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Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor…


em resposta ao post Soy Argentina! (Até nos comerciais), no Falando pras Paredes.

Caro Alexandre Silva, amigo, parceiro, ilustre colega,

você sabe que sou cruzeirense… Que fico chateado com uma derrtota, que fico pra baixo, com raiva do time quando perde uma final de Libertadores, que apelo… Mas que continuo sendo cruzeirense!! O mesmo vale pra seleção! Perde umas, ganha outras, joga feio, mas joga, tá em campo… Mesmo com Dunga no banco, o time tá lá!! E mesmo em péssima fase, vence a Argentina vez após outra, assim como Cruzeiro e galo (só pra alfinetar, hehehe)!!

Camisa da seleção brasileira
Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor...

Sou brasileiro! Não dá pra simplesmente virar as costas e dizer “ah, vou torcer pra Itália”, ou pra França (como um amigo meu por aí), ou pra Argentina (como muitos brasileiros fazem)!! Pergunta lá na Argentina quantos deles torcem pro Brasil? Quantos torcem pra Alemanha? Não tem… TODOS torcem pra seleção do país deles… Agora, no Brasil, a moda é ser do contra… É torcer contra!!

Por isso, gente como você, que é torcedor de vibrar, de exigir raça, de querer ver os caras suarem a camisa, que a manchem com sangue, acaba torcendo pra maior rival da nossa seleção ao invés de torcer com orgulho pro único país pentacampeão mundial! Aí, sobram umas merrecas de torcedores de meia tigela, de jogadores de meia tigela, de técnicos de meia tigela…

Claro que tem muita gente que tira proveito de ano de Copa! As Eleições Gerais do nosso país são em ano de Copa! Eu até arrisco dizer que é propositadamente! O brasileiro tem mesmo memória curta e, quando a Copa vem, muita coisa fica no passado. Isso é verdade! Mas não justifica dizer que o brasileiro só torce pra seleção em ano de Copa! O brasileiro torce 24 horas por dia!  Pelo Flamento, pelo Corinthians, pelo Atlético Mineiro (como o senhor o faz). Assim como o torcedor argentino torce pelo River Plate, pelo Boca Juniors, pelo Estudiantes… E não torcem o tempo todo pela seleção deles! Essa é uma desculpa esfarrapadíssima!

Se for pelo bom futebol, eu também gosto da Holanda!! Sempre torço pros caras irem bem e acho uma tremenda injustiça os caras não terem um título mundial sequer!! A seleção desse ano tá jogando bonito! Wesley Snejder, Arjen Roben, Rafael van der Vart… Se esses caras entrarem em campo com tudo, a Holanda vai longe!! Também gosto dos espanhois, apesar da fama de ‘amarelões’ que eles tem!! Afinal, os caras são os atuais campeões europeus (e se você bem lembrar, eu avisei com 2 meses de antecedência que eles levariam o título)!!

Mas nada disso me faz deixar de vestir a camisa amarela, com 5 estrelas no peito (nenhuma referência às outras cinco estrelas aqui)!! Vou torcer pra ver grandes jogos!! Pra ver, nas Oitavas, o bom futebol mundial desfilando nos campos sul-africanos… Pra poder ter jogos como Argentina x Inglaterra… Espanha x Portugal… Itália x Brasil… Holanda x Alemanha… Já pensou que grande Copa seria essa?

Mas no final, na Final, quero ver a MINHA seleção levantar a taça! Quero ver o MEU país campeão! Quero ver o MEU povo, a MINHA nação se orgulhar de, mesmo sendo um dos países com pior índice de analfabetismo, sendo um dos IDHs mais medianos do planeta, mesmo com toda a injustiça social, mesmo com a corrupção política, mesmo com a pouca vergonha das lideranças religiosas, mesmo com os baixos salários, mesmo com as tragédias naturais que assolam norte a sul o nosso Brasil, pelo menos em uma coisa podermos bater no peito e dizer que somos os MELHORES do mundo!

Isso não é ser brahmeiro!! Eu não sou brahmeiro! Eu nem bebo… Um comercial não põe na tela os meus sentimentos!! Não expõe o sentimento de, pelo menos, 90% do povo que torce pelo NOSSO país!! O comercial da Quilmes (que exalta a paixão dos argentinos, publicado no seu blog) é sim bonito!! A torcida argentina é bonita de se ver, é contagiante, é empolgante… Mas é argentina!! E, como brasileiro, como apaixonado pelo futebol, pelo futebol do meu país, eu não torço pra Argentina! Eu torço pelo Brasil!

Eu não sou brahmeiro! Mas sou guerreiro! Sou guerreiro como todo brasileiro é! Como todo cidadão sofrido desse país é! Não por causa de um comercial que tenta explorar o ano do futebol, o ano da Copa pra gerar fundos pra uma bebida que em nada tem a ver com a alegria do futebol (desde quando a gente precisa de cerveja pra ter um jogo vibrante?)…

Respeito? Aí é outra coisa. Afinal os caras tiveram, talvez um dos 5 melhores jogadores de todos os tempos… Talvez! Canniggia, Redondo, Batistuta, os campeões de 1978 e 1986 (o Passarella também tava lá). E, claro, Maradona! Se bem que, sou mais o Messi! Hoje, além dele, os caras tem Tevez, Riquelme… Eu respeito isso!

