que há tempos olham para o passado para buscar referências, mas também para a atualidade, pra saber que tipo de sonoridade fazer. São contemporâneas. Aliás, mais contemporâneos, impossível. E, por sinal, não são nem de São Paulo e nem de Brasília. Tem influência de anos 1960, 1970 ou 1980? Pode até ter, mas que rock não tem? Afinal, foi nessa época que o rock se tronou tão importante.

Os gaúchos da Tanlan são prova de que tem gente fazendo algo de diferente no rock nacional
Os gaúchos da Tanlan são prova de que tem gente fazendo algo de diferente no rock nacional

O que falta é a indústria musical parar de olhar para os chavões da mídia, e olhar pra quem tá no underground, nas garagens. Tem muita gente fazendo algo olhando pro futuro, só que ninguém olha pra eles. Tem muita coisa de qualidade sendo feita em território brasileiro. Tem muita coisa por aqui que não é meramente cópia de astros do rock dos anos 1970, mas também não é só imitação o que tá rolando na mídia lá fora. E muitas dessas bandas simplesmente desaparece por falta de apoio. Por falta de chances de aparecer.

Fora da mídia tem muita coisa rolando e só os poucos que procuram, acham. O YouTube é, de verdade, o lugar pra se achar coisas interessantes e novas. Talvez, procurando um pouco mais, dá pra achar também no Palco MP3. Muito do que eu escuto de rock nacional veio de lá. Tem muito rock sendo feito aqui com boa produção, boas letras, boas referências de qualquer tempo e com excelente perspectiva de futuro. É só parar de querer buscar nos holofotes da mídia, onde eles não estão.

VAI TER COPA!


Torcer para a seleção não tem nada a ver com patriotismo. Eu amo sim meu país. E também sou inconformado com toda a injustiça e má administração pública que há nele. Já escrevi sobre isso outras dezenas de vezes e continuo com minha opinião de que as coisas precisam mudar. Mas o futebol nada tem a ver com isso. Os problemas políticos são políticos. É claro que a Copa do Mundo não pode mascarar isso. Mas lutar contra ela também não te faz ser mais patriota. E também não faz com que as coisas melhorem.

É fácil fazer barulho agora. Assim como foi fácil fazer barulho ano passado durante a Copa das Confederações. Depois tudo passou e muito pouco mudou de fato. Agitar, se levantar contra um evento esportivo, cobrar de atletas aquilo que não compete a eles e fazer de uma manifestação pública um ato de vandalismo, são o tipo de coisa que faz muito menos de você um patriota do que ir à um jogo da Copa do Mundo. Sou a favor de protestos sim. Sou a favor das manifestações também. Mas acredito que elas tenham hora e lugar e, além de tudo, objetivo. Quebrar e incendiar as coisas, principalmente as de quem luta para construir isso com muito esforço e nada tem a ver com a corrupção na política, não resolve nada. E esbravejar contra a seleção, também não.

Eu torço pela seleção porque minhas primeiras memórias da minha infância passam pela Copa de 94. De estar sentado com meus pais e meus irmãos na frente da TV, todos de verde e amarelo, torcendo, vibrando… Passei ótimos momentos assim com meu pai, antes de sair de casa, falando sobre futebol, vendo os jogos da seleção e do Cruzeiro. E mesmo agora, quando vou visitar minha família, ainda temos esses momentos. É um tempo de conversa despretensiosa, de estar juntos, de torcer, brigar, de curtir o estar em família. Foi assim em 94, 98, 2002 e 2006. Em 2010, pela primeira vez, estava fora de casa durante a Copa e, confesso, não foi a mesma coisa. Não tem a mesma graça ver longe da família e dos amigos. Mas esse clima em época de Copas, as festas, as ruas enfeitadas, tudo isso me trás à memória lembranças muito boas.

