Puny Parker


Não é de hoje que eu acompanho Vitor Cafaggi e sua excelente abordagem de um universo amado por milhares em seu blog intitulado Puny Parker. Como diz o próprio, “uma fanfic¹ sobre o garoto que se tornará o Spider-Man”! Em seu blog, que já faz parte dos links indicados do [estereo]tipo já faz tempo, Cafaggi aborda o dia-a-dia do pequeno Peter Parker (daí o título puny, que significa pequenino) com situações inusitadas que poderiam ter acontecido com o jovem em sua infância cercada por personagens que, mais tarde, se tornariam tão importantes na saga do herói.

Cafaggi, mineiro de belzonte, desenha como um cartunista daqueles que ganham prêmios por todo mundo, mas preserva sua simplicidade e humildade quando fala de seu próprio trabalho, coisa comum em seus comentários em respostas a centenas de seguidores. Assim como eu, vários outros fãs do aracnídeo também se tornaram fãs do blog.

Cafaggi brinca com a capa do disco dos Beattles

Lembro de quando acessei o site pela primeira vez, indicado por um amigo, e me deparei com as excelentes histórias. Na época, Vitor encerrava a primeira temporada do blog com um excelente desfecho. Li toda a saga num só dia! E vivi a ansiedade do início da nova temporada como quem acompanha LOST (por sinal, tô super ansioso com a estréia da 6ª temporada, hehehe)!

Brincando com tudo o que faz parte da cultura pop, principalmente de quem viveu a infância e a adolescencia nos anos 1980 e 1990, Cafaggi explora momentos que nos levam a lembrar de “De volta para o Futuro”, “Karate Kid”, os quadrinhos da época, e boas sacadas de cenas dos filmes e desenhos do escalador de paredes. As melhores, pra mim são:

O pequeno Parker pensa na vida

Mas a grande sacada mesmo das tirinhas de Cafaggi são seus significados. Além de ter sacadas inteligentíssimas que misturam a cultura dos anos 1980, contexto vivido pelo jovenzinho, às situações do universo Aranha, o cartunista ainda joga diversas vezes com os sentimentos do garoto em relação à vida, amor, família… E torna Parker um garotinho sonhador, afetuoso e meigo – uma visão nada típica de um herói.

Me surpreendi muito, é verdade, no dia em que o cara resolveu abrir um parentese na sua saga para falar de sua vida pessoal em público! Talvez um dos posts que mais me fez pensar até hoje num blog qualquer. No post do dia 4 de julho deste ano Cafaggi mostrou que sua veia sentimental não funciona só com seu persoangem, mas é reflexo de tudo o que ele próprio é: um cara bacana, oriundo dos excelentes anos 1980, à moda antiga (pô, rasguei seda pro cara aqui). Assim como eu (ah, tá explicado! hehehe…) (intitulado “Off”, esse é O post: http://punyparker.blogspot.com/2009/07/off.html).

Por seu excelente trabalho, Cafaggi teve diversos destaques em blogs dos mais diversos gêneros e foi sempre aplaudido (http://punyparker.blogspot.com/2009/05/puny-em-destaque.html). Talvez por isso demorei tanto a falar dele aqui (quem sou eu, afinal, para falar de Puny Parker?)… Mas não podia deixar de comentar sobre essa história que venho acompanhando de perto por esses longos meses, sempre me divertindo muito com tudo.

¹Fanfic é a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, “ficção criada por fãs”.

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The Matrix – 10 anos


Desde o começo desse ano que estou programando esse post e ele nunca saía. Por mais incrível que possa parecer, acho extremamente difícil falar sobre “The Matrix” sem me deixar levar por devaneios, emoções diversas e muitas outras coisas mais. Por isso procrastinei enquanto deu. Porém, não dava pra fechar o ano sem escrever sobre o filme que, pelo menos pra mim, foi o mais importante de todos os tempos na história do cinema.

Cartaz publicitário do filme

Há pouco mais de dez anos, precisamente no dia 02 de abril de 1999, estreava nos cinemas americanos o que viria a ser um dos maiores sucessos da história do cinema. Contestado, discutido, plagiado e fonte de inspiração pra tantas obras mais, “The  Matrix” (no Brasil simplesmente “Matrix”) surgiu com um conceito totalmente novo para filmes de ação. Mas não só isso, toda a cenografia, os diálogos altamente filosóficos e os conceitos e ideais transmitidos no filme se tornaram um marco.

