A Comunicação na Era Digital


por Anderson Felipe M. Butilheiro

mundo digitalNos últimos tempos a comunicação tem passado por mudanças grandiosas. Em menos de 100 anos toda a mídia, que antes se limitava à escrita e, no máximo, a auditiva, adotou novas formas de transmitir informações. Os sinais de radiodifusão melhoraram significantemente, tornando possível o acesso longínquo à transmissão das cadeias de rádio por todo o mundo. Então veio a televisão e a possibilidade de se transmitir imagens juntamente com os sons. A televisão ganhou cores, passou a ser via satélite, cabo, e sinal digital. Surgiu a Internet e a facilidade no acesso às informações que agora eram divulgadas quase que instantaneamente. Rádio, TV, Internet e os veículos ainda impressos finalmente começam a se misturar, formando um aglomerado de informações que mais confundem do que informam. Em meio a tudo isso surge uma nova proposta, a de interatividade, onde o telespectador, mistura de público e cliente, passa a escolher ele mesmo o que quer e o que não quer ver. A Era Digital começou.

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Transformers


Que Michael Bay é mestre em explorar a movimentação das câmeras, todo mundo sabe. Que seqüências de ação é com ele, também. Mas agora eu digo algo novo: ele é fã de Linkin Park. E o que isso importa? Bom, para o bom andamento de um filme, absolutamente nada. Mas se você ler essa minha pequena ‘resenha’ (que eu prefiro chamar de review por uma mera questão de estética), você perceberá a importância do gosto musical do diretor de Transformers. Caso você ainda queira ver o filme, sugiro fazer esta leitura mais tarde, pois algumas revelações são feitas aqui.

Para todo fã de desenhos animados dos anos 80, Transformers é mais do que um mero desenho de robôs. Eu não acompanhei o desenho nos anos 80, mas suas reprises nos anos 90 quando meus irmãos mais velhos já não curtiam mais essas coisas. O anime (apesar de não ser oriundo do Japão, o desenho tem todas as características das animações japonesas) mostra a saga de Optimus Prime e sua equipe, os Autobots, que vem à terra deter o vilão Megatron, líder dos Decepticons. A grande sacada é que, para passar despercebidos por aqui, esses enormes robôs se camuflam como veículos como carros esportivos, caminhões e até aeronaves, daí o nome Transformers. A adaptação cinematográfica segue exatamente o mesmo caminho, mostrando a história do seu início até o fim em pouco mais de 2 horas. Talvez aí o primeiro erro.

Não me lembro de ter visto pela televisão brasileira o fim da série, se é que ela tinha um fim. A batalha dos Autobots contra os Decepticons dura diversos episódios e a ausência de um final é o que prende os aficionados diante das telas. Todos torcemos pela vitória de Optimus Prime, que acontece a cada episódio, mas nunca finalizando a história. O filme, pelo contrário, dá fim a história, matando qualquer possibilidade de uma continuação dentro dos limites do anime. Não que não haja espaço para continuações, mas qualquer história futura estaria além do visto na TV.

Deixando de lado essa questão, vamos falar um pouco mais do enredo. A trama do filme é exatamente a mesma da série animada, mostrando um combate entre as duas equipes de robôs altamente evoluídos (digamos organismos cibernéticos, para ficar mais bonito). Mas para não ser uma briga sem sentido, alguns elementos foram adicionados, colocando um algo mais na trama. A presença de importantes personagens humanos deu não só um pouco de mais de carne como de espírito à coisa, já que boas tiradas vêm desses personagens, evitando que o humor dos organismos cibernéticos fosse exageradamente “vivo”. O enredo ganhou vida e uma boa parte da história foi preenchida pelos dramas pessoais desses personagens com a vantagem de não ter se prendido demais nem a esses dramas, nem aos robôs somente.

Os efeitos especiais são casos a parte. Junto com as boas seqüências de ação e o cenário magnífico, os efeitos me deixaram perplexo. As cenas das transformações dos veículos em robôs (e vice-versa) são cair o queixo. E vê-los fazer isso em plena batalha ficou ainda mais alucinante. A direção de efeitos, sem dúvida, deve concorrer a um Oscar e deixar no chinelo outros filmes do gênero. Se a premiação não der ao filme uma boa estatueta, começo eu mesmo uma premiação a parte.

