11 de setembro de 2007

por Anderson Felipe M. Butilheiro

Seis anos se passaram desde o atentado às Torres Gêmeas, talvez o mais marcante da história da humanidade. As imagens do tenebroso ataque que foram vistas simultaneamente por todo o mundo ainda não saíram de nossa memória. Nem as imagens e nem o porquê delas. Ainda se discute os reais motivos por trás do avanço dos aviões sobre o marco do capitalismo ocidental. Até mesmo teorias de que tudo não passou de um esquema do governo norte-americano rondam pela Internet. Talvez nossos livros de História, os que são estudados nas escolas, ainda não estejam tão atualizados a ponto de falar do atentado e debater sobre ele. Mas nas faculdades já vemos muito sobre isso, principalmente quando estudamos Jornalismo e analisamos não só os fatos históricos, mas toda a influência deles sobre nossas vidas. Mesmo porque não se tem notícia de outro acontecimento com tamanhas proporções em termos de divulgação pela mídia.

9/11

O “11 de setembro” tem sido estudado sob diversas óticas, com pontos de vista que variam não só no olhar do evento, mas nas conclusões a que se chega sobre ele. Por exemplo, sob o ponto de vista cultural, percebemos como as diversas culturas viram ao vivo as imagens do ataque terrorista e reagiram de formas diferentes. Nos países mulçumanos, a comemoração pela superação que se havia atingido era enorme. O “grande vilão” teria sido derrotado. Já nos países de cultura ocidental, um sentimento de indignação gerou revolta enquanto olhares curiosos presenciavam as cenas de um atentado à toda humanidade. No Brasil, as reações foram múltiplas, indo de repulsa à euforia. O mais engraçado foi ver um povo que praticamente roubou a cultura americana, celebrar a mais perversa situação sofrida pelos donos da cultura a que se dá tanto valor. Como se fossemos tão diferentes assim dos neo-capitalistas.

Economicamente, o que se via na queda do World Trade Center era a queda de todo um sistema de capital, o fim do domínio norte-americano na economia mundial. Acreditou-se realmente que era o que aconteceria, mas vimos não o fim, mas o reforçar da importância do capital dos EUA sobre todo o mundo quando as bolsas de valores começaram a cair provocando uma das maiores crises econômicas de que se tem notícia. O colapso pós-11 de setembro não só abalou mercados financeiros como atingiu outras áreas. Inclusive a política.

Sob o ponto de vista social, pudemos perceber que o atentado reforçou situações já presentes na história da humanidade. Árabes e ocidentais ficaram ainda mais distantes. A cultura religiosa se tornou mias abrangente do que uma questão apenas de fé e ser cristão ou mulçumano era o mesmo que estar contra ou a favor de um dos lados da disputa. O preconceito aumentou tanto de um lado quanto de outro e o ódio entre os povos cresceu. A situação se agravou ainda mais com as guerras que sucederam o ataque às torres.

E o que se viu no quadro político foi uma situação até mesmo questionável. A força do presidente americano aumentou significantemente, mesmo após o anúncio da retaliação que seria feita ainda no mesmo ano contra o Afeganistão, país associado aos ataques, mas que nunca teve essa associação comprovada. Assim como o Iraque que foi atacado e até hoje não se sabe o porquê. O presidente então foi reeleito, derrotando o outro candidato de uma forma duvidosa, mas que não vem ao caso. O mais interessante, talvez, foi ver esse presidente – líder de um país inteiro revoltado com o ataque que sofrera – desafiar uma organização símbolo da paz em todo o mundo e com sede justamente nesse país. A ONU ficou acuada e nada pode fazer quando os americanos decidiram contra-atacar, mesmo sem saber se no lugar certo.

E seis anos se passaram desde então. Bin Laden, o terrorista internacionalmente conhecido que assumiu ser o mandante do atentando, até hoje não foi capturado. Dois países foram completamente destruídos pela guerra. A popularidade do presidente americano despencou e os próprios americanos questionam o que foi realmente feito em relação ao ataque. Na cidade de New York, as obras de construção de um novo edifício ainda mais alto do que as torres já foram aprovadas, mas as marcas do trágico dia ainda estão lá. Talvez não fisicamente, pois a limpeza foi bem feita e o espaço na ilha de Manhattan já aguarda seu novo dono. Mas os olhos daqueles que presenciaram as cenas jamais verão como antes. As marcas ficaram na alma dos americanos, nova-iorquinos ou não; dos ocidentais, herdeiros ou não da cultura e do capitalismo norte-americano e de todo o mundo que, querendo ou não, presenciou pela mídia a queda que simbolizou um trágico começo de século.

De lá para cá a mídia se tornou um poder maior do que sempre foi. Transmitir a todo o mundo um evento marcante como o do “11 de setembro” deu à mídia um status até então discutido se realmente a pertencia. O fato que mudou a visão econômica e política de todo o planeta também mudou a forma como a mídia se comporta e como as pessoas, a sociedade, se comportam em relação à mídia. Ninguém quer ficar desatualizado ou perder a chance de presenciar algo histórico. Todos querem fazer parte de um acontecimento, mesmo que seja apenas o acompanhando pela tela da TV. A queda das Torres Gêmeas foi o primeiro de diversos acontecimentos que foram transmitidos a todo o planeta simultaneamente. E com essa transmissão a mídia se efetivou como, que me perdoe Ramonet, o 1º poder, capaz de alterar toda a estrutura dos poderes econômico, político e social.

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