Capítulo I (parte I)
Todas as noites eram iguais para Jimmy. Sempre, na hora de se deitar, milhares de coisas vinham à mente. Sabe aquelas pessoas que quando deitam e fecham os olhos começam a imaginar um monte de coisas? Pensam sobre o que aconteceu durante todo o dia, suas ações, o que ele poderia ter feio de diferente. Uma palavra na hora errada, outra que não saiu… Tudo vem à mente. Jimmy era desses caras.
Não havia muito tempo que ele tinha se formado em direito e agora começava a trabalhar num grande escritório da cidade. Como poucos, Jimmy teve a chance de morar perto da família durante o período de estudos. Mas agora a realidade era diferente. O rapaz de 23 anos ainda não tinha se acostumado com essa coisa de estar longe de casa, dos amigos, da namorada. Então os pensamentos de cada noite eram ainda mais intensos. Demorava bastante para que ele pegasse no sono.
Mas no dia seguinte é que realmente ficava complicado. Acordar cedo era a maior dificuldade do mundo. Jimmy olhava para o relógio 3, 4 vezes até acreditar que já estava na hora de levantar. E, naquela manhã fria de quarta-feira não estava sendo diferente.
Depois de enrolar alguns minutos na cama, o jovem se levantava depressa, entrava no banheiro para um banho rápido, fazer a barba, escovar os dentes e se vestir com a primeira camisa que visse pela frente. Corria até a cozinha, abria a geladeira e, enquanto servia um copo de suco, já ia preparando um pedaço de pão com queijo. Quase sem mastigar, engolia tudo, terminava de apertar a gravata, passava a mão nos cabelos lisos que nem precisavam de muito cuidado. Passando rapidamente pela sala, conferia se estava tudo devidamente fechado, pegava a chave do carro e a carteira que estavam sempre sobre a mesa e saia.
O prédio onde morava não era dos mais novos, mas também não era lá tão velho. No seu andar deviam ter mais uns 4 apartamentos e muita gente saia para trabalhar no mesmo horário. Era comum encontrar o Dr. Phillip também esperando o elevador, ou a moça do 302 que saía cedo para levar o filho para a escola. Jimmy não era de puxar muito assunto, ainda mais quando estava atrasado, mas sempre era simpático e educado, como havia aprendido com a mãe.
- Bom dia, doutor! – cumprimentou Jimmy ao ver o Dr. Phillip já à porta, segurando o elevador para o rapaz – Obrigado por segurar…
- Bom dia, jovem! Você precisa de um despertador novo. – respondeu o doutor brincando.
O Dr. Phillip era um senhor de mais ou menos uns 60 anos, médico, desses que tem clínica própria, que sempre saía cedo para o trabalho e voltava tarde. Jimmy nunca perguntou muito sobre a vida do doutor, mas sabia que ele morava sozinho e que tinha uma filha estudando em outro estado.
Enquanto o elevador descia, o doutor tinha costume de perguntar sobre os pais de Jimmy e seu irmão mais novo, Tommy, de 12 anos. Como quase nunca tinha algo novo pra contar, geralmente Jimmy contava das travessuras do irmão das quais ficava sabendo pelo blog do garoto que vivia cheio de fotos dos amigos, da casa na árvore que Jimmy tinha construído com o pai na infância, do cachorro da família, que tinha lá seus 15 anos e vivia sendo amolado por Tommy, e das coisas da escola. Jimmy se divertia com o blog do irmão porque era o que o mantinha próximo à família.
Depois de deixar o prédio, Jimmy se dirigia para o estacionamento onde deixava o carro durante à noite, há poucos passos de casa. Já com seu sedan, atravessava a maior parte do centro da cidade para chegar ao escritório onde trabalhava, o “Norton e Associados”. Seu chefe, o Sr. Joshua Norton, geralmente contratava jovens recém-saídos da universidade para os casos menores que o escritório defendia e os treinava para os grandes casos. Vários conhecidos de Jimmy também haviam passado por lá antes de terem seus próprios escritórios ou se tornarem grandes promotores.
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