Agora sim a trilha. Sonora, é claro. O filme empolga qualquer um que esteja na sala do cinema por suas belas imagens. Bay consegue unir velocidade na movimentação de câmeras, efeitos e bons personagens. Mas tudo isso sem uma boa trilha seria inútil. E aqui Transformers faz bonito. Uma majestosa trilha acompanha cada cena, deixando facilmente perceptível a excelente veia do diretor para escolher as canções que compõe suas obras (como já dava para perceber em Miami Vice). Claro que isso é discutível pois vai do gosto de cada um, mas, para mim, o peso certo nas cenas de ação, as melodias leves para as cenas cômicas e as grandes sacadas com o Camaro “mudo” foram brilhantes. Mas uma coisa fez falta durante o filme. A canção tema que não saía da cabeça de quem acompanhava o anime. Se você não se lembra, tente cantarolar essa letra: “Transformers, more than meets the eye”. A música tema do desenho, que tinha umas vozes robóticas (dá pra entender o porquê) ganhou uma versão moderna com a banda Mutemath que, inclusive, aparece no CD com a trilha do filme. Mas na película que foi exibida nos cinemas, a música ficou de fora. Ela bem que cabia na cena final do filme, combinando perfeitamente com os dizeres finais de Optimus Prime, mas Bay optou por colocar no lugar o hit “What I’ve Done”, da banda Linkin Park. Ta certo que não ficou ruim, que o hit está mesmo tocando bastante nas rádios e que deu uma boa ajuda na divulgação do filme quando apareceu no trailer oficial. Mas será que Michael Bay gosta mesmo tanto assim de Linkin Park para deixar de fora o tema do desenho ou foi só mais uma sacada para vender alguns CDs?

Transformers não deixa nada a desejar para os grandes filmes de ação do ano, de super-heróis e as seqüências de adaptações de séries dos anos 1980/90. Tem boa história, personagens marcantes, ótimos efeitos, uma direção fabulosa e uma trilha sonora de arrepiar. Peca em detalhes como todo filme. Não agrada a todos, mas me agradou e entrou para o rol dos melhores filmes do ano. Com ou sem a música tema.

Extras:

Confira a versão da banda Mutemath para a música tema do desenho:
www.myspace.com/mutemath

Fim do luto! Desabafo!


Eu me dei o direito de estar de luto durante alguns dias nos quais conversei com amigos distantes. Amigos esses que perderam parentes, pessoas próximas, amigos queridos em mais um trágico acidente. E não estaria aqui para falar do assunto se não fosse por um motivo especial: a vontade de protestar, levantar a voz contra um insulto aos nossos olhos que, por vezes, nem percebemos.

Não vou me prolongar nesse parágrafo. Só quero relembrar todos que lêem sobre qual acidente escrevo. Tenho certeza que na lembrança de cada um estão as imagens que a mídia joga a todo instante de fogo, fumaça e frieza. Depois da colisão fatal do vôo 3450 da TAM no Aeroporto de Congonhas, somente isso pode ser visto. O fogo das chamas de um avião em pedaços e um prédio perfurado por motivos ainda obscuros. Um troca-troca de acusações, de conjecturas dos possíveis motivos, acabou por transformar o fogo em fumaça, juntamente com a ação corajosa de bombeiros que lutaram para retirar de toda a retorcida estrutura, alguma alma viva. A fumaça logo passou e só restou a frieza dos homens que continuavam trabalhando ali, já sem esperanças de encontrar sobreviventes. Frieza da mídia que, como urubu – no sentido mais nojento possível – continuava a sobrevoar os escombros em busca de imagens que chocassem, de relatórios que prendessem milhares às telas e aos papéis. A Imprensa agiu como sempre e transformou tudo em um grande circo (tá bom, me prolonguei).

Uma semana se passou, os 7 dias de praxe foram respeitados. Mais alguns dias e ainda estavam lá os homens trabalhando e a imprensa. Outro incidente no mesmo local e novamente tudo vira uma grande notícia. Enquanto isso, nos seus lares, familiares choram a perda dos entes queridos. Pessoas sofrem dores que nem consigo imaginar. Despretensiosamente ligam a TV e são obrigados a suportar ainda mais dor ao rever imagens que não param. Repetidas, reprisadas, comentadas, analisadas. As cenas parecem estar num loop sem fim.

Entre uma notícia e outra (uma do PAN e outra da TAM, sem querer fazer um trocadilho desagradável) somos bombardeados com todo tipo de coisa. Propagandas que surgem do nada, querem nos vender algo e tentam provocar nossos sentidos. Num minuto um atleta sobe ao podium, no outro uma propaganda tenta nos convencer de que precisamos de algo mais em nossas vidas. Em seguida, mais uma cena nos faz lembrar do acidente e novamente surge um comercial para apagar da nossa mente as imagens trágicas. Uma tempestade de informações que se confunde na nossa mente. E a frieza parece tão grande que eles, do outro lado da tela, são capazes de rir poucos segundos depois de relatar que nem mesmo 50% dos corpos foram identificados.

