Estereótipo Musical

Na nossa sociedade, tornou-se sinônimo de uma tribo urbana o estilo musical adotado pelo grupo. Assim, um grupo que anda de camisetas pretas, geralmente com logos de bandas, normalmente tem cabelos grandes e costumeiramente são mais fechados do que outros grupos é tido como uma tribo de “metaleiros” (ou, menos pejorativo, head bangers, literalmente “batedores de cabeça”). Da mesma maneira, o grupo que se veste seguindo uma cultura pop japonesa que tem crescido na cultura ocidental, geralmente com franjas enormes, cabelos coloridos e muita maquiagem, são chamados de “emos”. As duas denominações são extremamente estereotipadas e englobam muito mais do que a maneira de se vestir, ou o estilo de cada grupo. Mas tem se tornado muito comum em nosso meio esse tipo de caracterização que chega a ser preconceituosa.

Antes de falar mais desse assunto, vamos entender um pouco de teoria. E quando digo teoria, de fato quero dizer teoria musical. Não, você não precisa ser um músico pra ter uma noção legal de teoria musical. Duvida? Eu não sou músico! E até que sei algumas coisas… Não tenho capacidade de dar uma aula de música e, mesmo que tivesse, não é a intenção deste post. Porém, algumas coisas são indispensáveis para o entendimento da questão.

Estamos todos cercados de estereótipos
Estamos todos cercados de estereótipos

Não existe, em nenhum lugar da teoria musical, uma distinção de gênero ou estilo musical. No máximo se vê uma separação de música erudita, ou clássica, de música popular e da música tradicional. Porém, existe sim uma divisão clara de andamento, compasso e batida de uma música. Dentro destas características, podemos encontrar variações infinitas de melodias que vão desde a música mais lenta e elaborada até a mais agitada e simples. Por exemplo, em andamento (allegro, moderato, lento, entre outros) entende-se a velocidade com que se é tocada a música. Uma música mais rápida, agitada, tem geralmente um andamento allegro. Com isso, assim como através da dinâmica, é possível definir o ritmo de uma música.

Também se pode levar em conta o tempo, que inclui compasso e batida e uma série de outros fatores para se classificar um gênero musical. No entanto, comercialmente falando, a ideia que se tem de gênero musical é uma simples questão rotular, meramente para facilitar o agrupamento de artistas conforme um conjunto de características comuns, que geralmente não levam em conta as características citadas acima. Nesse caso, a indústria musical leva mais em conta os nichos, as tribos urbanas a que se destina determinada música. Assim, gênero musical virou sinônimo de um estilo próprio de um grupo social. Mas para falar disso, eu teria que entrar em sociologia e ir bem além. O fato é que se criou um estereótipo musical absurdamente relacionado ao gênero, que é o assunto deste texto.

Look tipicamente associado a emos
Look tipicamente associado a "emos"

Existe uma razão para eu preferir usar gênero musical em lugar de estilo musical. Primeiro porque gênero está bem mais ligado à característica comercial de que eu falava acima, enquanto que estilo está mais ligado ao estereótipo criado. Muito por culpa da própria indústria que acaba por caracterizar os artistas propositalmente para atingir os tais nichos. O que acontece é que essa mesma indústria insere com o artista uma série de hábitos que acabam também sendo adotados pelo grupo atingido.

Por exemplo, um grupo “emo” que é atingido pela indústria por artistas com características assexuais, andrógenas, exageradamente sentimentalistas, acaba também aderindo esse padrão. Por isso, se tem como estereótipo o fato de que todos os indivíduos dessa tribo não têm sexualidade definida ou são declaradamente homossexuais. O erro está em confundir o assexual com o homossexual.

Da mesma forma acontece com a tribo chamada de “metaleira” que são visto exageradamente como masculinizados. Inclusive sua porção feminina acaba por se tornar masculinizada por se portar de maneira mais rude, se vestir com desleixo e ter um palavreado mais chulo. Da mesma forma, um padrão incutido pela indústria musical que coloca como parâmetro para esse nicho artistas com essas características.

