Review: Oficina G3 – Depois da Guerra

“Eles estão de volta!” Foi o que disseram muitos dos fãs do Oficina ao ouvir este novo trabalho da banda paulistana. A impressão que muitos tiveram era a de que o bom e velho Oficina G3 estava de volta. A questão é que eles sempre estiveram aí, evoluindo, amadurecendo, e mostraram isso a cada novo CD lançado, só que muitos não percebiam. Aqueles velhos fãs é que deixaram de ouvir atentamente cada passo dado pela banda até aqui.

Foto de divulgação
Foto de divulgação

Quem curtia a banda nos tempos do Manga (do Ao Vivo ao Indiferença) nunca foi muito fã da fase “pop” do Oficina. Quem acompanha os caras da era “PG” pra cá (do Acústico pra frente) pode ter a impressão de que o som deles nunca foi tão pesado. Mas a verdade é que o Oficina sempre esteve em crescimento e, agora, eles chegaram à fase adulta. As letras estão mais maduras, o som mais conciso, os arranjos mais precisos do que nunca e a banda parece ter se firmado, finalmente, como a grande banda de rock do cenário cristão.

Como tem sido desde O Tempo, Depois da Guerra começa com uma introdução. Mas dessa vez os latidos e o pulso, ou mesmo os arranjos calmos de teclado e violão, foram substituídos por uma sequência mais a ver com o título do álbum, com sons de uma guerra acompanhados pelo instrumental da banda. Logo em seguida começa Meus Próprios Meios que traz de cara um solo arrasador de Juninho Afram, antes mesmo de qualquer linha vocal. E é nesse tom que segue todo o CD, com muitos solos, muita marcação da bateria e muitas mudanças de ritmo como em Eu Sou, Meus Passos, De Joelhos, Muros, Depois da Guerra e Obediência.

Quem ouve pela primeira vez Depois da Guerra pode até estranhar a voz diferente de Mauro Henrique, novo vocalista da banda que chegou de surpresa, mas só depois de muita oração foi incorporado. Mauro traz à banda uma excelente técnica vocal com seus timbres de hardcore e agudos que trazem à lembrança os bons tempos com PG nos vocais. Sem contar que o cara manda bem no inglês, como ele mostra nas canções Better, People Get Ready e Unconditional. A harmonia entre Mauro e Juninho, com quem divide boa parte dos vocais, parece melhor do que qualquer parceria anterior de Juninho, com o próprio PG ou com Manga.

Aliás, Juninho está inspirado como nunca, com dedos ágeis, vocais na medida certa e solos de cair o queixo, mesmo nas canções mais lentas ou em outras que mesclam tempos rápidos e lentos como A Ele. A canção, que foi a primeira a sair nas rádios e pode ser a primeira a ganhar um vídeo, tem um pouco de tudo. De solos eletrizantes è tempos quebrados. Duetos dos vocalistas, arranjos de guitarra e teclado e uma combinação que beira o rock progressivo e o metal. Sem contar a letra, que leva à adoração o mais frio dos roqueiros.

Jean Carllos e Duca Tambasco também não ficam pra trás. Considerados por muitos o melhor tecladista e o melhor baixista, respectivamente, da música cristã no Brasil, os dois fazem arranjos perfeitos, enchem a música na hora certa e completam, com Afram, esse espetacular trio de instrumentistas que hoje são a cara do Oficina G3. Jean dá um show à parte. As músicas ganham outra vida com suas sequências e algumas vezes só o som do piano já dá o tom do que vem a seguir. Em outras vezes, o acompanhamento certo para os solos deixa ainda mais em destaque o talento do músico, como em Continuar, Tua Mão e Incondicional.

Duca talvez tenha sido o que menos teve destaques nesse álbum. Em trabalhos anteriores o baixista teve suas deixas com solos arrasadores e acompanhamentos em perfeita sincronia com a guitarra. Em Depois da Guerra, porém, Duca ficou com a missão de sustentar as músicas deixando ainda mais livres Juninho e Jean. Mas a sincronia com a guitarra continua tão perfeita que, para um ouvido mais minucioso, são notáveis passagens feitas em harmonia.