Eu me pergunto se isso é reflexo da nossa sociedade que não se comove com o que presencia. Se tudo isso é produto de anos de afastamento que coloca cada vez mais os indivíduos longe uns dos outros. Se a pós-modernidade deixou de ser uma perspectiva pessimista e se tornou realidade nos nossos corações e mentes. A frieza que vemos ao nosso redor está também em nós? Se a resposta para essas perguntas for “sim”, não tenho idéia de que mundo nós estamos construindo. E tenho medo de como esse mundo será daqui alguns anos. Afinal, até quando suportaremos isso?

Favoritismo é para amadores…


Eu já havia dito aqui que ia falar muito sobre tudo… É claro que eu não vou deixar passar a oportunidade de falar de algo que todo o Brasil estava acompanhando nesse último domingo. Não, não estou falando do jogo de vôlei da seleção brasileira masculina campeã mundial pela sétima vez. Afinal, eles eram favoritos, certo? Nem vou falar das meninas do handball no Pan que, tanto quanto, já eram consideradas vencedoras antes mesmo de entrar em quadra. Vou falar de outros favoritos. Não brasileiros. Nem sequer americanos. Nem mesmo vou falar do Pan. Vou falar dos argentinos. Certo, não muito deles. Mas de algo relacionado a eles.

A mídia o massacrou. Disse que ele se preocupava mais com a vestimenta do que com as táticas em campo. Mas Dunga mostrou que não é só um ex-jogador famoso, com espírito de liderança. Ao fazer um nó tático nos argentinos e não permitir o jogo dos hermanos na final da Copa América, o técnico brasileiro se fez entendido e assegurou seu cargo no comando da seleção. Havia muita gente torcendo contra. Talvez até mesmo alguns de vocês que estão aqui lendo agora. Mas era fácil desacreditar uma seleção que não podia contar com seus maiores craques, que passa por uma tremenda reformulação e que parecia não ser capaz de vencer ninguém. Quando essa seleção perdeu para o México na primeira rodada, fomos unânimes em dizer que estava tudo errado. Ninguém lembrou na hora que a seleção mexicana era a recém campeã da Copa Ouro (torneio de seleções da Concacaf) e que era um time que jogara junto por semanas seguidas. A seleção brasileira estava desentrosada, cansada e não havia se encontrado. E quando o Chile virou saco de pancadas, era sorte. O time deles era fraco (mais que o nosso, segundo alguns). Ninguém deu valor às atuações de Maicon e Júlio Baptista. O Uruguai então, nem se fala. Quase tirou o Brasil e demos sorte de o Doni ter relado o pé na bola sem querer na primeira cobrança que defendeu. Todas as outras defesas que o goleiro fez nas demais partidas, ou na Roma durante toda a temporada, foram importantes. Ninguém lembrou que a Roma foi segunda colocada da Serie A italiana e que o goleiro foi tremendamente responsável por isso ao lado de outros brasileiros como Mancine e Rodrigo Taddei (pra mim, injustamente deixados de fora da seleção). E estávamos na final. A Argentina estava com seu time completo à disposição. Os melhores jogadores. Uma campanha incrível na competição. Favorita! Ou não?

Vou ser sincero. Não vi todo o jogo. Eu tinha um outro compromisso, mas vi partes do primeiro tempo e alguns lances mais tarde na TV. E posso dizer com toda certeza: eles amarelaram! Foi só olhar para a camisa canarinho que o sangue dos argentinos gelou. Afinal, nas últimas vezes que nos encontramos, só deu Brasil. E outra, das 4 últimas edições da Copa América, vencemos 3! Não importava quem estava em campo por cada equipe. Se eram os astros dos grandes clubes, se eram os jogadores considerados “B”… Era um Brasil x Argentina e não existia favoritismo. O resultado eu não preciso comentar. Você deve ter visto na Internet, nos jornais, na TV… O importante é que caiu por terra qualquer argumento de qualquer “crítico futebolístico” que criticou a seleção todo esse tempo. Que fez chacota com Dunga e seus jogadores “alternativos”. Que quis chutar o cachorro enquanto estava no chão. Agora quero ver falar dessa seleção campeã. Com erros, sim. Não é uma equipe perfeita. Mas que vai dar trabalho quando estiver com sua força máxima.

Dale Dunga! Dale Doni! Dale Maicon! Dale Júlio Baptista! Dale Daniel Alves! Dale Robinho! Sim, Robinho, que soube deixar o estrelismo de lado, chamar a marcação pra si e deixar livres seus companheiros para jogarem o que sabem, sem aparecer demais, marcando gols na hora certa, dando oportunidades na hora certa e contribuindo para que esse time entre no rol dos campeões da Copa América. Com muito orgulho! E em cima da Argentina! Afinal, favoritismo é para amadores.

