Ah, a Semiótica!


Uma imagem que vale mais que mil palavras. Uma frase com mil significados. Um momento que vale por mil. Uma falta de ar que vale mais que mil fôlegos. Um olhar. Uma palavra.

Eu acordei e não era um sonho. O sentimento ainda estava ali, presente. A primeira palavra pela manhã. Não importa pra quem ela foi dita, mas por quem. Ela falava de algo que eu sabia bem.

Por convenção, ela representa muito. Algo que muitos buscam, mas poucos alcançam de verdade. Em sua essência, era só mais uma palavra. Solta. Perdida. No contexto, carregada de significados. Diferentes para cada um que a lesse. Mas era só uma palavra.

O que ela indicava? O que representava? Quem a denominou? Quem a deu sentido? Quem a escreveu assim e não diferente? De onde ela vinha?

Naquele contexto? Naquele momento? Só me importava naquele momento quem a tinha dito ali. E o por quê dela ser dita. Não foi pra mim. Mas foi sobre mim.

Uma só palavra.

Meu objetivo estava cumprido. Era o que eu queria. Era o que eu buscava. Era o que eu precisava pra continuar lutando, correndo, esperando pelo momento certo. Certo? É, eu sabia que era o certo. O tempo todo eu sabia.

Pierce? Saussure? Eco? Santaella? O que eles diriam? Sobre o signo? Sobre o sinal? Sobre o símbolo? Sobre o índice? Eu não queria saber.

O momento era meu. Era minha palavra favorita. Era a imagem perfeita de uma palavra que dispensava outras 999 palavras. Era o ar pra tirar meu fôlego. E era só uma palavra.

Ei, Semiótica? Eis que te apresento uma palavra pra você desvendar:

Felicidade!

Ela estava feliz e era tudo o que eu precisava saber…

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Aperte os cintos: Audio Adrenaline está de volta… e com Kevin Max!


Você não leu errado. E não é pegadinha de 1º de abril (até porque não é a época, né?). Kevin Max (ex-dc Talk) é o novo vocalista do Audio Adrenaline. Dois grandes nomes do rock e da música cristã contemporânea estão de volta e juntos. A notícia foi confirmada pelo site JesusFreakHideout, depois de já ter sido especulada no próprio site nos últimos dias.

Kevin Max se junta ao AA
Kevin Max, ex-dc Talk, é o novo vocalista do Audio Adrenaline

O Audio Adrenaline, uma das principais bandas de alternative rock no meio cristão durante boa parte dos anos 1990 e começo dos anos 2000, havia encerrado as atividades em 2007, após um bom tempo em que o vocalista Mark Stuart andava brigando com suas cordas vocais. Quando não deu mais pra cantar com a frequência necessária, os caras resolveram parar e não continuar sem Mark (um dos dois membros originais que ainda estava na banda). Os integrantes seguiram caminhos diferentes, em outras bandas ou mesmo deixando os palcos pra assumir cargos executivos (caso do baterista da banda Ben Cissell, que se tornou produtor).

Mark até chegou a gravar outro CD, junto com o baixista Will McGinniss, também membro fundador do AA, com um projeto chamado Know Hope Collective. Agora, Will decidiu retornar ao Audio Adrenaline e começou a procurar parceiros pra isso. O guitarrista Jason Walker (que participou do projeto KHC) foi o primeiro recrutado.

Will também chegou a anunciar que teria entrado em contato com Stu G, guitarrista da também retirada banda Delirious?, mas foi Dave Ghazarian o segundo guitarrista confirmado. Dave foi integrante do Superchick e recentemente estava em turnê com a banda de apoio de Peter Furler.

Sem poder contar com Cissell, Will foi atrás de Jared Byers, ex-baterista do Bleach. Byers chegou a participar dos últimos shows do AA em 2007, quando Cissel assumiu seu cargo como produtor na famosa casa de shows Rocketown (aquela da música do Michael W. Smith). Assim, faltava só o vocalista para completar o line-up do novo Audio Adrenaline.