Não dá pra deixar de fora as participações mais do que especiais de Celso Machado e Alexandre Aposam. Os dois, que já tem feito shows com a banda há um tempo, deixam algumas marcas no som do álbum. Aposam tem sido destaque já nesses shows com sua velocidade e técnica apuradas e os pedais duplos que usa com freqüência, assim como em todo CD. Celso é a base que faltava na banda desde que Juninho começou a se dedicar aos vocais. Durante um tempo essa base foi feita por Déio Tambasco, irmão de Duca e guitarrista do Katsbarnea, que “dava uma mão” para a banda do irmão. Déio, inclusive, assina umas das músicas do álbum. Com a volta do Kats, Celso foi chamado e não decepcionou, também deixando sua marca com duas das composições de Depois da Guerra.

Depois da Guerra
Depois da Guerra

As demais composições, na sua maioria, são divididas entre Juninho, Jean e Duca e mostram bem de qual guerra o título do CD fala. As canções sempre falam de uma guerra interna, travada entre a carne e o espírito, entre a vontade humana e a vontade de agradar a DEUS. Das diversas rixas entre cristãos e das divisões causadas pelos homens. As letras também falam da disposição de DEUS em estender suas mãos para auxiliar o homem nessa dura batalha e de seu amor incondicional, capaz de fazê-Lo enviar seu único filho. Quem presta bastante atenção nas letras percebe uma profundidade e uma intimidade com DEUS nunca antes demonstrada pelo Oficina ou por qualquer outra banda de rock no Brasil.

Sem dúvida alguma esse é o maior trabalho do Oficina em toda a sua carreira. Não só pela qualidade técnica de instrumentos e vocais, mas pelo amadurecimento mostrado em cada música através das letras, dos arranjos e da postura dos músicos em todo o processo de produção do álbum. Para os antigos fãs, essa é sem dúvida uma volta melhorada da banda, com o melhor rock de todos os tempos. Para os fãs mais recentes, é uma mudança brusca, mas trabalhada e que mostra o que é de verdade o Oficina G3 “depois da guerra”.

Nota: 10/10

PS.: Já havia feito essa resenha há algum tempo, mas só agora achei por bem postar no blog.

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10 opiniões sobre “Review: Oficina G3 – Depois da Guerra”

  1. Nota mil pra esse cd!
    Ouvi muitos amigos meus reclamarem e chegarem ao ponto de falar que o Oficina apelou nesse novo trabalho e que eles estão muito comerciais. Discordo calorosamente, haha!
    Se tratando de uma banda com a experiência do Oficina, eu tiro o chapéu!
    O Depois da Guerra não sai do meu mp3 ^^

    =*

  2. gostei dos comentários com uma excessão!
    os vocais do Mauro Henrique na minha opinião estão longe de soar hard core (Graças a Deus)!!!

    muito pelo contrario! vi muito de prog metal neste album e tambem pude perceber que Mauro
    manda muito bem em baladas como, Tua mão e a bélissima people get ready!!! ai ele passa uma emoção e um feeling dificil de se ver em outros vocalistas brasileiros! esse Mauro tem uma voz bem Hard rock em baladas…. (amo isso)

    God Bless!

    1. Luís, quando disse “timbres de hardcore” tava falando do timbre vocal do cara e não do estilo… Estilo é o que menos importa nesse CD!! Ele é bom de qualquer jeito, seja nas baladas, nas que seguem a linha mais do metal ou nas clássicas de rock que sempre tem nos CDs dos caras… Eles mandam bem de qualquer jeito!!

      Abraços ae e valeu pelo comentário!!

  3. Meu REconhecimento ao CELSO MACHADO VERGILIO JUNIOR,ele manda muito bem !! CELSO foi chamado e não decepcionou, também deixando sua marca com duas das composições de Depois da Guerra.
    Deus abençoe vcs!!
    **
    patricia / SC

  4. Pois é, o Celso manda bem demais!! Passou a hora do G3 botar o Celso e o Aposam pra dentro do grupo oficialmente!! hehehe

  5. oficina g3 é muito bom,eu quero deixar um dia minha banda vai ficar assim…
    eu quero deixar um contato para shows:(0xx81)86333645 banda (F.D.C)FIQUEM COM DEUS UM ABRAÇO ATÉ O PRÓXIMO CD

  6. Ele são bom de qualquer jeito, seja nas baladas, nas que seguem a linha mais do metal ou nas clássicas de rock,que sempre tem nos CDs dos caras…
    pra min que curto deste do tempo…
    gostei muito dessa NOVA cara…
    mais metal……..
    e espero q eles continuen assim levando a palavra de DEUS através do ”rock”………….
    valeu.
    para mais informações;9827-6391
    ou harrison_mengao@hotmail.com..

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