vai-ter-copa

Esse ano novamente estarei lá em boa parte dos jogos, ao lado da família, relembrando tudo isso, tudo o que remete à minha infância. E torcendo mais uma vez pela seleção. Não por que não sou patriota e não me importo com os problemas do meu país. Nem por que acho que tá tudo bem do jeito que está. Mas porque pra mim Copa do Mundo é isso, é estar com pessoas com quem eu me importo e festejar juntos uma vitória, uma conquista. Mas também é algo que não vai resolver os problemas do país. O importante aqui é lembrar que depois do jogo os problemas continuam e que a situação ainda sim vai precisar de mudanças. O que não dá pra deixar acontecer é ver a seleção ser campeã em campo e depois votar como se tudo estivesse bem. É isso o que realmente precisa ser evitado.

A diferença pra mudar o rumo do país a gente tem que fazer depois, nas urnas. E enquanto isso continuo meu patriotismo todos os dias, me importando com os problemas do país e tentando, do meu modo, fazer a diferença com meu trabalho, com meu voto e com minhas atitudes no dia-a-dia. E torcendo pela seleção, porque, sim, vai ter Copa. E eu faço questão disso.

Feriado Nacional


Parte A

É… As eleições estão aí! E como todo ano eleitoral, as disputas acirradas, os debates, as conversas afiadas, as discussões do bar, as palavras esquentadas no trabalho… É como discutir futebol! Para o brasileiro, não é só uma questão de gosto ou opinião: é uma questão de honra! Chega a ser passional! “Futebol, religião e política não se discute!”, diz o ditado.

Toda essa briga entre PT e PSDB não é nova pra nós brasileiros. De fato, nos últimos dezesseis anos essa briga foi uma constante. Vimos de um período de 8 anos de governo de um partido e outros oito do partido oposto. Foi tempo mais do que suficiente para conhecer como é o governar de cada um, seus prós e contras, suas vantagens e desvantagens. Foi tempo em que observamos políticas e politicagens acontecendo, percebemos o poder das influências nos mandos públicos e, talvez o mais importante, notamos que não há tanta diferença assim entre o governo e a oposição, entre a direita e a esquerda, entre os elitistas e os populares. Burgueses ou oligarcas, todos governam para si, não para o povo. E assim as coisas são desde a Revolução Francesa.

Não, meu caro, eu não vou fazer campanha política aqui e não vou tentar te fazer votar neste ou naquele partido, mas espero levantar questões de extrema relevância para a sobrevivência do nosso direito de voto, da nossa democracia verdadeira.

A democracia consiste em dar poder ao povo para decidir o rumo de sua própria história. Através da eleição dos governantes, nós colocamos sobre eles o direito e o dever de zelar pelo nosso bem, pela condução de nossas vidas no que diz respeito à vida em sociedade. Na verdade, cada um é responsável por si. Cabe ao governo zelar por aquilo que é de todos, de direito de todos. Do dever de todos, cuida a justiça. Saúde, educação, trabalho, segurança e sustento: nisso consiste a responsabilidade do governo. Se o governo provê essas coisas ao povo, é um bom governo. Se não as provê, é um governo falho. Muitas vezes, não é possível ao governo sozinho manter a população com todos esses direitos. Temos diversos países que não são capazes de se manter, infelizmente. Outros têm de sobra e fazem bem feito o papel de cuidar (e de colocar nas alturas o IDH de seu povo).

"Amanhã vai ser outro dia!"
Manifestantes vão às ruas pedir as eleições diretas para presidente

Mas por democracia também se entende o direito de mudar o rumo das coisas quando elas não vão bem. Um exemplo claro disso foi o Impeachment do ex-presidente Fernando Collor, deposto de seu poder pela manifestação do povo e pelo mover que isso causou na política do nosso país. Vale lembrar que esse movimento não foi o primeiro a mudar as coisas. Anos antes, o povo foi às ruas clamando pelas eleições diretas para escolha de seus governantes e suas “preces” foram atendidas. Isso também é democracia.