Para fazer a comparação, utilizei dois extremos, mas podemos ver outras dessas características em tribos com caracterizações menos fortes. Como uma tribo de “skatistas”, por exemplo, em que todos usam roupas largas, bonés e ouvem músicas geralmente relacionadas a protestos ou manifestações de nicho de gueto, como o rap e o hip-hop.

O que quero mostrar é que a associação da música e das características de cada grupo mostra que é criado na sociedade uma série de estereótipos que definem a imagem desses grupos e, quando um membro qualquer da sociedade está diante de um cenário musical diferente daquele que ele está acostumado, logo surge o preconceito e o distanciamento.

Metalocalypse: animação produzida para os fãs de metal
Metalocalypse: animação produzida para os fãs de metal

Vejo isso muito nas escolas, mesmo na minha época de estudante, em que era nítida essa separação e que cada membro do grupo tomava partido de seu gosto musical e de seu grupo julgando os demais. E isso não acontece somente no âmbito musical, mas é mais perceptível nesse meio porque os contrastes são mais destacados.

Outros exemplos de estereótipos são vistos no nosso cotidiano, principalmente no Brasil. Alguns deles impostos pela TV, pelo cinema americano, pelas novelas… O estereótipo da “patricinha de Beverley Hills”, da “loira burra”, do “mecânico sujo”, do “pobre favelado” “favelado bandido” e tantos outros passam diante dos nossos olhos, no nosso dia-a-dia e nem nos damos conta. Ou fingimos que não nos importamos em julgar as aparências?

Nem toda loira é burra. Nem toda menina rica é uma “patricinha”. Nem todo pobre é favelado morador da favela é bandido. Nem todo “emo” é homossexual. Nem todo mecânico é um sujeito grosso sem cultura. Nem todo “skatista” é um arruaceiro em potencial. Nem todo “metaleiro” é anti-social e contra os cristãos. Alguns sim, o são, mas uma minoria tão insignificante que é injusto e preconceituoso de nossa parte usar esse ou aquele estereótipo e o ter como verdade absoluta. Chega de generalizações e conceituações pré-definidas e manipuladas pela mídia. Basta dessa “estereotipização” arraigada na nossa cultura pós-moderna, altamente influenciada pelas diretrizes de uma indústria midiática que só lucra com isso tudo.

5 opiniões sobre “Estereótipo Musical”

  1. Putz Curancha, que cepa de texto e nenhuma figura?
    “Nem todo pobre é favelado”, ñ seria o contrário? Lógico q nem todo pobre é favelado, tipo eu sou pobre e ñ moro na favela. O contrário é q o bicho pega… quem mora na favela é q é tachado como bandido… bom, vai ficar grande a explicação.
    Mas q o emo …. bão, dxa quieto

  2. A sociedade acaba rotulando as pessoas devido ao preconceito em primeiro lugar e também pela imposição da mídia sobre a massa, que prefere seguir os ditames do que pensar a respeito.
    Numa das minhas idas a Campina Grande, fui até uma praça bem famosa que existe por lá e que realiza um evento musical uma vez por mês… Ao chegar no lugar, fiquei impressionada com a variedade de tribos que existem atualmente! Algumas eu nem sabia que existia, mas o que me chamou a atenção é que eles se reuniam em seus grupos e as características [roupa, cabelo, vocabulário] eram bem definidas. A sensação que tive diante disso é o que se pode chamar de estranhamento e ao mesmo tempo fascínio pelo diferente!

  3. Esse assunto sempre rende pano pra manga… hehehe… Por isso que ainda vou falar bem mais dele!! Afinal, o blog não se chama [estereo]tipo à toa!! ^^

  4. A sociedade acaba rotulando as pessoas devido ao preconceito em primeiro lugar e também pela imposição da mídia sobre a massa, que prefere seguir os ditames do que pensar a respeito.
    Numa das minhas idas a Campina Grande, fui até uma praça bem famosa que existe por lá e que realiza um evento musical uma vez por mês…!
    hasuahsuhauhsuahsahushuahsuhuas =)

  5. olá pessoal vou fazer uma apresentação sobre esteriotipos de estilos musicais na facu, se vcs tiverem mais informações e poder e me passar agradeço.

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