urna

Feriado Nacional

Parte A

É… As eleições estão aí! E como todo ano eleitoral, as disputas acirradas, os debates, as conversas afiadas, as discussões do bar, as palavras esquentadas no trabalho… É como discutir futebol! Para o brasileiro, não é só uma questão de gosto ou opinião: é uma questão de honra! Chega a ser passional! “Futebol, religião e política não se discute!”, diz o ditado.

Toda essa briga entre PT e PSDB não é nova pra nós brasileiros. De fato, nos últimos dezesseis anos essa briga foi uma constante. Vimos de um período de 8 anos de governo de um partido e outros oito do partido oposto. Foi tempo mais do que suficiente para conhecer como é o governar de cada um, seus prós e contras, suas vantagens e desvantagens. Foi tempo em que observamos políticas e politicagens acontecendo, percebemos o poder das influências nos mandos públicos e, talvez o mais importante, notamos que não há tanta diferença assim entre o governo e a oposição, entre a direita e a esquerda, entre os elitistas e os populares. Burgueses ou oligarcas, todos governam para si, não para o povo. E assim as coisas são desde a Revolução Francesa.

Não, meu caro, eu não vou fazer campanha política aqui e não vou tentar te fazer votar neste ou naquele partido, mas espero levantar questões de extrema relevância para a sobrevivência do nosso direito de voto, da nossa democracia verdadeira.

A democracia consiste em dar poder ao povo para decidir o rumo de sua própria história. Através da eleição dos governantes, nós colocamos sobre eles o direito e o dever de zelar pelo nosso bem, pela condução de nossas vidas no que diz respeito à vida em sociedade. Na verdade, cada um é responsável por si. Cabe ao governo zelar por aquilo que é de todos, de direito de todos. Do dever de todos, cuida a justiça. Saúde, educação, trabalho, segurança e sustento: nisso consiste a responsabilidade do governo. Se o governo provê essas coisas ao povo, é um bom governo. Se não as provê, é um governo falho. Muitas vezes, não é possível ao governo sozinho manter a população com todos esses direitos. Temos diversos países que não são capazes de se manter, infelizmente. Outros têm de sobra e fazem bem feito o papel de cuidar (e de colocar nas alturas o IDH de seu povo).

"Amanhã vai ser outro dia!"
Manifestantes vão às ruas pedir as eleições diretas para presidente

Mas por democracia também se entende o direito de mudar o rumo das coisas quando elas não vão bem. Um exemplo claro disso foi o Impeachment do ex-presidente Fernando Collor, deposto de seu poder pela manifestação do povo e pelo mover que isso causou na política do nosso país. Vale lembrar que esse movimento não foi o primeiro a mudar as coisas. Anos antes, o povo foi às ruas clamando pelas eleições diretas para escolha de seus governantes e suas “preces” foram atendidas. Isso também é democracia.

Aristóteles foi o cara que disse pra todo mundo o quer era democracia
Aristóteles foi o cara que disse pra todo mundo o quer era democracia

Democracia é também ter consciência do que se está fazendo. Nesses dois exemplos dados acima, o povo foi conduzido por mentes pensantes que conscientemente mobilizaram uma ação nacional que culminou nas mudanças da nossa história. Por trás dessas mudanças havia homens influentes, capazes de arrebatar as multidões ao seu lado e fazer toda a nação lutar ao seu lado.

Se na nossa história não há muito do que se orgulhar, nem no nosso “Descobrimento”, nem nossa “Independência”, muito menos na “Proclamação da República”, que nada mais são do que motivos para ganhar uma “folguinha” no meio da semana, temos muito do que encher nosso peito e comemorar o dia em que ganhamos direito de votar, de decidir nosso futuro. Esse dia, sim, deveria ser um Feriado Nacional!

Tendo isso em mente, quero te convidar a analizar o modo como você está usando o seu direito. Está votando passionalmente, baseado em fatos divulgados pela imprensa brasileira, tão tendenciosa e parcial quanto a maior parte da imprensa mundial, mas incapaz de assumir isso, ou está votando com consciência, sabendo que sua opinião, seu voto, é capaz de mudar o rumo dos acontecimentos?

Se você está insatisfeito com toda a corrupção, com toda a falta de caráter com que temos sido governados nos últimos anos (ou em toda nossa história), é a hora de se manifestar. Ou se você acha que o Brasil nunca esteve melhor e que nunca antes na história do nosso país as coisas andaram tão bem, faça valer seu voto pela continuidade, pela manutenção do poder vigente. Ou se você acha que está na hora de uma grande mudança, de uma radical transformação, do tipo água para o vinho (ou do capitalismo para o socialismo, para ser mais direto), levante sua voz, sua bandeira, mas vote sabendo no que você está votando. No final, mais do que um chavão, você é quem decide quem leva a faixa presidencial.