Aristóteles foi o cara que disse pra todo mundo o quer era democracia
Aristóteles foi o cara que disse pra todo mundo o quer era democracia

Democracia é também ter consciência do que se está fazendo. Nesses dois exemplos dados acima, o povo foi conduzido por mentes pensantes que conscientemente mobilizaram uma ação nacional que culminou nas mudanças da nossa história. Por trás dessas mudanças havia homens influentes, capazes de arrebatar as multidões ao seu lado e fazer toda a nação lutar ao seu lado.

Se na nossa história não há muito do que se orgulhar, nem no nosso “Descobrimento”, nem nossa “Independência”, muito menos na “Proclamação da República”, que nada mais são do que motivos para ganhar uma “folguinha” no meio da semana, temos muito do que encher nosso peito e comemorar o dia em que ganhamos direito de votar, de decidir nosso futuro. Esse dia, sim, deveria ser um Feriado Nacional!

Tendo isso em mente, quero te convidar a analizar o modo como você está usando o seu direito. Está votando passionalmente, baseado em fatos divulgados pela imprensa brasileira, tão tendenciosa e parcial quanto a maior parte da imprensa mundial, mas incapaz de assumir isso, ou está votando com consciência, sabendo que sua opinião, seu voto, é capaz de mudar o rumo dos acontecimentos?

Se você está insatisfeito com toda a corrupção, com toda a falta de caráter com que temos sido governados nos últimos anos (ou em toda nossa história), é a hora de se manifestar. Ou se você acha que o Brasil nunca esteve melhor e que nunca antes na história do nosso país as coisas andaram tão bem, faça valer seu voto pela continuidade, pela manutenção do poder vigente. Ou se você acha que está na hora de uma grande mudança, de uma radical transformação, do tipo água para o vinho (ou do capitalismo para o socialismo, para ser mais direto), levante sua voz, sua bandeira, mas vote sabendo no que você está votando. No final, mais do que um chavão, você é quem decide quem leva a faixa presidencial.

Parte B

Eu sempre me considerei um cara de direita. Um capitalista nato. Afinal, eu faço parte do grupo da sociedade que provoca o consumo, que estimula, que aguça a massa. Desde meus tempos de vídeo-game, anime e futebol, sou, antes de tudo, consumidor! E um professor esse ano me fez ver isso muito bem. Antes de sermos cidadãos, somos consumidores! Sei que isso pode soar muito controverso depois de tudo o que já escrevi na primeira parte desse texto, mas creio que, pelo modo como vivemos na nossa sociedade, foi nisso que nos tornamos.

Como consumidores, nós temos o hábito de escolher o melhor, de encontrar o produto que melhor nos agrada e usá-lo do jeito que achamos melhor. Mas quando o produto não oferece o que promete, reclamamos nossos direitos de consumidores, com toda a razão. Na política também tem sido assim. Compramos nossos governantes pelos seus anúncios, escolhemos o que nos parece melhor e quando ele não funciona direito, reclamamos do produto.

O que nós esquecemos é que um produto é fabricado por alguém e pode ter falhas na sua produção. Quando essas falhas acontecem, a culpa é do fabricante, claro. Ele é responsável por corrigir, fazer a troca, repor, consertar, ou seja, fazer o que for necessário. Mas quando o político não funciona, a quem reclamamos? Como já citei, temos ao nosso lado a própria lei que nos permite retirar do governo um mau governante. Mas poucas vezes ousamos fazer valer esse direito.

Mas como consumidor, tenho visto cada vez mais que minha obrigação de cidadão tem ficado de lado e que nosso compromisso com a própria sociedade é fazer valer nosso poder de voto, pelo bem do nosso povo. E como consumidor, tenho visto que a péssima qualidade dos produtos à nossa disposição na política tem desanimado muitos outros consumidores de consumir. A própria corrupção tem afastado o povo da democracia. Aí se percebe a falha do sistema.

