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VAI TER COPA!


Torcer para a seleção não tem nada a ver com patriotismo. Eu amo sim meu país. E também sou inconformado com toda a injustiça e má administração pública que há nele. Já escrevi sobre isso outras dezenas de vezes e continuo com minha opinião de que as coisas precisam mudar. Mas o futebol nada tem a ver com isso. Os problemas políticos são políticos. É claro que a Copa do Mundo não pode mascarar isso. Mas lutar contra ela também não te faz ser mais patriota. E também não faz com que as coisas melhorem.

É fácil fazer barulho agora. Assim como foi fácil fazer barulho ano passado durante a Copa das Confederações. Depois tudo passou e muito pouco mudou de fato. Agitar, se levantar contra um evento esportivo, cobrar de atletas aquilo que não compete a eles e fazer de uma manifestação pública um ato de vandalismo, são o tipo de coisa que faz muito menos de você um patriota do que ir à um jogo da Copa do Mundo. Sou a favor de protestos sim. Sou a favor das manifestações também. Mas acredito que elas tenham hora e lugar e, além de tudo, objetivo. Quebrar e incendiar as coisas, principalmente as de quem luta para construir isso com muito esforço e nada tem a ver com a corrupção na política, não resolve nada. E esbravejar contra a seleção, também não.

Eu torço pela seleção porque minhas primeiras memórias da minha infância passam pela Copa de 94. De estar sentado com meus pais e meus irmãos na frente da TV, todos de verde e amarelo, torcendo, vibrando… Passei ótimos momentos assim com meu pai, antes de sair de casa, falando sobre futebol, vendo os jogos da seleção e do Cruzeiro. E mesmo agora, quando vou visitar minha família, ainda temos esses momentos. É um tempo de conversa despretensiosa, de estar juntos, de torcer, brigar, de curtir o estar em família. Foi assim em 94, 98, 2002 e 2006. Em 2010, pela primeira vez, estava fora de casa durante a Copa e, confesso, não foi a mesma coisa. Não tem a mesma graça ver longe da família e dos amigos. Mas esse clima em época de Copas, as festas, as ruas enfeitadas, tudo isso me trás à memória lembranças muito boas.

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Esse ano novamente estarei lá em boa parte dos jogos, ao lado da família, relembrando tudo isso, tudo o que remete à minha infância. E torcendo mais uma vez pela seleção. Não por que não sou patriota e não me importo com os problemas do meu país. Nem por que acho que tá tudo bem do jeito que está. Mas porque pra mim Copa do Mundo é isso, é estar com pessoas com quem eu me importo e festejar juntos uma vitória, uma conquista. Mas também é algo que não vai resolver os problemas do país. O importante aqui é lembrar que depois do jogo os problemas continuam e que a situação ainda sim vai precisar de mudanças. O que não dá pra deixar acontecer é ver a seleção ser campeã em campo e depois votar como se tudo estivesse bem. É isso o que realmente precisa ser evitado.

A diferença pra mudar o rumo do país a gente tem que fazer depois, nas urnas. E enquanto isso continuo meu patriotismo todos os dias, me importando com os problemas do país e tentando, do meu modo, fazer a diferença com meu trabalho, com meu voto e com minhas atitudes no dia-a-dia. E torcendo pela seleção, porque, sim, vai ter Copa. E eu faço questão disso.

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Brasil faz bonito, mas também dá vexame na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos


A mídia chega a ser massante e não nos deixa esquecer que estamos na época do Pan. Não que seja uma coisa ruim, mas ter de lembrar aos brasileiros o espírito de coletividade, solidariedade e união que deveriam ser natos em todos nós às vezes soa estranho. Sei que nem todos estão tão empolgados assim com a possibilidade de nosso país finalmente poder mostrar algo grande para o mundo (não grande como o Cristo Redentor, uma das sete novas maravilhas do mundo). Ainda mais por se tratar do país do futebol que, culturalmente, dá mais valor ao esporte dos milionários e exuberantes salários do que a qualquer outro esporte. Não que eu não seja fã de futebol. Sou. Apaixonado. Mas sei que há outros talentos no país além das quatro linhas brancas do campo verde.