Parte B

Eu sempre me considerei um cara de direita. Um capitalista nato. Afinal, eu faço parte do grupo da sociedade que provoca o consumo, que estimula, que aguça a massa. Desde meus tempos de vídeo-game, anime e futebol, sou, antes de tudo, consumidor! E um professor esse ano me fez ver isso muito bem. Antes de sermos cidadãos, somos consumidores! Sei que isso pode soar muito controverso depois de tudo o que já escrevi na primeira parte desse texto, mas creio que, pelo modo como vivemos na nossa sociedade, foi nisso que nos tornamos.

Como consumidores, nós temos o hábito de escolher o melhor, de encontrar o produto que melhor nos agrada e usá-lo do jeito que achamos melhor. Mas quando o produto não oferece o que promete, reclamamos nossos direitos de consumidores, com toda a razão. Na política também tem sido assim. Compramos nossos governantes pelos seus anúncios, escolhemos o que nos parece melhor e quando ele não funciona direito, reclamamos do produto.

O que nós esquecemos é que um produto é fabricado por alguém e pode ter falhas na sua produção. Quando essas falhas acontecem, a culpa é do fabricante, claro. Ele é responsável por corrigir, fazer a troca, repor, consertar, ou seja, fazer o que for necessário. Mas quando o político não funciona, a quem reclamamos? Como já citei, temos ao nosso lado a própria lei que nos permite retirar do governo um mau governante. Mas poucas vezes ousamos fazer valer esse direito.

Mas como consumidor, tenho visto cada vez mais que minha obrigação de cidadão tem ficado de lado e que nosso compromisso com a própria sociedade é fazer valer nosso poder de voto, pelo bem do nosso povo. E como consumidor, tenho visto que a péssima qualidade dos produtos à nossa disposição na política tem desanimado muitos outros consumidores de consumir. A própria corrupção tem afastado o povo da democracia. Aí se percebe a falha do sistema.

Como cidadão, vejo que é hora de mudar o próprio sistema. Na época de escola nós aprendemos o que é um sistema de governo. Há alguns anos nós tivemos a oportunidade de fazer essa mudança e votamos por manter o sistema presidencialista. Na época eu, ainda com 7 anos de idade, vi meus meus pais votarem no sistema parlamentarista que ainda hoje, 18 anos depois, creio ser o sistema ideal.

Cavalo Preto x Cavalo Branco
Às vezes parece um jogo de estratégia essa coisa de direita versus esquerda

Se nosso sistema econômico é capitalista, acho pouco provável uma mudança para o socialismo. Não que eu considere o socialismo utópico, pois acho que é possível que ele funcione, se primeiro o povo for conscientizado. Mas antes nosso povo precisa ver o governo como ele deve ser, ou adotamos um sistema anarquista de vez. Perceba que não estou falando dos conceitos distorcidos de socialismo e anarquismo, mas de suas ideologias originais. Inclusive, como cristão, não posso deixar de mencionar o exemplo bíblico que sugeria uma sociedade socialista – nos moldes cristãos – e anárquica, uma vez que não tinha presença de um governo entre eles, mas líderes que conduziam conscientemente o povo. Essa seria a sociedade ideal. Porém, muito precisa acontecer até que se chegue lá.

Acho engraçado ver, de verdade, um enorme levantar de vozes no meio cristão, principalmente protestante, de muita gente que tem zelado por uma nova cultura cristã, por uma maneira de pensar tão diferenciada, tentando impor um voto comum a todos e colocando determinada candidata quase como que obrigatória aos “fiéis”. Não creio que o caminho seja bem esse. Nem creio que eleger um candidato socialista vá mudar a consciência do povo. E muito menos creio que eleger a manutenção de qualquer um dos governos dos últimos 16 anos seja a saída.

Peço, encarecidamente, a você eleitor, cidadão brasileiro, como uma pessoa consciente de seu dever, tendo em mente a democracia e o poder de sua escolha, sabendo do real significado desse poder, que você não vote simplesmente como consumidor. Que você não vote passionalmente. Que você não vote com o coração (como muitos andam apregoando por aí), mas com a razão. Vote escolhendo de verdade o que você quer para o futuro do nosso país. Vote não na história dos candidatos, pois a história das pessoas muda. Vote não no passado, ou nas promessas de futuro que nós todos sabemos que poucas serão cumpridas. Vote no presente, no que cada um tem feito de verdade, no que cada candidato tem demonstrado. Vote no caráter. Seja deputado, seja governador ou presidente. Seja nas próximas eleições, escolhendo o vereador da sua cidade e o prefeito. Seja nas escolhas da sua comunidade. Escolha com sabedoria! Faça jus ao seu direito de escolher quem será autoridade sobre sua vida! Sua escolha é que decidirá quem irá decidir daí em diante por você!