Como cidadão, vejo que é hora de mudar o próprio sistema. Na época de escola nós aprendemos o que é um sistema de governo. Há alguns anos nós tivemos a oportunidade de fazer essa mudança e votamos por manter o sistema presidencialista. Na época eu, ainda com 7 anos de idade, vi meus meus pais votarem no sistema parlamentarista que ainda hoje, 18 anos depois, creio ser o sistema ideal.

Cavalo Preto x Cavalo Branco
Às vezes parece um jogo de estratégia essa coisa de direita versus esquerda

Se nosso sistema econômico é capitalista, acho pouco provável uma mudança para o socialismo. Não que eu considere o socialismo utópico, pois acho que é possível que ele funcione, se primeiro o povo for conscientizado. Mas antes nosso povo precisa ver o governo como ele deve ser, ou adotamos um sistema anarquista de vez. Perceba que não estou falando dos conceitos distorcidos de socialismo e anarquismo, mas de suas ideologias originais. Inclusive, como cristão, não posso deixar de mencionar o exemplo bíblico que sugeria uma sociedade socialista – nos moldes cristãos – e anárquica, uma vez que não tinha presença de um governo entre eles, mas líderes que conduziam conscientemente o povo. Essa seria a sociedade ideal. Porém, muito precisa acontecer até que se chegue lá.

Acho engraçado ver, de verdade, um enorme levantar de vozes no meio cristão, principalmente protestante, de muita gente que tem zelado por uma nova cultura cristã, por uma maneira de pensar tão diferenciada, tentando impor um voto comum a todos e colocando determinada candidata quase como que obrigatória aos “fiéis”. Não creio que o caminho seja bem esse. Nem creio que eleger um candidato socialista vá mudar a consciência do povo. E muito menos creio que eleger a manutenção de qualquer um dos governos dos últimos 16 anos seja a saída.

Peço, encarecidamente, a você eleitor, cidadão brasileiro, como uma pessoa consciente de seu dever, tendo em mente a democracia e o poder de sua escolha, sabendo do real significado desse poder, que você não vote simplesmente como consumidor. Que você não vote passionalmente. Que você não vote com o coração (como muitos andam apregoando por aí), mas com a razão. Vote escolhendo de verdade o que você quer para o futuro do nosso país. Vote não na história dos candidatos, pois a história das pessoas muda. Vote não no passado, ou nas promessas de futuro que nós todos sabemos que poucas serão cumpridas. Vote no presente, no que cada um tem feito de verdade, no que cada candidato tem demonstrado. Vote no caráter. Seja deputado, seja governador ou presidente. Seja nas próximas eleições, escolhendo o vereador da sua cidade e o prefeito. Seja nas escolhas da sua comunidade. Escolha com sabedoria! Faça jus ao seu direito de escolher quem será autoridade sobre sua vida! Sua escolha é que decidirá quem irá decidir daí em diante por você!

Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor…


em resposta ao post Soy Argentina! (Até nos comerciais), no Falando pras Paredes.

Caro Alexandre Silva, amigo, parceiro, ilustre colega,

você sabe que sou cruzeirense… Que fico chateado com uma derrtota, que fico pra baixo, com raiva do time quando perde uma final de Libertadores, que apelo… Mas que continuo sendo cruzeirense!! O mesmo vale pra seleção! Perde umas, ganha outras, joga feio, mas joga, tá em campo… Mesmo com Dunga no banco, o time tá lá!! E mesmo em péssima fase, vence a Argentina vez após outra, assim como Cruzeiro e galo (só pra alfinetar, hehehe)!!

Camisa da seleção brasileira
Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor...

Sou brasileiro! Não dá pra simplesmente virar as costas e dizer “ah, vou torcer pra Itália”, ou pra França (como um amigo meu por aí), ou pra Argentina (como muitos brasileiros fazem)!! Pergunta lá na Argentina quantos deles torcem pro Brasil? Quantos torcem pra Alemanha? Não tem… TODOS torcem pra seleção do país deles… Agora, no Brasil, a moda é ser do contra… É torcer contra!!