Na noite desta sexta-feira, 13 de julho de 2007 (que só não foi lembrada como uma sexta-feira 13 por causa do Pan) o Brasil poderia finalmente ter se livrado de vários pré-conceitos que carrega. O de país do carnaval, do futebol, da falta de pudor… Poderia ter se mostrado diferente aos olhos dos milhares que nos viam ao vivo em todo o planeta. E foi o que mais se tentou na cerimônia que declarou abertos os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro. A cerimônia em si foi um espetáculo. Um show aos olhos de quem acompanhou, seja lá dentro ou em casa com os comentários dos nossos “queridos” jornalistas. Evitando mostrar aquilo que é visto lá fora como a cara do Brasil – mulheres semi-nuas e um povo fanfarrão – a organização do Pan demonstrou que temos outros artistas além dos carnavalescos por aí a fora. Um espetáculo de verdade, digno de outras belas aberturas de eventos como a de Atlanta (Olímpiadas de 1996), Sidney (em 2000) e Tokio (Copa do Mundo de 2002).

Mas, como não poderia faltar, o brasileiro mostrou seu lado feio, de certa forma sem-educação e ignorante. Como? Não, não foi lá na majestosa apresentação e nem na entrada triunfal dos atletas brasileiros que gozavam de pura alegria. Mas o público. Sim, o público, protagonista de espetáculos de arrepiar em todo o planeta e até aqui mesmo, na nossa terra. Mas nessa noite em especial, o público presente no Maracanã (diga-se de passagem, belíssimo e majestoso com nunca antes visto) fez feio ao vaiar desnecessáriamente, mais de uma vez, o Presidente da República e até mesmo a educada nota de atraso do início da cerimônia quando anunciados aos presentes. O primeiro causou a segunda, é certo. Pelo atraso do Presidente em comparecer ao local, foi necessário o atraso que, ao ser divulgado nos auto-falantes do estádio, foi recebida com vaias. E quando, enfim, a presença de Lula foi anunciada, a mesma vaia foi ouvida.

Tudo bem. Se nosso país não fosse uma nação democrática, com toda certeza não ouviríamos esse tipo de manifestação do povo. É bom saber que temos democracia o suficiente para que nenhum ato de repressão seja tomado pelas autoridades frente ao que aconteceu na cerimônia. Mas também devemos qualificar esse ato como falta de respeito. Não é porque alguns desaprovam o governo do Presidente Americano que ele é vaiado em manifestações públicas em seu país. Nem mesmo outros presidentes, muito mais odiados em nosso país precisaram de tamanho jogo de cintura para passar por uma situação dessas. Num espetáculo que deveria ser uma saudação à beleza, à cultura, ao esporte, a manifestação do público presente ao Maracanã beirou o ridículo e deve ser lembrada como o único ponto desfavorável do evento que mostrou a nós, brasileiros desconfiados, que nosso país tem sim condições de sediar grandes eventos e fazer bonito. E eu digo que deve ser lembrado ao invés de esquecido porque é com erros como esses que somos lembrados. E se seremos lembrados por um papel tão feio, não devemos nos esquecer dele e sim, fazer apagar da mente de todos os que presenciaram o lamentável fato mostrando algo belo na realização desse Pan.

Quero terminar desejando boa sorte a todos os atletas brasileiros que dão duro para serem reconhecidos e que precisam de eventos desse nível para ganhar valor. Que eles não sejam esquecidos quando o Pan terminar, mas que os brasileiros voltem seus olhos atentos para os outros esportes e invistam, incentivem e apoiem nossos atletas que disputarão as Olímpidas na China no próximo ano, que viajarão para Londres em 2012, que passarão por outros Pan-Americanos nesses próximos anos, além de competições individuais de seus esportes. E que o coração do brasileiro seja preparado para, enfim, recebermos em 2016, se DEUS permitir, as Olimpídas na nossa casa.