Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010)

Há muito tempo não escrevo sobre um filme aqui no blog! Mas nesse feriado prolongado, que em Curitiba é mais prolongado ainda pelo dia 8 de setembro (dia da padroeira da cidade), resolvi aproveitar a promoção da segunda-feira com ingressos a 6 reais (e 3 a meia pra estudante) e fui ao cinema. E devo dizer que entre as várias boas opções, foi difícil escolher: A Origem, Os Mercenários, O Último Mestre do Ar e vários outros. E meio que por uma escolha aleatória (na verdade foi por ter que decidir ver algum filme dublado e uma animação é sempre a melhor escolha nessas horas), acabei na sala que exibia Meu Malvado Favorito. Entre várias crianças elétricas, um som muito alto e a eterna falha da dublagem brasileira de deixar os efeitos especiais mais altos que a voz dos personagens, cheguei à conclusão de ter feito uma ótima escolha!

Uma leva de boas animações tem sido lançadas nesses últimos anos. Pra falar a verdade, desde que o primeiro Toy Story foi lançado, a Pixar e a Dreamworks tem duelado incessantemente em levar ao público histórias originais, com belíssimo enredo, engraçadas na medida certa, ótimo plano de fundo, personagens cativantes… Receita pronta e garantia de boa bilheteria! Carros, Walle, Up… Exemplos de animações que misturam perfeitamente o cômico e o drama e criam histórias cheias de lições. Não aquelas lições baratas de moral dos contos antigos, mas verdadeiras lições de valor da amizade, da ética, do cuidado com nosso planeta. Mas tudo acabou se tornando tão clichê que a coisa começou a ficar previsível…

Esse ano nenhuma animação conseguiu me arrastar para os cinemas. Cheguei a ir para ver Ironman 2, Esquadrão Classe A e Prince of Percia (todos muito bons, pra caras como eu que amam blockbusters). Mas nem mesmo o aguardadíssimo Toy Story 3 foi suficiente para me fazer sentir motivado. A explicação é uma só: a onda 3D! Eu simplesmente não suporto mais ouvir falar desse ou daquele filme, aquela cena, aquele trecho… Tudo 3D!

Tudo agora se resolve de modo fácil: um filme qualquer com uns efeitinhos 3D vira campeão de bilheteria. Não, isso não é sobe Avatar e não irei começar aqui uma discussão sobre plágios, orçamento exacerbado e uma chance de engatar uma trilogia bilionária. Eu gostei de Avatar, mas não vi 3D. Aliás, não tive coragem ainda de pagar mais de 20 reais numa sessão 3D para filme algum…

Acontece que quando vi o trailer de Meu Malvado Favorito e sua simples menção de que o personagem central da história seria o vilão, algo me pareceu tão fora dos clichês… Um vilão que no fundo não era assim tão mau. Um vilão que se mete numa trama tão cheia de boas sacadas que simplesmente não dava para não ir ver. E quase deixei pra ver outra hora. Mas foi, sem dúvida, minha melhor sessão de cinema esse ano.

Como isso aqui não é uma crítica de um site sobre cinema, não vou me ater a contar detalhes ou fazer análises detalhadas (eu larguei o jornalismo, lembram?). O roteiro do filme é simples: O temível Sr. Gru é um vilão de meia-idade que nunca engatou um grande plano maléfico. Ele é auxiliado pelo Dr. Nefário e pelos minions, pequenas coisinhas amarelas altamente viciantes de tão engraçadinhas. Em seu plano para se tornar o maior vilão de todos os tempos, Gru decide roubar a Lua. Mas ele tem um arque-rival: um jovem vilão chamado Vetor que fará de tudo para sabotar seu plano. Em meio à disputa de poder entre os dois vilões, três garotinhas órfãs, Margô, Agnes e Edith, acabam se envolvendo e são adotadas por Gru como parte de seu plano maquiavélico. As três garotinhas não só mudam toda a rotina de vilania de Gru como acabam amolecendo seu coração e dão outra direção aos planos do malévolo.