Por isso, gente como você, que é torcedor de vibrar, de exigir raça, de querer ver os caras suarem a camisa, que a manchem com sangue, acaba torcendo pra maior rival da nossa seleção ao invés de torcer com orgulho pro único país pentacampeão mundial! Aí, sobram umas merrecas de torcedores de meia tigela, de jogadores de meia tigela, de técnicos de meia tigela…

Claro que tem muita gente que tira proveito de ano de Copa! As Eleições Gerais do nosso país são em ano de Copa! Eu até arrisco dizer que é propositadamente! O brasileiro tem mesmo memória curta e, quando a Copa vem, muita coisa fica no passado. Isso é verdade! Mas não justifica dizer que o brasileiro só torce pra seleção em ano de Copa! O brasileiro torce 24 horas por dia!  Pelo Flamento, pelo Corinthians, pelo Atlético Mineiro (como o senhor o faz). Assim como o torcedor argentino torce pelo River Plate, pelo Boca Juniors, pelo Estudiantes… E não torcem o tempo todo pela seleção deles! Essa é uma desculpa esfarrapadíssima!

Se for pelo bom futebol, eu também gosto da Holanda!! Sempre torço pros caras irem bem e acho uma tremenda injustiça os caras não terem um título mundial sequer!! A seleção desse ano tá jogando bonito! Wesley Snejder, Arjen Roben, Rafael van der Vart… Se esses caras entrarem em campo com tudo, a Holanda vai longe!! Também gosto dos espanhois, apesar da fama de ‘amarelões’ que eles tem!! Afinal, os caras são os atuais campeões europeus (e se você bem lembrar, eu avisei com 2 meses de antecedência que eles levariam o título)!!

Mas nada disso me faz deixar de vestir a camisa amarela, com 5 estrelas no peito (nenhuma referência às outras cinco estrelas aqui)!! Vou torcer pra ver grandes jogos!! Pra ver, nas Oitavas, o bom futebol mundial desfilando nos campos sul-africanos… Pra poder ter jogos como Argentina x Inglaterra… Espanha x Portugal… Itália x Brasil… Holanda x Alemanha… Já pensou que grande Copa seria essa?

Mas no final, na Final, quero ver a MINHA seleção levantar a taça! Quero ver o MEU país campeão! Quero ver o MEU povo, a MINHA nação se orgulhar de, mesmo sendo um dos países com pior índice de analfabetismo, sendo um dos IDHs mais medianos do planeta, mesmo com toda a injustiça social, mesmo com a corrupção política, mesmo com a pouca vergonha das lideranças religiosas, mesmo com os baixos salários, mesmo com as tragédias naturais que assolam norte a sul o nosso Brasil, pelo menos em uma coisa podermos bater no peito e dizer que somos os MELHORES do mundo!

Isso não é ser brahmeiro!! Eu não sou brahmeiro! Eu nem bebo… Um comercial não põe na tela os meus sentimentos!! Não expõe o sentimento de, pelo menos, 90% do povo que torce pelo NOSSO país!! O comercial da Quilmes (que exalta a paixão dos argentinos, publicado no seu blog) é sim bonito!! A torcida argentina é bonita de se ver, é contagiante, é empolgante… Mas é argentina!! E, como brasileiro, como apaixonado pelo futebol, pelo futebol do meu país, eu não torço pra Argentina! Eu torço pelo Brasil!

Eu não sou brahmeiro! Mas sou guerreiro! Sou guerreiro como todo brasileiro é! Como todo cidadão sofrido desse país é! Não por causa de um comercial que tenta explorar o ano do futebol, o ano da Copa pra gerar fundos pra uma bebida que em nada tem a ver com a alegria do futebol (desde quando a gente precisa de cerveja pra ter um jogo vibrante?)…

Respeito? Aí é outra coisa. Afinal os caras tiveram, talvez um dos 5 melhores jogadores de todos os tempos… Talvez! Canniggia, Redondo, Batistuta, os campeões de 1978 e 1986 (o Passarella também tava lá). E, claro, Maradona! Se bem que, sou mais o Messi! Hoje, além dele, os caras tem Tevez, Riquelme… Eu respeito isso!