Aí, se vocês se lembrarem disso (Michael Tait é o novo vocalista do Newsboys), vocês vão entender o tamanho da minha surpresa ao ler que Kevin Max seria esse novo vocalista. Assim como o Newsboys, o AA foi atrás de alguém não só experiente, mas com um peso incrível no seu nome e na sua história, e com uma qualidade técnica vocal talvez ainda não encontrada na CCM até hoje.

Última formação da banda em 2007
Última formação do AA antes do fim em 2007

Desde o fim do dc Talk, Kevin foi o único integrante que não conseguiu se colocar de volta no cenário. E isso é extremamente interessante, uma vez que a voz do cara era uma das características mais fortes do trio e talvez ele fosse até mesmo mais bem quisto pelos fãs do que Toby Mac e Michael Tait. Mas Toby se deu muito bem com uma carreira solo sólida e premiada. Michael teve um começo conturbado com sua nova banda, chamada Tait, com a qual lançou dois álbuns e pouco depois acabou se juntando ao Newsboys, criando uma nova fase da banda e conseguindo colocar os caras de volta ao mainstream.

Mas agora os fãs de Audio Adrenaline tem um enorme motivo para comemorar. A banda está de volta, com uma formação incrível, renovada, que pode realmente surpreender. E os fãs de dc Talk vão finalmente poder ver os 3 ex-membros do grupo em grandes turnês.

O AA já está preparando novidades e anunciou que em 2013 um novo álbum deve ser lançado. Aguardo ansiosamente por isso.

Fontes:

Big, Big News: Kevin Max to Be New Lead Singer for Reunited Audio Adrenaline

Kevin Max Is The New Lead Vocalist For Audio Adrenaline!

Walk off the Earth


Criatividade. Tá aí uma coisa que dificilmente a gente vê sendo repostada e compartilhada na Internet. No meio em que vivo, criatividade é algo fundamental. Design anda lado a lado com a arte nesse quesito e, para se destacar, você tem que exceder alguns limites às vezes.

Mas na música, devo admitir, isso é algo bem inesperado. Até porque se você não segue uma determinada tendência musical, dificilmente ganhará uma notoriedade de valor (digo, financeira e comercialmente falando). É claro que existem muita gente que faz algo diferente também na música, mas eles não aparecem muito.

Walk off the Earth
Walk off the Earth

Aí entra o Walk off the Earth. Esse grupo bem “fora da caixinha”, como o próprio nome sugere, resolveu extrapolar de vez os limites da música utilizando a criatividade não só para criar os seus vídeos, mas também para transformar as músicas que tocam, em sua maioria covers de músicas bem comerciais, como essa aqui abaixo:

Somebody That I Used to Know (Gotye)

Criado em 2006 em no estado de Burlinton, Ontario (Canadá), o Walk off the Earth se tornou realmente conhecido quando o vídeo de “Somebody That I Used to Know” atingiu mais de 80 milhões de visualizações no YouTube no começo deste ano, após algumas centenas de tuitadas e shares no Facebook. A versão de cinco músicos e um violão foi bem aceita e repetida em programas de TV e etc.

Encabeçada pelo genial Gianni Luminati, a banda faz em seus vídeos (de baixo orçamento) uma mistura de apresentação ao vivo com mixagens, além de se aproveitar da multi-instrumentalidade não só de seu líder, mas de todos os membros. No vídeo abaixo, por exemplo, Gianni toca todos os instrumentos, canta e ainda faz um tipão:

Roll Up (Wiz Khalifa)

Sem contrato com uma gravadora, o grupo indie canadense usou a força de seus canais na internet para atrair e cativar o público. E funcionou. A maior parte dos vídeos ultrapassou a casa dos milhões de visualizações, mesmo os mais antigos, de antes da “fama”. Hoje os caras se venderam tem contrato com a Columbia Records.

E pra mostrar que são, além de tudo, ecléticos, o Walk off the Earth faz covers de canções que vão de Adele à LMFAO, sempre transformando, criando vídeos ao mesmo tempo engraçados, divertidos e com alta qualidade musical. Vale a pena dar uma passada no canal dos caras (http://www.youtube.com/user/walkofftheearth) e conferir outras versões bacanas e também as canções de autoria própria da banda.

