A Batalha de Monte Cassino
Já era tarde, muito tarde, mas Allan não conseguia pregar os olhos. E já havia umas 6 ou 7 noites que estava assim. A ansiedade era cada vez maior e a todo instante o medo de ser descoberto só aumentava. Há dias o cabo estava infiltrado no exército inimigo e tinha que se portar 24 horas por dia como um legítimo soldado alemão. Nada que sua ascendência no país germânico não ajudasse. Afinal, os olhos azuis, os cabelos loiros e o porte físico atlético eram herança de seu pai, nascido na Alemanha.
Mas o pior de tudo para o jovem escocês era a língua. Mesmo tendo seu pai, que sempre teve aquele forte sotaque característico dos alemães, Allan sempre fez questão de não ter no seu inglês impecável nenhum traço da língua de seus antepassados. Muito disso pela infância, nas escolas que frequentou na Inglaterra, onde sempre sofreu muito por ter família alemã. Também por isso, desde que completou 18 anos, decidiu se alistar do lado dos Aliados. Allan só não contava que sua presença entre os demais soldados também fosse render certos mau-estares.
Logo que se apresentou ganhou o apelido de “alemãozinho” seguido de diversos adjetivos de conotação pejorativa. Não demorou muito pra que ali também ele se sentisse excluído. E a solidão naquele momento não era exatamente algo com o que ele queria ter que lidar. Assim, quando soube da oportunidade de deixar o pelotão para se tornar uma espécie de agente secreto, se ofereceu sem pestanejar. Os trejeitos, sotaques, manias, tudo ele havia aprendido com o pai, mesmo que não gostasse de imitar.
Bem cotado entre os oficiais do grupo alemão no qual havia se infiltrado, Allan cada vez mais parecia um soldado do Terceiro Reich. Mas lá no fundo, sua mente, sua alma vivia uma angústia tremenda e cada tiro dado, cada passo contra o exército Aliado, cada noite em claro, era uma tortura sem tamanho.
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