Brasil faz bonito, mas também dá vexame na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos


A mídia chega a ser massante e não nos deixa esquecer que estamos na época do Pan. Não que seja uma coisa ruim, mas ter de lembrar aos brasileiros o espírito de coletividade, solidariedade e união que deveriam ser natos em todos nós às vezes soa estranho. Sei que nem todos estão tão empolgados assim com a possibilidade de nosso país finalmente poder mostrar algo grande para o mundo (não grande como o Cristo Redentor, uma das sete novas maravilhas do mundo). Ainda mais por se tratar do país do futebol que, culturalmente, dá mais valor ao esporte dos milionários e exuberantes salários do que a qualquer outro esporte. Não que eu não seja fã de futebol. Sou. Apaixonado. Mas sei que há outros talentos no país além das quatro linhas brancas do campo verde.

Na noite desta sexta-feira, 13 de julho de 2007 (que só não foi lembrada como uma sexta-feira 13 por causa do Pan) o Brasil poderia finalmente ter se livrado de vários pré-conceitos que carrega. O de país do carnaval, do futebol, da falta de pudor… Poderia ter se mostrado diferente aos olhos dos milhares que nos viam ao vivo em todo o planeta. E foi o que mais se tentou na cerimônia que declarou abertos os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro. A cerimônia em si foi um espetáculo. Um show aos olhos de quem acompanhou, seja lá dentro ou em casa com os comentários dos nossos “queridos” jornalistas. Evitando mostrar aquilo que é visto lá fora como a cara do Brasil – mulheres semi-nuas e um povo fanfarrão – a organização do Pan demonstrou que temos outros artistas além dos carnavalescos por aí a fora. Um espetáculo de verdade, digno de outras belas aberturas de eventos como a de Atlanta (Olímpiadas de 1996), Sidney (em 2000) e Tokio (Copa do Mundo de 2002).

Mas, como não poderia faltar, o brasileiro mostrou seu lado feio, de certa forma sem-educação e ignorante. Como? Não, não foi lá na majestosa apresentação e nem na entrada triunfal dos atletas brasileiros que gozavam de pura alegria. Mas o público. Sim, o público, protagonista de espetáculos de arrepiar em todo o planeta e até aqui mesmo, na nossa terra. Mas nessa noite em especial, o público presente no Maracanã (diga-se de passagem, belíssimo e majestoso com nunca antes visto) fez feio ao vaiar desnecessáriamente, mais de uma vez, o Presidente da República e até mesmo a educada nota de atraso do início da cerimônia quando anunciados aos presentes. O primeiro causou a segunda, é certo. Pelo atraso do Presidente em comparecer ao local, foi necessário o atraso que, ao ser divulgado nos auto-falantes do estádio, foi recebida com vaias. E quando, enfim, a presença de Lula foi anunciada, a mesma vaia foi ouvida.

Tudo bem. Se nosso país não fosse uma nação democrática, com toda certeza não ouviríamos esse tipo de manifestação do povo. É bom saber que temos democracia o suficiente para que nenhum ato de repressão seja tomado pelas autoridades frente ao que aconteceu na cerimônia. Mas também devemos qualificar esse ato como falta de respeito. Não é porque alguns desaprovam o governo do Presidente Americano que ele é vaiado em manifestações públicas em seu país. Nem mesmo outros presidentes, muito mais odiados em nosso país precisaram de tamanho jogo de cintura para passar por uma situação dessas. Num espetáculo que deveria ser uma saudação à beleza, à cultura, ao esporte, a manifestação do público presente ao Maracanã beirou o ridículo e deve ser lembrada como o único ponto desfavorável do evento que mostrou a nós, brasileiros desconfiados, que nosso país tem sim condições de sediar grandes eventos e fazer bonito. E eu digo que deve ser lembrado ao invés de esquecido porque é com erros como esses que somos lembrados. E se seremos lembrados por um papel tão feio, não devemos nos esquecer dele e sim, fazer apagar da mente de todos os que presenciaram o lamentável fato mostrando algo belo na realização desse Pan.

Quero terminar desejando boa sorte a todos os atletas brasileiros que dão duro para serem reconhecidos e que precisam de eventos desse nível para ganhar valor. Que eles não sejam esquecidos quando o Pan terminar, mas que os brasileiros voltem seus olhos atentos para os outros esportes e invistam, incentivem e apoiem nossos atletas que disputarão as Olímpidas na China no próximo ano, que viajarão para Londres em 2012, que passarão por outros Pan-Americanos nesses próximos anos, além de competições individuais de seus esportes. E que o coração do brasileiro seja preparado para, enfim, recebermos em 2016, se DEUS permitir, as Olimpídas na nossa casa.

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