Jornalismo? Para que? Para quem?

Nada mais me anima nesse antro de podridão e imundícia que vi com meus próprios olhos! O espírito que antes em mim exisitia, a vontade de ser e fazer diferença, tudo foi por água abaixo! A sede de justiça, os olhos esperançosos de algo novo e bom, tudo se foi… Resta agora só o desprezo por aquilo que uma dia eu chamei de Jornalismo e me fez pensar de mim mesmo que poderia ser jornalista!

Hoje tenho dó, pena de quem ainda se aventura por esse caminho corrupto e imoral. Daqueles que ainda sonham que algo de útil e humano pode sair de tal profissão. Não que as pessoas em si sejam más, mas a tolerância é que é baixíssima para quem não se inclina e de ajoelha diante da autoridade maior e soberana: a Mídia!

Faculdade? Cheguei a querer fazer. Me arrisquei. Fui violentamente sabatinado com um amontoado de coisas inúteis e fúteis, por mais de uma vez, e acabei cedendo ao desejo de querer ser mais um entre a multidão que se formava, de robôs mecanizados, pré-programados e preparados para só existir, seguir ordens e não ameaçar a ordem natural das coisas. Ordem essa que de natural mesmo só tem uma coisa: a natureza humana fétida.

Aos nobres, caros amigos que ainda se flagelam, se auto-flagelam, aturando essa dura missão, desejo do profundo do meu coração que se libertem e vejam a luz, a verdade que está lá fora: somos mal-pagos, mal-servidos, mal-educados e enganados. O mundo lá fora não é colorido e nem mesmo em tons de cinza! A verdade é em preto-e-branco: não existe futuro como jornalista para ninguém que queira ser alguém, só para alguém que queira ser um ninguém! Que queira passar despercebido pelas páginas fajutas de um jornal, ser mais um numa tela colorida de TV, ouvir a própria voz ecoar por ondas quase não mais ouvidas ou se enclausurar em casa e escrever, solitariamente, num espaço vazio, em branco, só para si.

Dessa vida, não quero mais lembranças! Não perdi a oportunidade que me foi dada de uma porta entre-aberta, uma saída clandestina para o lado de fora desse jogo de palavras empurradas, mutiladas e sem nexo. Nesse jogo mortal de influências, de importúnios e de subordinação. Pulei fora do barco prestes a naufragar. Com remorso por deixar lá caros companheiros, mas feliz por ter salvo minha própria pele!

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3 opiniões sobre “Jornalismo? Para que? Para quem?”

  1. Butilheiro meu amigo… Entendo sua revolta e náusea, pq tb passei por isso. E sabe o quanto lutei para qu fosse diferente. Mas não acredito que fora do sistema se consiga mudar alguma coisa. Inutilidades a gente tem que fazer e ouvir em qq profissão. Não é pq o Jornalismo tenha maior ou menor talento pra coisa, mas simplesmente pq os cursos de graduação hj buscam “rechear” a empada com o maior numero de disciplinas “baratas” para que o lucro seja maior no final. Não é exclusividade do jornalismo.]
    Mas o Jornalismo em si é uma profissão digna e que merece respeito. A gande mídia se arvora de “quarto poder” quando ela própria não consegue pagar suas próprias contas por que perde dia a dia a credibilidade afastando com isso leitores e anunciantes. E, burra como é, continua dando tiros e mais tiros no pé.
    Mas há outros veículos, outras vozes levantando-se contra. Embora de alcance limitado, vão formando pequenas rede em que é possível mudar as realidades menores, formando opiniões em locais menores e, com isso, conseguem se fazer ouvir. Pense nisso. Vc tem um potencial que merece ser utilizado em favor destas pequenas vozes. Lembre-se: “embora pareça uma gota no oceano, o oceano é feito de gotas d’água”! Super beijo da amiga e professora, Mônica

  2. Mino Carta, outro grande da nossa imprensa, disse em uma entrevista na revista Caros Amigos em 2005 que é conta o diploma, ou melhor sua obrigatoriedade. E ressaltou algo que acho que deveria valer para o curso; Jornalismo não se aprende em bancos de faculdades; o que deve ser feita é uma especialização na área, de 2 anos por exemplo, após a pessoa já vir com uma bagagem. O curso seria uma “pós-graduação” após a pessoa fazer outro curso. Claro que nem todos tem essa oportunidade, mas a admissão que o Sr. Butilheiro disse é algo que deveria ser tentado, a partir do momento que o diploma é um requisito. Creio que ele é preciso, mas nao se deve colocar ele à frente da condição de cada um. Muito pior do que ter ou não um diploma é ter profissionais completamente inaptos na profissão (Como Mino também disse na entrevista; “se você tem um puta talento em mãos sem diploma, você abre mão dele?”; infelizmente casos como o seu acontecem; perde-se um cara de talento por essa situação lamentável que vivemos em que quem indica é tão importante qto o tal papel que você sofre 4 anos para conseguir; aliás é bom deixar claro que, quem sofre é quem quer fazer um curso de verdade, se aperfeiçoar; para quem não está nem aí, não tem sofrimento e isso é que é triste. Em tempo, Mino Carta é formado em DIREITO e nunca fez o curso que estamos fazendo; inclusive se estivesse em nossa sala ele já teria voltado para a terra dele, ah Itália! Qdo lembrei a citação “o Jornalismo não se aprende nos bancos da faculdade” é bom ressaltar que sou favorável a muita coisa que é passada no curso e penso que é sempre necessário aprendizagem; o que quis dizer é que muitas pessoas acham que Jornalismo é aparecer na TV e fazer caras e bocas ou então ter o nome no jornal fazendo sempre as mesmas matérias, dizendo e repetindo as mesmas coisas. Penso que a pessoa tem de ter uma noção do que está fazendo, chegar com um mínimo de discernimento para a aprendizagem e não usar a faculdade como modo de interação social apenas. Além disso usei a expressão para mostrar que ter diploma apenas não é tudo.

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