A história narra a saga de Thomas A. Anderson (Keanu Reeves), um homem que vive, do lado de fora dos computadores, a vida de um pacato programador de uma grande empresa. Do lado de dentro ele é Neo, um perigoso hacker procurado pelo FBI. O que o jovem de cabelos escuros não sabe é que nada nessa vida que ele vive não é real.

Durante o filme, ganhador de 4 Oscars, somos levados à um futuro onde homens e máquina duelam pela sobrevivência numa guerra que dura aproximadamente há dois séculos. Neo conhece a verdade sobre esse mundo conduzido por Morpheus (Laurence Fishburne), um dos principais hackers do que ele chama de ‘A Matriz’ (na versão brasileira, mantiveram o nome em inglês Matrix), um sistema criado para aprisionar os seres humanos e gerar a energia que alimenta as máquinas. Dentro desse sistema, os humanos são levados a crer que vivem no mundo real por um mecanismo que prende suas mentes virtualmente. Do lado de fora, uma verdadeira guerra acontece entre os humanos que se libertaram da Matriz e as máquinas. Segundo Morpheus, Neo é O Escolhido (The One) para acabar de vez com a tal guerra. Uma espécie de messias, ou o cumpridor de uma professia.

“The Matrix” coloca em cheque uma série de conceitos sobre o real e o imaginário, traz à tona ideias que vem de Platão (o Mito da Caverna), se misturam com mensagens do budismo e cristianismo, com previsões de um futuro governado por máquinas (a la Isaac Asimov) e um cenário underground típico de aventuras sci-fi (ficção científica). Exatamente por essa mistura de dar medo é que o filme fez tanto sucesso, foi tão criticado, tão visto e fez um tremendo estardalhaço.

Agentes

Nos anos seguintes, muita coisa no cinema mudou devido ao uso das tecnologias adotadas primeiro pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, diretores, produtores e roteiristas da trilogia que se formaria em seguida. The Wachowskis (como são conhecidos desde a mudança de sexo de Larry, agora Lana) são fãs de tudo o que tem a ver com cultura pop, desde Tolkien até mangás, passando por kung-fu, bang-bang e outras coisas nerds. E exploram tudo isso o tempo todo em “The Matrix”.

O filme foi não só uma sensação nos cinemas, mas fora das salas, originando uma franquia similar à de “Star Wars” ou “Star Trek”, tão idolatrada como elas. Jogos para PC (“Enter the Matrix”), bonecos de brinquedo, sátiras, adaptações e até uma inusitada continuação em versão animé (“Animatrix”, lançado em 9 episódios em desenho animado no estilo oriental) apareceram. “The Matrix” também serviu para alavancar a carreira dos protagonistas Keanu Reeves e Laurence Fishburne, além de lançar vários outros atores ainda desconhecidos do grande público como Carrie-Anne Moss (Trinity) e Hugo Weaving (Agente Smith).

Keanu Reeves como Neo em "The Matrix Reloaded"

Keanu Reeves, inclusive, vinha de bons momentos anteriores com o sucesso de filmes como “Advogado do Diabo” (“The Devil’s Advocate”, 1998) e “Velocidade Máxima” (“Speed”, 1994). Mas só depois de “The Matrix” passou a ser considerado ator de primeiro escalão em Hollywood. De lá pra cá o ator perticipou de outros 18 filmes, quase sempre como personagem principal. No próximo ano Reeves deve lançar mais dois trabalhos (“47 Ronin” e “Henry’s Crime”).

Se você ainda não viu “The Matrix”, é bem provável que você terá que ver. Se não por obrigação de escola, pelo menos pra você conhecer um dos filmes que se tornou um clássico e que será comentado por pessoas como eu por muitos e muitos anos. Uma boa forma de começar e vendo o trailer do filme. Divirta-se!

Entendendo a catástrofe de 2012


Cartaz de "2012": "Quem será deixado para trás?"

Criei coragem ontem e finalmente fui ver o tão anunciado “2012” nos cinemas. A falta de coragem anterior foi por ouvir tantas críticas a respeito do filme que acabaram com toda a minha expectativa criada antes. Falaram tão mal dele que achei que seria um péssimo filme. E não foi. “2012” cumpre o combinado: diversão, efeitos especiais fantásticos, uma história densa focada não só num personagem, mas em várias situações que se misturam e fazem da trama 2 horas e meia nada cansativas. Porém o filme realmente peca em alguns aspectos. Não sou de fazer spoilers quando falo de filmes. Nem gosto que me contem e não faço o mesmo com ninguém. Então pode ler sossegado o que vem a seguir.