Esse último vídeo é um tributo à cantora e compositora de blues Malvina Reynolds:

Little Boxes (Malvina Reynolds)

Quando a “faculdade” atrapalha…


Não vou fazer rodeios. Nada de introdução rebuscada aqui hoje. O assunto é exatamente esse: a faculdade, que deveria estar me preparando para o mercado de trabalho, nesse momento, está atrapalhando.

Explico: em tese, nossa ida à faculdade deveria ser para que nos preparássemos para o mercado, para que adquiríssemos um conhecimento teórico embasado não na experiência, mas nos estudos, o que considero tão importante quanto o conhecimento prático. Esse conhecimento deveria ajudar no nosso posicionamento no mercado e também ajudar a enfrentar os desafios da carreira a que nos propomos seguir.

Também deveria servir como ponto de encontro, local de discussões e de se fazer (construir ou aumentar) o chamado networking (redes de contatos). Ou seja, a Universidade deveria ser um local que incentivasse o diálogo, o debate, o conhecimento mútuo, a construção de ideias. E, bem, acredito que isso é o que muito tem em mente.

Mas o que acontece de fato hoje é que, muitas vezes, a faculdade, a instituição (e não o ensino superior, minha gente) tem atrapalhado a inserção do estudante universitário no mercado. Se não atrapalhado totalmente, ao menos dificultado esse processo. E estou falando do meu próprio caso.

A UFPR é um desses lugares...
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) é um desses lugares…

O que, aparentemente, as instituições de nível superior parecem não ter entendido é que eu não trabalho pra fazer faculdade; eu faço faculdade para trabalhar. Ou seja, a faculdade é o meio pelo qual aprimoro meus conhecimentos para que no mercado eu me sobressaia; é onde eu agrego valor não só ao meu currículo, mas a mim mesmo, como pessoa, através das interações sociais, da criação networking, das experiências compartilhadas em sala de aula com professores e colegas (que, às vezes, se tornam amigos).

Mais do que simplesmente ouvir à uma aula, a faculdade nos dá oportunidade de vivenciar coisas. E isso é indispensável na formação de um bom profissional. Mas quando essa experimentação se torna inviável pela própria instituição, a premissa essencial do ensino superior se torna balela. Formar o cidadão fica em segundo plano em prol de uma Universidade com “conceito A pelo MEC”. Ter alunos “caxias” se torna mais importante do que ter bons profissionais.

Não dá pra generalizar, óbvio. Claro que existem tanto boas faculdades, que permitem ao aluno vivenciar o máximo possível dentro da instituição, como existem aquelas tão ruins que o aluno nem se preocupa em estudar, mas só em ter o diploma o mais breve possível. Mas o primeiro tipo é bem raro, infelizmente.

O que fazer depois de formado e sem experiência profissional?
“Eu tenho um diploma, e agora?”

A maior parte das boas instituições tem se tornado elitistas demais ou, em palavras menos amenas, faculdades para “filinhos de papai”. Aqueles que podem se dar ao luxo de passar o dia inteiro indo às aulas (principalmente quando levado em conta as universidades federais), fazendo os trabalhos, já que seus pais é que se preocupam com seu sustento. Mas seria injusto culpar esses alunos mais afortunados. Se eles tem essa oportunidade, que a aproveitem. O que a instituição geralmente não tem em mente é que nem todos os seus alunos estão na mesma condição: mais de 60% dos estudantes do ensino superior trabalham ou já trabalharam em período integral (dados do INEP com base no questionário sócio-econômico do ENEM/ENADE). Quando a Universidade deixa de ter em conta dados como esse e passa a tratar todos os seus alunos como tendo as mesmas condições, principalmente de tempo disponível, a qualidade do ensino não pode se basear somente na “nota 5”.

Eu não vou à faculdade para me encher de trabalhos, ficar calado por 4, 5 horas exaustivas de aulas e pra me privar de ter todas as coisas já citadas no texto. Eu trabalho o dia inteiro e só vou à faculdade porque acredito que lá tenho a oportunidade de crescer profissionalmente. Se isso começa a me ser privado, tem algo errado. Muito errado!