Argentina de 1978
Seleção argentina, campeã invicta em 1978, jogando em casa

No fim das contas, a torcida pode cantar mais alto, pode fazer mais bonito, pode trazer as cores mais vibrantes (eu sempre soube que você tinha uma queda pelo azul… hehehe), mas quem tem no peito a razão pra se orgulhar, com cinco estrelas conquistadas por gente como Pelé, Garrincha, Tele Santana, Zagalo, Romário, Dunga (como jogador, um grande jogador), Ronaldo (na sua melhor fase), Taffarel, Rivaldo (também nas suas melhores épocas), Ronaldinho Gaúcho (na melhor fase da carreira do cara) e tantos outros nomes.

Eu tenho orgulho de ser brasileiro! Não brahmeiro! Não um ‘torcedor de copa’! Não por causa do nosso futebol! Mas um cidadão desse país que ama essa nação e se orgulha de vestir o verde e o amarelo!

E que esse ano, possamos comemorar não só um título mundial (que dificilmente virá), mas a celebração da união do nosso povo que, às vezes, precisa acontecer também através do futebol!

Abraços!

Luisim


Havia um homem chamado Luisim. Homem humilde, trabalhador, daqueles que sofriam a cada dia para ganhar seu salário e viver como dava. Luisim era, contudo, um homem observador, do tipo que analisava tudo a sua volta. Certo dia Luisim voltava de seu trabalho e viu de longe homens em seus carros de luxo, saindo de um palácio como dos contos de fada e ali começou a observar o modo como as coisas aconteciam no mundo. Como os homens poderosos e os políticos agiam, mandavam e desmandavam em tudo, ocultavam suas ações, fingiam não saber de nada. Os grandes lucravam e os homens como ele lutavam para conseguir sustentar sua casa e sua família. Luisim observava tudo isso e pensava consigo mesmo: “É tudo culpa de homens como esse; poderosos e políticos que só pensam em si. Por causa deles o Brasil não muda. Um dia eu vou estar no lugar deles e então fazer algo para melhorar o país”.

Luisim ficou por muito tempo refletindo sobre essa situação e, numa bela tarde após seu trabalho, juntou alguns amigos para discutir sobre tudo o que pensava. Os amigos de Luisim ficaram inconformados com as informações que ele lhes passava e se sentiram incomodados a agir. Luisim logo assumiu a frente de um grupo que falava aos demais trabalhadores que eles estavam sendo manipulados e deveriam fazer algo. Mas Luisim e seus amigos não tinham força suficiente para fazer nada a não ser manifestar e dizer ao povo o que pensavam. Então Luisim foi buscar apoio. Ele encontrou outros grupos que pensam como o dele e juntos debateram idéias, discutiram questões e formaram um novo grupo, maior, com uma nova visão. Luisim então era líder de um partido político.

Luisim decidiu concorrer à presidência da República e enfrentar logo de uma vez aqueles homens poderosos e os governantes. Mas a força do grupo de Luisim ainda era pequena demais. Mesmo buscando a massa, formada por trabalhadores como ele e como muitos de seu grupo. Mas Luisim ao menos fez barulho o suficiente para assustar aos homens poderosos que decidiram então colocar frente a frente Luisim e o outro candidato, apoiado por eles. Sabendo do apoio que Luisim tinha da massa, os homens poderosos editaram o debate entre ele e o outro candidato e conseguiram colocar o outro no poder. Mas esse outro, um rapaz novo, de boa aparência, um homem visionário, fez um grande estrago durante um curto período de tempo, traiu a confiança dos homens poderosos e logo eles se voltaram contra ele, mobilizando a massa contra ele e retirando-o do poder.