A começar pelos créditos, “2012” já surpreende. O filme tem uma introdução totalmente diferente do que se espera e nos conduz a entender o que se passa no período entre 2009 (ano atual) e 2012 (ano anunciado de todas as catástrofes). Daí pra frente, o filme desenrola um desencadeamento de acidentes, incidentes, catástrofes das mais diversas formas que são causados pelo Sol. Sim, essa é a premissa do filme: o Sol como grande vilão do fim do mundo, assim como previa uma tal profecia maia. Aliás, quem pensa que o filme fala dessa tal profecia até cansar, se engana. Poucas vezes no filme ela é citada e nem mesmo é bem explicada. Por isso, aí vai a explicação detalhada do assunto, que é o verdadeiro tema desses post.

Templo Maia

Certo tipo de crença que mistura astronomia, arqueologia, mitologia, numerologia (e outras cositas más) conhecido como “Fenômeno 2012” afirma que haverá nesse fatídico ano um evento de proporções não só globais, mas que envolverá parte do nosso Sistema Solar. Esse evento acarretará diversas mudanças em nosso planeta podendo causar inclusive a extinção da vida por aqui. Nenhum cientista em sã consciência leva a sério essa teoria.

O fundamento principal da teoria é um dito “calendário maia”, que na verdade nem maia é, que teria sido calculado de forma que seu fim seria aproximadamente entre 21 e 23 de dezembro de 2012. O tal calendário, que na verdade era um calendário comum aos povos mesoamericanos (maias, astecas e incas), se baseava num sistema completamente diferente de contagem:

O calendário de conta longa identifica uma data através da contagem dos dias desde 11 de Agosto de 3114 a.C. (no calendário gregoriano proléptico). Em vez de utilizar um esquema de base 10, como a numeração ocidental, os dias da contagem longa eram contabilizados através de um sistema vigesimal(que ia de 0 a 19 , diferente do nosso decimal que vai só até 9). Assim, 0.0.0.1.5 é igual a 25, e 0.0.0.2.0 é igual a 40.

Sistema vigesimal de numeração

No entanto, a contagem longa não é consistentemente de base 20, uma vez que o segundo dígito a contar da direita apenas conta até 18 antes de voltar a zero. Assim, 0.0.1.0.0 não representa 400 dias, mas sim apenas 360. (Wikipédia)

Assim sendo, o dia 21 de dezembro de 2012 coincidirá com a data 20.20.20.18.20 do calendário maia, o último possível duma série de mais de cinco mil anos, ou seja, o fim de um ciclo.

Para os seguidores da Nova Era, o ano de 2012 marca o início de uma transformação física ou espiritual positiva, uma transição para uma nova era (a tão aguardada Era de Aquário) que substituirá a Era de Peixes (mais informações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Era). Porém, para muitas outras crenças, 2012 poderá ser o início de uma fase mais temível conhecida como Apocalipse, ou o Fim dos Tempos.

Muito se tem discutido sobre o assunto na Internet hoje. Várias vezes o assunto se torna motivo de brigas entre blogueiros, entre seguidores de diversas crenças e entre fanáticos do assunto. Inclusive o momento aproveitado para o lançamento de 2012 gerou ainda mais discussões após causar pânico entre alguns. O motivo: quando começou a circular, o trailer do filme acusava os governos de não divulgar à população que o fim do planeta estava próximo. Muita confusão por pouca coisa. Afinal, ninguém se lembra de quando Orson Welles leu “A Guerra dos Mundos” (de H.G. Wells) ao vivo na rádio CBS, em 1938, causando o maior reboliço? (Confira essa história aqui: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,956037,00.html).

A grande questão aqui é que mais uma vez Hollywood se aproveita de uma boa história, repleta de misticismo, e faz uma super produção digna de levar alguns Oscar’s (aposto que pelo menos em Efeitos Especiais – ou seja lá qual for o nome dessa categoria agora – eles levam a estatueta dourada).

Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fen%C3%B4meno_2012 (acesso em 12 de dezembro de 2009) e http://pt.wikipedia.org/wiki/Contagem_longa (acesso em 12 de dezembro de 2009).

