Hipocrisia

Sim! Se você estava no twitter há pouco minutos e chegou até aqui, já sabe do que se trata esse post! Caso contrário, deixa eu te colocar ao par das coisas: hoje, dia 30 de novembro, é em todo o Brasil o Dia do Evangélico! Isso, decrato por Lei Federal (Lei Nº 12.328), em vigor desde o dia 18 de setembro deste ano.

Bom, como cristão, e como portador de um senso crítico que tenho graças à educação que tive, sou obrigado a achar essa lei inútil! Não é um feriado, sequer um dia facultativo! Nem mesmo há grandes manifestações do povo evangélico por aí, Brasil a fora. Então qual é a questão? Se você é religioso, segue uma crença qualquer, ou mesmo se for um ateu (como alguns amigos são), você se sente no direito de defender sua crença, de professa-la, de seguí-la! Certo? Bom, isso também é garantido por Lei Federal e, inclusive, pela lei dos Direitos Humanos:

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pelos 58 estados membros conjunto das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, no Palais de Chaillot em Paris, definia a liberdade de religião e de opinião no seu artigo 18 (…)” – Liberdade Religiosa – Wikipédia

O tal artigo 18, é esse aqui:

“Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observâcia, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.” – Declaração Universal dos Direitos Humanos

Agora diz aí: se a liberdade religiosa é permitida, se temos o direito de nos manifestar, seja qual for nosso credo, por que ainda aceitamos recriminações? Por que ainda nos calamos quando somos taxados, subjugados, pressionados pelo Governo, autoridades, mídia?

A Internet se julga, ou nós a julgamos, como um veículo livre. Qualquer um pode chegar ali e “colocar a boca no trombone”, fazendo uso desse direito de se manifestar, de criticar… E de ser preconceituoso, difamador… E é isso no que a Internet tem se tornado: um enorme veículo de disseminação de ideias que, muitas vezes, são as ideias erradas.

Cada vez mais, por mais clichê que seja essa frase, as redes sociais se tornam ecléticas, heterogêneas e abrigadoras de todo o tipo de gente, inclusive aqueles que não revelam seus rostos, se fazem de tolos, vestem carapuças e tomam pra si o título de carrascos! Gente que não mostra a cara, mas usa as letras, os 140 caracteres, para dar voz à raiva, o ódio!

E não estou aqui fazendo voz somente aos evangélicos! Também são atacados nessa leva todo tipo de gente que de alguma forma “agride” a sociedade! Ou vai dizer que o caso “nordestinos” de poucos dias atrás não foi exatamente isso? Nesse episódio, uma estudante acusou todos os habitantes da região Nordeste do país de serem culpados pela eleição da nossa próxima presidente.

Da mesma forma, gays, negros, paraguaios, gente que não se encaixa nos padrões da sociedade por algum motivo, são colocados contra a parede. No fim da última semana os moradores da Vila Cruzeiro e do Morro do Alemão foram as vítimas. Quanto o BOPE fazia por lá uma operação chamada de “limpeza” por alguns, de forma generalizada, os moradores desses conjuntos do Rio de Janeiro foram colocados ao lado de traficantes, criminosos, gerenciadores de prostituição e caiu sobre eles toda a culpa do fatídico destino do Rio. Como se eles fossem responsáveis por toda a criminalidade do país.

E dessa vez, no Dia do Evangélico, os próprios foram taxados de hipócritas, de aproveitadores. Como se a culpa de toda a corrupção nas igrejas, no senado, em qualquer lugar, fosse dos evangélicos de modo geral.

Eu já disse aqui de outra vez que não me considero evangélico porque esse termo se tornou estereótipo de uma classe que dedica seu dinheiro mais do que seu tempo, que dá mais valor ao templo do que ao que habita o templo, que se preocupa mais com o futuro terreno e as riquezas deste do que com o futuro eterno e as incomparáveis riquezas dele. Sou cristão! Creio e sigo as doutrinas que constam na Bíblia! E somente essas! Mas sei que muitos dos que se dizem cristãos não fazem por onde, enganam a si mesmos e, muitas vezes, a outros!

Mas generalizar, chamar todo evangélico, cristão ou membro de qualquer crença de ladrão, de corruptor, de “pastor”, é tão ofensa quanto chamar um afro-descendente de “criolo”, de “negrinho”. Ou chamar um homossexual de “viado”, “boiola”. Doeu? Pois é, doi também em nós!

Então, antes de falar de hipocrisia, de iniciar uma campanha contra a liberdade religiosa, de culto, que nos é dada por direito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, veja quem de fato está sendo hipócrita!

“Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mt 7.1)

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