Carta aos estudantes de jornalismo

por Anderson Butilheiro, endereçada a companheiros do curso de Jornalismo

Caros senhores,

com base nos últimos acontecimentos, tendo de antemão acesso ao conteúdo publicado no então blog da turma, plausível de publicações de todos os tipos, gêneros, números e graus, uma vez que por democrático que é, decidi, com muito pesar, por meio desta, comunicar a vossas excelências minha mais recente descoberta: ESTAMOS NO CURSO ERRADO!

Explico: a nossa presente situação evidencia o fato de que somos não mais do que universitários, cumpridores de nossos deveres como cidadãos, como clientes de uma instiruição de ensino, como seres humanos. Somos, porém, trabalhadores e contudo, entretanto, todavia, labutamos diariamente, pelo menos a maioria de nós, para conquistar nosso sustento pessoal e também prover nossas necessidades. Além de que, pelo fato narrado acima, podemos e temos condições de sanar nossas despesas acadêmicas.

Como trabalhadores que somos, temos nossa visão diferenciada do que acontece no dia-a-dia cotidiano de uma cidade, um estado, um país, uma nação, uma seleção de futebol; conhecemos as labutas de um jogador excepcional, um político corrupto e um funcionário público. Se escolhemos os jornalismo foi por nos identificarmos com o que poderia ser feito em relação à tudo isso. Ou pela falta de opção de um outro curso em que pudessemos nos expressar sobre o que vemos sempre.

Mas o que parece é que escolhemos mal o nosso curso. Escolhemos com o que ouvíamos falar sobre o Jornalismo. Escolhemos com o que nos recomendaram os outros. Escolhemos a partir de idéias pré-concebidas do que poderia ser feito. Mas fomos iludidos, enganados, ludibriados, passados para trás, trapaceados… Esse curso que fazemos é para formar pseudo-jornalistas, informantes de meras futilidades. Para formar futuras repórteres indignadas da televisão. Para formar apresentadores de excelentíssimos programas para jovens. Para formar meros graduados que, da academia, não levarão mais que o diploma. Para formar conceitos de que podemos ser inconformados com tudo o que acontece sem nos posicionar contra a maré, sem ir contra o que prega a mídia e contra o posicionamento padrão. Afinal, não é isso que o Jornalista faz? Não é o que vemos todos os dias na frente da TV os nos papéis?

Portanto, se os senhores pensam que estão no direito de questionar o presente artigo recentemente publicado no blog, saibam os senhores que estão equivocados. O pensamento publicado no tal sítio democrático é o pensamento explícito criado na frente de nossos olhos durante três semestres inteiros de aulas sobre como fazer um “bom jornalismo”. Errados estamos nós que nos iludimos e escolhemos o curso que não era para nós.

Devido à esta constatação que fiz com pesar, declaro aqui aos senhores que hoje, a partir dessa hora, não sou mais estudante de jornalismo. Sou, todavia, assistidor de aula do curso que já me dispus a pagar com afinco. Passo a ser turista, frequentador de aulas, e assim serei mais um graduado, bonitinho, com meu diploma na mão. Mas não mais irei pensar que posso mudar o mundo com meu “jornalismo de primeira”.

Sem mais para o momento, passo a palavra aos senhores para as devidas colocações, posicionamentos e seja o que for que vier em seguida. Passar bem!

2 opiniões sobre “Carta aos estudantes de jornalismo”

  1. Bom, concordo com você caro amigo, mas como uma luta de box não desisterei enquanto minhas pernas e minha cara que coloquei pra bater resistir. Não quero ser um estagiario e querer ensinar algum professor como se deve dar aula, quero me destacar pela minha dedicação e não me curvar diante de “coronéis” acostumados a manipular noticias por causa de anuncios publicitarios. Se tiver que apanhar minha cara ta aqui, mas se tiver que bater, quero deixar minha marca.

    1. Bem este é o curso que me desperta interesse,como prevenção busquei saber a realidade desta profissão,vejo que como qualquer outra profissão encontrarei obstáculos,mas em meu íntimo corre o desejo ardente de seguir esta profissão,pretendo me tornar um profissional capaz de transmitir informaões de forma coerente e crítica,modificando diversos setores da sociedade:política,economia,educação… se tão árdua é a luta me disponho a trava-la da maneira mais íntegra e honesta.

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