Corruptos somos nós


redação sugerida pelo tema do ENEM 2009 (“O indivíduo frente a ética nacional“).

Mala de dinheiroCerta vez ouvi um professor dizer que ‘o ser humano reclama da corrupção da qual não participa’. Engraçado pensar que todos os dias atiramos pedras contra nossos políticos, empresários de sucesso, os líderes da nação, sempre julgando e os culpando por toda corrupção do nosso país. Nos esquecemos que os culpados por tudo isso somos nós. Que esses líderes saíram do meio de nós. Que somos nós que crescemos tentando enganar os professores, colando na escola e levando o crédito por algo que alguém fez. Que somos nós que, no trabalho, vivemos tentando passar a perna em um companheiro para ganhar a promoção, o salário melhor. Que somos nós que sonegamos impostos, que compramos CDs piratas, que dizemos que a mercadoria foi mais barata na nota fiscal. Que somos nós que ensinamos nossos filhos a serem ‘espertos’. Somos nós.

Agora me diga: quantas vezes não sonhamos com aquele cargo, aquele trabalho sossegado que todo funcionário público tem (ou que pensamos ter) em que se trabalha pouco e ganha muito bem? Quantos de nós não faríamos de tudo por uma vaga num disputado concurso público? Nunca se ouviu falar tanto quanto nos dias de hoje sobre esses tais concursos. É nossa ‘humanidade’ falando mais alto. Sim, humanidade. Ou você pensa que isso é coisa só de brasileiro? Corrupção não é exclusividade nossa. Desde os tempos egípcios, babilônicos, gregos, romanos, sempre ouve corrupção. Ou você nunca ouviu que “há algo de podre no Reino da Dinamarca?“. Até Shakespeare sabia…

Mas como mudar esse quadro? Tem solução? Às vezes pensamos que não. Que o mundo é do jeito que é e que nada fará diferença. E nossa consciência cidadã, nossa moralidade, ficam aí, dilaceradas pelo que vemos na mídia todos os dias. Nosso povo continua a valorizar aquilo que é errado, que é imoral. Se nossos ídolos continuarem a ser ‘brothers‘ de vida fácil, qual será o caráter das futuras gerações?

O que devemos fazer é criar em nossa sociedade uma cultura nova, uma nova consciência que mostre que não é sem trabalho duro que se conquista o sucesso, mas com suor, com esforço. Que o que devemos almejar para nós é uma vida de dedicação, de honestidade. De que conceitos e valores de ética são passados dentro de casa, nas escolas e em todo lugar. Até mesmo nossa mídia tem que mudar.

Pode parecer que estamos nadando contra a maré. Que é uma utopia pensar assim, mas temos provas de que o ser humano pode ser justo, honesto, íntegro. Quantas histórias não conhecemos de homens e mulheres assim? De gente que cresceu em meio à pobreza e fez seu próprio caminho. De gente que não se deixou envolver pela sujeirada do congresso, do senado, do poder, da fama, dos holofotes cegadores do sucesso. Ou só vemos aqueles que se sujaram? Que participaram dos trambiques, do desvio de verba, do roubo digital, do imposto sonegado? Às vezes parece que só nos lembramos destes. E que nos impressionamos tanto com a sagacidade deles que, primeiro, os acusamos e queremos apedrejar. Logo depois nos perguntamos o que faríamos se estivéssemos em seus lugares. E não se espante se a resposta em sua mente for “a mesma coisa”!

Nossas escolas, nossa educação, nossa mídia (seja impressa, na TV ou na Internet), nossa sociedade como um todo, devem entender que, como pais, amigos, criadores do senso de moral que ficará para a próxima geração, precisamos mudar. Que a ética, a moral do nosso país depende do que ensinamos, do que vivemos. Ensinar honestidade é mais do que falar sobre ela, é agir e demonstrar em todas as coisas. Mesmo diante de toda a onda de corrupção que nos rodeia. É valorizar aqueles que conseguem andar na direção oposta da tempestade de areia e ser exemplos de gente que faz diferença no nosso país. Os responsáveis por essa mudança? Somos nós.

“A corrupção vem com a riqueza”.
Honoré de Balzac

“A corrupção na democracia começa no fato de uma classe fixar os impostos e outra pagar”.
W. E. Inge

“O mais escandaloso nos escândalos é que nos habituamos a eles”.
Simone de Beauvoir

“Todos somos corruptos. Ninguém pode atirar a primeira pedra”.
Mário Amato