Luisim estava pronto para concorrer com qualquer que fosse o novo candidato dos homens poderosos, mas ele não contava que os homens poderosos arranjariam um candidato igualmente poderoso. Um político experiente que havia bolado uma idéia fenomenal de como fazer parecer que o país não estava tão mal economicamente, mascarando o real valor da moeda nacional. Esse homem ganhou facilmente a simpatia da massa e era favorito ao cargo de líder do Brasil.

Luisim estava inconformado por ter perdido o apoio da massa e decidiu buscar apoio de outros governantes que tinham mais experiência. Mas junto com esses governantes estavam homens poderosos. Não tanto quanto aqueles que mandavam no país. Mas homens com idéias diferentes das de Luisim e seu grupo. Luisim então se reuniu com esses homens e juntos debateram idéias, discutiram questões e formaram um novo grupo, maior, com uma nova visão. Luisim agora poderia concorrer mais uma vez à presidência. Mas Luisim perdeu. Ao menos, para a sorte dele, o então Presidente estava fazendo tantos estragos quanto o candidato anterior dos homens poderosos. A diferença que Luisim não percebeu é que, os estragos desse homem apenas atingiam a massa. Os homens poderosos por trás dele estavam satisfeitos com seu rendimento. Eles mexeram alguns pauzinhos e logo conseguiram reelege-lo, deixando Luisim de fora mais uma vez.

Dessa vez Luisim não via outra alternativa e foi buscar o apoio de homens tão poderosos quanto aqueles a quem ele estava enfrentando. Ele se encontrou com eles, juntos debateram idéias, discutiram questões e formaram um novo grupo, maior, com uma nova visão. Então Luisim foi buscar novamente o apoio da massa que ele havia perdido. Com a ajuda desses seus novos amigos ele conseguiu retomar esse apoio e, depois de muito tempo, Luisim finalmente era um adversário forte, capaz de desafiar qualquer candidato indicado por seus rivais, os outros homens poderosos.

E Luisim finalmente venceu uma eleição. Ele era o novo Presidente da República. Mas Luisim não havia percebido que, ao longo de todo esse processo, por várias vezes, sua visão havia mudado. Ele não via mais com seus próprios olhos, mas sim com os olhos daqueles a quem ele tinha se aliado. As coisas começaram a acontecer à sua volta e ele não via, pois seus olhos ainda estavam vislumbrando o que ele alcançara. E então, através dele, os homens poderosos começaram a agir da mesma forma como os homens que antes estavam no poder e, Luisim, sem saber de nada, fazia estragos tão grandes quanto os de seus antecessores. Luisim não era capaz de enxergar o que acontecia e, por tanto, era incapaz de agir como ele sonhava em agir a anos atrás. A massa começava a ficar contra Luisim. Mas os homens poderosos estavam a seu favor. E com eles, Luisim conseguiria se reeleger.

Mas como num estalo, numa seqüência de desabamentos ao seu redor, Luisim finalmente abre os olhos e percebe que está tão atolado quanto os governantes que no passado ele acusava de serem os culpados por toda a problemática vida do brasileiro. Luisim estava agora enxergando com seus próprios olhos, mas estava já sem o apoio da massa, perdia aos poucos o apoio dos homens poderosos e já não contava mais com seu grupo que havia se dividido e se perdido pelo caminho. Luisim se encontrava sozinho e, ao olhar para baixo, do alto de seu palanque, observava um homem humilde, trabalhador, daqueles que sofriam a cada dia para ganhar seu salário, apontando para ele e pensando: “É tudo culpa de homens como esse; poderosos e políticos que só pensam em si. Por causa deles o Brasil não muda. Um dia eu vou estar no lugar deles e então fazer algo para melhorar o país”.

PS.: esse post foi reaproveitado do meu antigo blog “Aceito Sugestões”, onde foi publicado em 9 de agosto de 2007.