Na dublagem brasileira, apesar de todos os ‘ senão’ que sempre me aborrecem (como o som exageradamente alto dos efeitos de explosões que se sobrepõe às vozes, por exemplo), há sempre uma enorme vantagem: sobra tempo para se ver os detalhes das cenas… Aqueles detalhes que se perdem quando temos que prestar atenção nas legendas. E nas animações esses detalhes são fundamentais. Em Meu Malvado Favorito então, elas são o ponto em que está toda a graça. Não dá pra perder um minuto sequer dos minions em cena.

Confesso que me apaixonei pelas boas gargalhadas do garotinho de uns 2 anos que estava ao meu lado e que isso me fez repensar o estar ali no meio daquela criançada (eu já disse que era a sessão das 22 horas e que estava lotado de crianças e pais?). Nunca tive problemas com crianças. Na verdade, eu gosto bastante e sonho muito em ter meus próprios filhos. Mas pra ver filme, sempre preferi o silêncio. Às vezes até prefiro ver sozinho em casa… Mas de alguma forma sentia falta de ouvir essa euforia infantil. Me fez me sentir um pouco mais velho, mais adulto, e pensar bastante numa série de coisas importantes.

O filme em si também é uma enorme lição, como tinha que ser. Enquanto se aproxima das meninas, Gru vai aos poucos percebendo a importância das crianças em sua vida. Aquele seu lado durão, de grande vilão do mau, vai aos poucos cedendo ao cara bom que ele na verdade era. A doçura das meninas, o jeito como aos poucos elas começam a se identificar com ele, e como o lado paternal dele vai aos poucos se mostrando, põe em cheque toda essa cultura que temos vivido em que as próprias crianças tem se tornado cada vez mais adultas e como o mundo delas tem ficado tão parecido com o nosso.

Acho que já deu pra perceber que o tema aqui não é bem o filme em si, não é? Por incrível que possa parecer, assistir à essa produção me fez pensar demais e refletir sobre como tem sido nossa relação com nossas crianças. As três garotinhas do filme são exatamente como as crianças tem que ser: carentes, bagunceiras, querem atenção, querem companhia para brincar, querem alguém para contar histórias, querem um adulto para ser exemplo em suas vidas. E quando acham em Gru esse alguém, as meninas começam a moldar a personalidade dele para que ele seja esse referencial.

Faço essa crítica me colocando na posição de adulto. Talvez seja a primeira vez que vejo a mim mesmo dessa forma, como responsável pela formação do caráter das crianças, como referência pra elas, como alguém que pode se exemplo de como fazer o certo… E o que nossa sociedade tem sentido mais é uma enorme carência disso. Nós temos sido os malvados favoritos de nossas crianças, que acabam nos imitando e sendo tão más quanto nós. Nas corrupções que tanto gostamos de apontar, esquecemos de falar daquelas que estão no nosso dia-a-dia e que nossas crianças têm aprendido.

No fim do filme, Gru se torna um herói. Não vou contar como para não estragar tudo, mas vale a pena dizer que o fim do filme é o final perfeito de uma lição que deve permanecer não só nas nossas risadas durante o filme, ou nos comentários e críticas dos jornais. Essa lição é daquelas que deve começar um diálogo que dê origem a uma mudança de pensamento. Eu quero ser exemplo para nossas crianças. Não de um malvado legal, mas de uma boa pessoa, com boa índole, honesto, responsável. E quero que meus filhos vejam em mim esse tipo de pessoa e aprendam a ser assim. Quem sabe no futuro eles também não sejam capazes de mudar a sociedade simplesmente agindo diferente?

Pra fechar, deixo aqui uma amostra do filme, para você que talvez ainda não tenha assistido. Confira o trailer de Meu Malvado Favorito:

PS.: Acho que nunca achei tantos sinônimos para mal, maldoso, maléfico e etc.

2 opiniões sobre “Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010)”

    1. Nossa, um post dos antigos revisitado? Thanks, moça!

      Vai lendo aí que alguns dos artigos aqui são legais e nem são tão polêmicos!! hahaha…

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