4 opiniões sobre “Feriado Nacional”

  1. O texto é grande, mas eu li tudo! rsrs Gostei do seu texto, muito mesmo, porque tenho afinidade muito grande com o que pensa e com o que diz aqui. Aliás, tenho defendido com unhas e dentes tudo isso que vc diz e creio que está havendo uma crescente no número de pessoas que pensam assim. Ou pode ser só uma percepção minha, já que formas semelhantes de pensar. Antes de mais nada, já lhe sugiro a leitura desse texto: http://bit.ly/doZRaS

    Voltando à pequena discussão que houve pelo twitter, a respeito do 7 de Setembro e do orgulho de ser brasileiro. O orgulho de ser brasileiro nada tem a ver com o dia da independência, com o dia do “descobrimento” ou proclamação da república. Porém, são símbolos nacionais e um dos maiores erros do brasileiro, ao meu ver, é não saber valorizar a grandeza da sua história, e isso conspira contra a sua própria grandeza, levando o seu povo a ignorância, desvalorização e desinteresse.

    Por isso, poucos sabem o que faz um deputado federal, estadual, senador ou presidente. Faça uma breve enquete e pergunte como as pessoas escolhem seu candidatos. Pergunte se eles leem as propostas dos prováveis governantes e representantes. Pergunte se gostam de política. Infelizmente, verá que muitos vão responder: “voto no primeiro santinho que eu pegar na rua no dia da eleição. É tudo corrupto mesmo e nada vai mudar”. É óbvio que não vai mudar! Esquecemos que os eleitos são eleitos pelo povo e, logo, são partes do povo. Os que estão no poder são um simples reflexo da corrupção que nós cometemos a cada dia (cada qual, é óbvio, com sua devida proporção de poder). E, talvez, uma das maoires corrupções é a negligência do seu voto. E isso tem a ver com orgulho. Se não há orgulho de ser brasileiro, não se dá valor ao Brasil e ficaremos na mesma. E esse orgulho começa em valorizar aquilo que simboliza o nosso país para um dia nossas bandeiras não se pendurarem pelas janelas e carros somente de quatro em quatro anos, presos ao grito de gol, mas quando quando forem penduradas todos os dias e a alegria de ser brasileiro seja lembrado por cada um. O dia que isso acontecer, celebraremos o direito do voto, o direito de escolher, de sermos politicamente independetes e, principalmente, do direito de governar, fazendo com que o voto seja apenas o início de um ciclo.

    Abraço!

  2. Ah, só mais um acréscimo ao meu nada pequeno comentário anterior: Cara, pra mim, mais importante do que poder votar é o poder de discutir e defender suas idéias. Nas últimas eleições para prefeito, por exemplo, eu sabia que não iria votar (meu título é de Lavras). Mas isso não impediu de discutir e influenciar a outros com o que eu pensava. Eu não votei (justifiquei), mas acho que levei alguns colegas a votarem por mim em quem eu defendia. Faça o mesmo. O direito do voto não é só no momento da urna rsrs.

  3. Marcus,

    primeiro tenho que te dizer que é uma honra pra mim ter seu comentário nesse blog. Devo dizer que muito dessa minha veia que me inspirou a ter um blog, a fazer design, a amar comunicação e ser tão questionador sobre todas as coisas que envolvem sociedade, política e religião veio da nossa amizade e dos tempos em que conversávamos essas coisas despretensiosamente no Ensino Médio.

    Realmente acredito no poder de influenciar os amigos de forma positiva, fazendo com que eles enxerguem de forma diferente as coisas à nossa volta, a forma como nossa sociedade tem se formado (ou deformado) e fazer valer nosso direito de voto para que haja uma chance de mudar! Se não acreditasse assim, não teria escrito esse texto.

    Como você, penso que posso não votar, mas conscientizar as pessoas a votar bem, votar em pessoas honestas, justa, de caráter e que podem de verdade fazer diferença. Por mais que possa parecer balela, bobagem, eu acredito que há gente que pode fazer a diferença na política e até me sinto como uma dessas pessoas! Creio que, talvez um dia, quando eu estiver mais maduro, mais experiente, possa contribuir com a sociedade na política. Eu sinto que tenho essa veia. Mas não pra agora!

    Enquanto isso, me limito ao ato de buscar o meu melhor e o compartilhar com os amigos, os que posso influenciar, através de textos como esses ou de boas discussões. Sadias discussões!

    Quanto a decidir por quem votar e levantar uma bandeira, creio que não seja a hora! Eu realmente penso se eu votaria em alguém nessas eleições! Para presidente ou governador (em Minas, minha terra), não vejo em quem votar. No Paraná, sequer conheço os candidatos ou as necessidades do estado. Para Senador, tenho minha preferência, mas não coloco minha mão no fogo por ele. Deputados então, nem se fala… Desconheço a maior parte dos candidatos e tenho vergonha do restante deles dizer que pode representar meu estado (ou os outros em alguns casos).

    Me dei o direito de, esse ano, influenciar o pensamento e o voto das pessoas através da criação de uma mentalidade democrática, cidadã e com compromisso com o dever que nos foi outorgado! Sim, dever, pois se não o fosse, possivelmente teríamos uma parcela mínima da população votando e essa parcela decidiria pelos demais! Enquanto o Brasil não for consciente o suficiente pra votar por si, o voto deve continuar sendo obrigatório! Isso só deve mudar quando o povo for capaz votar por crer que faz parte do processo.

    Abs!!

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