A “real” sobre a real ocorrência dos fatos

por Anderson Butilheiro

Desde os seus primórdios o Jornalismo tem por função relatar os fatos ocorridos. Mas, nem sempre, houve fidelidade nesse relato. Se em certo período da nossa história as pressões políticas/econômicas ou religiosas coordenaram (pra não dizer manipularam) o que era noticiado, hoje se imagina que há a tal liberdade de imprensa. Pelo menos é o que prega o Código de Ética dos Jornalistas, aprovado em 1985.

Segundo o artigo 3 do Código, a notícia veiculada pelos meios de comunicação deverá levar à comunidade aquilo que é de interesse dela, da comunidade. E mais, deverá mostrar o que de fato ocorreu. Porém, não é bem assim que as coisas são. O que vemos na verdade é que uma série de interesses tem pautado a divulgação de informações e mantido a sociedade alienada, aquém dos acontecimentos e de seus direitos.

Chega-se a questionar que tipo de cidadão a mídia brasileira pretende formar ao se observar o que é noticiado pelos principais meios de comunicação do país. Principalmente dos televisivos, concentradores da maior parcela de atenção do povo. Freqüentemente vemos esses veículos transmitindo “meias verdades” ou mesmo ocultando informações de interesse público. Outras vezes o excesso de informações é o problema.

Recentemente, durante o “Caos Aéreo” pelo qual passamos, a mídia tratou de seguir à risca o estereótipo que ela mesma criou para si, de uma imprensa irresponsável e cada vez menos preocupada com o indivíduo. O que se viu foi um ataque brutal de informações que partiam de todos os lados, a todo instante, e que nem sempre eram confiáveis e deixavam o público ainda mais atordoado. A intenção não era informar, mas confundir e fazer despertar a pergunta: “De quem é a culpa?”

Noticiar não é meramente soltar um aglomerado de informações e esperar que alguém se interesse por elas ou que elas façam sentido por conta própria. Muito menos se essas informações não condisserem com o real acontecimento. É necessária uma maior consciência da mídia nacional sobre como transmitir informações de uma maneira que irá condizer com o que prega o Código e que, ao mesmo tempo, criará um cidadão melhor informado sobre o que acontece em seu país e no mundo, preparado para as questões vindouras sobre tudo. Essa é a “real”.

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