Transformers

Que Michael Bay é mestre em explorar a movimentação das câmeras, todo mundo sabe. Que seqüências de ação é com ele, também. Mas agora eu digo algo novo: ele é fã de Linkin Park. E o que isso importa? Bom, para o bom andamento de um filme, absolutamente nada. Mas se você ler essa minha pequena ‘resenha’ (que eu prefiro chamar de review por uma mera questão de estética), você perceberá a importância do gosto musical do diretor de Transformers. Caso você ainda queira ver o filme, sugiro fazer esta leitura mais tarde, pois algumas revelações são feitas aqui.

Para todo fã de desenhos animados dos anos 80, Transformers é mais do que um mero desenho de robôs. Eu não acompanhei o desenho nos anos 80, mas suas reprises nos anos 90 quando meus irmãos mais velhos já não curtiam mais essas coisas. O anime (apesar de não ser oriundo do Japão, o desenho tem todas as características das animações japonesas) mostra a saga de Optimus Prime e sua equipe, os Autobots, que vem à terra deter o vilão Megatron, líder dos Decepticons. A grande sacada é que, para passar despercebidos por aqui, esses enormes robôs se camuflam como veículos como carros esportivos, caminhões e até aeronaves, daí o nome Transformers. A adaptação cinematográfica segue exatamente o mesmo caminho, mostrando a história do seu início até o fim em pouco mais de 2 horas. Talvez aí o primeiro erro.

Não me lembro de ter visto pela televisão brasileira o fim da série, se é que ela tinha um fim. A batalha dos Autobots contra os Decepticons dura diversos episódios e a ausência de um final é o que prende os aficionados diante das telas. Todos torcemos pela vitória de Optimus Prime, que acontece a cada episódio, mas nunca finalizando a história. O filme, pelo contrário, dá fim a história, matando qualquer possibilidade de uma continuação dentro dos limites do anime. Não que não haja espaço para continuações, mas qualquer história futura estaria além do visto na TV.

Deixando de lado essa questão, vamos falar um pouco mais do enredo. A trama do filme é exatamente a mesma da série animada, mostrando um combate entre as duas equipes de robôs altamente evoluídos (digamos organismos cibernéticos, para ficar mais bonito). Mas para não ser uma briga sem sentido, alguns elementos foram adicionados, colocando um algo mais na trama. A presença de importantes personagens humanos deu não só um pouco de mais de carne como de espírito à coisa, já que boas tiradas vêm desses personagens, evitando que o humor dos organismos cibernéticos fosse exageradamente “vivo”. O enredo ganhou vida e uma boa parte da história foi preenchida pelos dramas pessoais desses personagens com a vantagem de não ter se prendido demais nem a esses dramas, nem aos robôs somente.

Os efeitos especiais são casos a parte. Junto com as boas seqüências de ação e o cenário magnífico, os efeitos me deixaram perplexo. As cenas das transformações dos veículos em robôs (e vice-versa) são cair o queixo. E vê-los fazer isso em plena batalha ficou ainda mais alucinante. A direção de efeitos, sem dúvida, deve concorrer a um Oscar e deixar no chinelo outros filmes do gênero. Se a premiação não der ao filme uma boa estatueta, começo eu mesmo uma premiação a parte.

Agora sim a trilha. Sonora, é claro. O filme empolga qualquer um que esteja na sala do cinema por suas belas imagens. Bay consegue unir velocidade na movimentação de câmeras, efeitos e bons personagens. Mas tudo isso sem uma boa trilha seria inútil. E aqui Transformers faz bonito. Uma majestosa trilha acompanha cada cena, deixando facilmente perceptível a excelente veia do diretor para escolher as canções que compõe suas obras (como já dava para perceber em Miami Vice). Claro que isso é discutível pois vai do gosto de cada um, mas, para mim, o peso certo nas cenas de ação, as melodias leves para as cenas cômicas e as grandes sacadas com o Camaro “mudo” foram brilhantes. Mas uma coisa fez falta durante o filme. A canção tema que não saía da cabeça de quem acompanhava o anime. Se você não se lembra, tente cantarolar essa letra: “Transformers, more than meets the eye”. A música tema do desenho, que tinha umas vozes robóticas (dá pra entender o porquê) ganhou uma versão moderna com a banda Mutemath que, inclusive, aparece no CD com a trilha do filme. Mas na película que foi exibida nos cinemas, a música ficou de fora. Ela bem que cabia na cena final do filme, combinando perfeitamente com os dizeres finais de Optimus Prime, mas Bay optou por colocar no lugar o hit “What I’ve Done”, da banda Linkin Park. Ta certo que não ficou ruim, que o hit está mesmo tocando bastante nas rádios e que deu uma boa ajuda na divulgação do filme quando apareceu no trailer oficial. Mas será que Michael Bay gosta mesmo tanto assim de Linkin Park para deixar de fora o tema do desenho ou foi só mais uma sacada para vender alguns CDs?

Transformers não deixa nada a desejar para os grandes filmes de ação do ano, de super-heróis e as seqüências de adaptações de séries dos anos 1980/90. Tem boa história, personagens marcantes, ótimos efeitos, uma direção fabulosa e uma trilha sonora de arrepiar. Peca em detalhes como todo filme. Não agrada a todos, mas me agradou e entrou para o rol dos melhores filmes do ano. Com ou sem a música tema.

Extras:

Confira a versão da banda Mutemath para a música tema do desenho:
www.myspace.com/mutemath

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