Argentina de 1978
Seleção argentina, campeã invicta em 1978, jogando em casa

No fim das contas, a torcida pode cantar mais alto, pode fazer mais bonito, pode trazer as cores mais vibrantes (eu sempre soube que você tinha uma queda pelo azul… hehehe), mas quem tem no peito a razão pra se orgulhar, com cinco estrelas conquistadas por gente como Pelé, Garrincha, Tele Santana, Zagalo, Romário, Dunga (como jogador, um grande jogador), Ronaldo (na sua melhor fase), Taffarel, Rivaldo (também nas suas melhores épocas), Ronaldinho Gaúcho (na melhor fase da carreira do cara) e tantos outros nomes.

Eu tenho orgulho de ser brasileiro! Não brahmeiro! Não um ‘torcedor de copa’! Não por causa do nosso futebol! Mas um cidadão desse país que ama essa nação e se orgulha de vestir o verde e o amarelo!

E que esse ano, possamos comemorar não só um título mundial (que dificilmente virá), mas a celebração da união do nosso povo que, às vezes, precisa acontecer também através do futebol!

Abraços!

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Favoritismo é para amadores…


Eu já havia dito aqui que ia falar muito sobre tudo… É claro que eu não vou deixar passar a oportunidade de falar de algo que todo o Brasil estava acompanhando nesse último domingo. Não, não estou falando do jogo de vôlei da seleção brasileira masculina campeã mundial pela sétima vez. Afinal, eles eram favoritos, certo? Nem vou falar das meninas do handball no Pan que, tanto quanto, já eram consideradas vencedoras antes mesmo de entrar em quadra. Vou falar de outros favoritos. Não brasileiros. Nem sequer americanos. Nem mesmo vou falar do Pan. Vou falar dos argentinos. Certo, não muito deles. Mas de algo relacionado a eles.

A mídia o massacrou. Disse que ele se preocupava mais com a vestimenta do que com as táticas em campo. Mas Dunga mostrou que não é só um ex-jogador famoso, com espírito de liderança. Ao fazer um nó tático nos argentinos e não permitir o jogo dos hermanos na final da Copa América, o técnico brasileiro se fez entendido e assegurou seu cargo no comando da seleção. Havia muita gente torcendo contra. Talvez até mesmo alguns de vocês que estão aqui lendo agora. Mas era fácil desacreditar uma seleção que não podia contar com seus maiores craques, que passa por uma tremenda reformulação e que parecia não ser capaz de vencer ninguém. Quando essa seleção perdeu para o México na primeira rodada, fomos unânimes em dizer que estava tudo errado. Ninguém lembrou na hora que a seleção mexicana era a recém campeã da Copa Ouro (torneio de seleções da Concacaf) e que era um time que jogara junto por semanas seguidas. A seleção brasileira estava desentrosada, cansada e não havia se encontrado. E quando o Chile virou saco de pancadas, era sorte. O time deles era fraco (mais que o nosso, segundo alguns). Ninguém deu valor às atuações de Maicon e Júlio Baptista. O Uruguai então, nem se fala. Quase tirou o Brasil e demos sorte de o Doni ter relado o pé na bola sem querer na primeira cobrança que defendeu. Todas as outras defesas que o goleiro fez nas demais partidas, ou na Roma durante toda a temporada, foram importantes. Ninguém lembrou que a Roma foi segunda colocada da Serie A italiana e que o goleiro foi tremendamente responsável por isso ao lado de outros brasileiros como Mancine e Rodrigo Taddei (pra mim, injustamente deixados de fora da seleção). E estávamos na final. A Argentina estava com seu time completo à disposição. Os melhores jogadores. Uma campanha incrível na competição. Favorita! Ou não?

Vou ser sincero. Não vi todo o jogo. Eu tinha um outro compromisso, mas vi partes do primeiro tempo e alguns lances mais tarde na TV. E posso dizer com toda certeza: eles amarelaram! Foi só olhar para a camisa canarinho que o sangue dos argentinos gelou. Afinal, nas últimas vezes que nos encontramos, só deu Brasil. E outra, das 4 últimas edições da Copa América, vencemos 3! Não importava quem estava em campo por cada equipe. Se eram os astros dos grandes clubes, se eram os jogadores considerados “B”… Era um Brasil x Argentina e não existia favoritismo. O resultado eu não preciso comentar. Você deve ter visto na Internet, nos jornais, na TV… O importante é que caiu por terra qualquer argumento de qualquer “crítico futebolístico” que criticou a seleção todo esse tempo. Que fez chacota com Dunga e seus jogadores “alternativos”. Que quis chutar o cachorro enquanto estava no chão. Agora quero ver falar dessa seleção campeã. Com erros, sim. Não é uma equipe perfeita. Mas que vai dar trabalho quando estiver com sua força máxima.

Dale Dunga! Dale Doni! Dale Maicon! Dale Júlio Baptista! Dale Daniel Alves! Dale Robinho! Sim, Robinho, que soube deixar o estrelismo de lado, chamar a marcação pra si e deixar livres seus companheiros para jogarem o que sabem, sem aparecer demais, marcando gols na hora certa, dando oportunidades na hora certa e contribuindo para que esse time entre no rol dos campeões da Copa América. Com muito orgulho! E em cima da Argentina! Afinal, favoritismo é para amadores.