Designer de atitude?


Na última terça, dia 11 de outubro, tive o prazer de participar de uma das melhores palestras em que já estive presente na minha vida. Tratava-se de Felipe Taborda, um dos principais designers da América Latina, selecionado para um livro como um dos 100 melhores designers gráficos do mundo no século XXI. A princípio, Taborda deveria abordar o uso do papel e sua importância na elaboração de um conceito, uma ideia, com função fundamental para todo designer. Mas ele foi além.

Não foi aquela coisa de mostrar o próprio trabalho e um projeto da qual se orgulha, como todo palestrante faz. Ele fez isso, claro, mas Taborda contou histórias e mostrou um mundo de conhecimento que vai além do próprio trabalho. E esse, penso eu, foi o ponto mais importante da noite. Ao invés de ficar horas discutindo assuntos que a maior parte dos presentes (designers, professores e estudantes) já estava cansada de ouvir, o palestrante da noite falou sobre vida, cultura e como isso altera a visão do profissional.

Mas a melhor parte foi quando Felipe citou Oscar Niemeyer, talvez um dos homens mais respeitados do Brasil. Com sua vasta obra em território nacional e internacional, um homem culto, inteligente e perseverante e, mesmo com seus 103 anos, lúcido, Niemeyer é definitivamente um homem de sucesso. No entanto, um homem simples. Pelo menos foi descreveu Felipe. E a frase mais marcante pra mim foi: “Niemeyer, que poderia ser um homem de atitude, não é”. Ou algo como isso.

Projeto Kabum!Mix, tubo de ônibus em Curitiba, dentista e Beatles na Abbey Road
Taborda falou sobre o Projeto Kabum!Mix, sobre os tubos de Curitiba, sobre dentistas e sobre os Beatles na Abbey Road

Taborda não estava criticando o arquiteto. Pelo contrário. O que o designer quis dizer, dentro de um contexto obviamente, é que muitas vezes temos a mania de querer colocar uma explicação linda e cheia de sentimentos em todas as coisas. Que muitas vezes nos preocupamos demais em ser designers mais preocupados com o significado revolucionário do que estamos fazendo, ao invés de fazer algo puramente belo, agradável aos olhos. Taborda criticou veementemente essa onda “rebelde” que tem surgido no design.

Eu não creio que ele estivesse criticando o marketing/design de guerrilha em nenhum momento. Não foi esse o enfoque que Taborda utilizou. Mas creio que ele estava muito mais pensando no quanto nos preocupamos em dar mais do que um aparência interessante e estimulante à algo. Por várias vezes, em suas diversas histórias, ele falou de fazer algo prático, simples, objetivo, que transmitisse facilmente uma informação, mais do que algo complexo, elaborado, cheio de significações.

O vídeo ilustra perfeitamente o que entendi do pensamento de Taborda. Observe o contraponto entre o pensamento do designer e o de alguns estudantes presentes no vídeo (que demonstram o pensamento comum à maior parte dos estudantes de design hoje).

É claro que todas essa coisas que estou afirmando aqui são a minha impressão, o meu entendimento do que Taborda disse na noite de terça. Mas é o conceito que eu gostaria que todos os futuros designers também tivessem: esse de que mais do que ter uma postura diferente, com um visual carregado de significados, o design deve transmitir uma ideia simples, fácil de ser entendida. Não os significados que muitas vezes extrapolam o desenho (me apropriando do sentido em espanhol da coisa) em si, e passam a estar presente no comportamento, moda, estilo, estética do próprio designer. Não um design que é feito pra outros designers, para parecer revolucionário, contemporâneo, legal, mas o design com conteúdo e informação relevantes.

Links para saber mais…

Sobre Felipe Taborda: http://www.felipetaborda.com.br/

Sobre o Projeto Kabum!Mix:
http://ppbrasil.wordpress.com/2010/02/24/projeto-kabum-mix/ e http://www.oifuturo.org.br/#/oi_kabum_mix/

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