Gêneros Musicais: O rock, o pop e o começo de tudo

É, eu critiquei, falei mal até cansar dessas tais definições comerciais de gêneros musicais. Mas, a meu ver, até certo ponto elas são úteis. Eu não concordo, é verdade, com o mau uso delas. Pra deixar bem claro o que entendo de fato por essa “classificação musical comercial”, decidi fazer eu mesmo uma catalogação de gêneros. Dos que existem de fato e que tem base histórica e social. Dos gêneros como movimentos musicais, que distinguem o som de uma banda do da outra, não como estilos que acabam levando aos tais estereótipos de que tanto falei no último post.

Bom, dando uma boa pesquisada por aí a fora (cof cof Wikipédia cof cof), encontrei base para tudo o que vou relacionar aqui e, se você quiser tirar a prova, dê uma pesquisada também. A Internet ta aí é pra isso, não é? Só quero deixar claro que não quero colocar minha opinião como definitiva, até mesmo porque não sou um estudioso do assunto, não tenho tese de mestrado e nem monografia escrita, somente falo de algo que vivencio desde minha infância. Como já disse por vezes, eu respiro música, vivo música e passo a maior parte do meu tempo (ainda mais nesses dias de profundo ócio) envolvido em assuntos musicais.

pop arte de guitarra
A Guitarrra: principal responsável por tudo isso aí

Bom, minha definição é “partida” em dois grandes blocos: rock e pop. Acho que praticamente tudo o que se tem hoje é derivado de uma dessas duas vertentes musicais. Elas meio que se confundem às vezes, se misturam e formam novos gêneros, mas são diferentes entre si. O pop, que deriva realmente de popular, começou mais cedo. A idéia que se tem é que tudo aquilo que é do povo é popular. A música pop não é diferente. A distinção servia para separar do clássico, do erudito, aquilo que era criado pela massa. O nome foi dado primeiramente em 1926 para designar música com forte apelo popular. Nos anos 1950 passou a ser definido como um gênero musical único, caracterizado por conter elementos rítmicos, melodias repletas de “ganchos” e um “estilo principal com estrutura convencional” (não sei o que isso quer dizer, mas lá na minha “fonte de pesquisa” tava desse jeito).

pop arte por Rogério N. Arantes
pop arte por Rogério N. Arantes

Acho que, em suma, o pop é um gênero que visa muito mais o sucesso, visa ser aceito pela massa do que qualquer outra coisa. Tanto que esses “ganchos” das músicas costumam realmente pegar. Ou como diria a célebre frase, o pop é “leve, alegre e pega fácil”. Hoje o pop é caracterizado por ser um estilo que se aproxima do rock, usando instrumentos similares, mas abusa ainda mais das mixagens, geralmente feitas com sintetizadores, seqüenciadores e samples.

O rock (ou rock and roll), por sua vez, nasceu bem mais recentemente, nos anos 1940 e 1950, vindo do rhythm and blues (hoje só blues ou r&b) e do country. Diferente da música pop, o rock não era popular, pelo contrário. Seus fãs eram mal vistos pela sociedade e para se ouvir rock’n roll era preciso procurar lugares em que normalmente somente os negros iam. Imagine essa situação na sociedade racista americana? O próprio blues era originário da comunidade negra e não era aceito na época. E como tudo isso começou de fato? Com a música gospel. E aqui eu entro no tema mais polêmico de tudo o que envolve música, rock e o conceito de música gospel que temos hoje.

coral gospel
coral gospel

O significado da palavra gospel, em qualquer dicionário de inglês, é o mesmo de “evangelho”, “boas novas”. Originariamente, o termo gospel music se referia às músicas cantadas nas igrejas da comunidade negra. Principalmente as igrejas batistas do sul dos EUA. Era um estilo, acima de qualquer coisa. Muito mais do que a música em si, o gospel era como se portavam os membros da igreja ao cantar as músicas. Eles não ficavam parados, mas se agitavam, dançavam e cantavam alto. O ápice de um culto era o momento das músicas em que toda a igreja participava ativamente do coral de vozes. E isso, justamente isso, era o controverso, o polêmico para a sociedade da época. As igrejas da comunidade branca eram exatamente o oposto desse “gospel”. Eram igrejas extremamente tradicionais, com liturgias certinhas demais e nada saia do controle. O gospel não seguia essa linha. O blues não seguia essa linha. O rock não seguia essa linha. Por isso não eram aceitos na sociedade. Daí vem a idéia que até hoje é espalhada em centenas de igrejas de que o “rock é do diabo”. Era um ritmo incomum, um jeito de se fazer música totalmente controverso. Até certo ponto, totalmente escandaloso para a sociedade da época.

A questão é: o que é controverso, escandaloso e chama a atenção geralmente é seguido por quem? Se você disse “os jovens”, acertou. E eles não só achavam o máximo como queriam de qualquer forma participar desse movimento, mas eram reprimidos com todas as forças. Mas não demorou muito pra que esses jovens causassem uma revolução musical, comportamental e social. Veio o movimento hippie, a era “sexo, drogas e rock’n roll” e aí o rock se perdeu de vez. Rock foi totalmente associado à idéia de liberdade, que estava mais para libertinagem, e cada vez mais se distanciava do conceito original do gospel. Ficou sem limites.

De lá para cá, o pop influenciou o rock, o rock influenciou o pop e ambos influenciaram o mundo. A música, o comportamento humano e a sociedade jamais foram os mesmos. Veio a indústria musical, vieram as gravadoras, veio a política e tudo mudou. Bom, essa é a parte histórica da coisa toda. Em meio a tudo isso, o pop e o rock ganharam vertentes e foram se misturando ainda mais com o que havia por aí. Country, jazz, folk, tendências tecnológicas, música clássica, música clássica… Tudo era passível de ser juntado e misturado. Foi então que a própria definição de gênero musical se perdeu. Ficou difícil identificar quem misturou o que com quem e onde pra simplesmente dizer que gênero era. Ficou mais fácil rotular por estilos, de acordo com a região onde se originou cada som ou com o modo de se vestir, falar e se portar dos músicos.

Perceptivelmente, o rock se subdividiu bem mais e gerou dezenas de subgêneros. Muitos deles extintos, outros que só são conhecidos em cenários suburbanos (underground scene). A versão em inglês da Wikipédia tem feito um trabalho decente e catalogado historicamente as subdivisões do rock e colocado à disposição uma série de dados bem interessantes que valem a pena ser conferidos (http://en.wikipedia.org/wiki/Rock_music). Infelizmente, ninguém fez nada parecido com o pop e não se pode dizer muito, de fato, sobre suas vertentes atuais.

Nos próximos posts vou tentar falar um pouco mais sobre essas divisões do rock, explicar suas diferenças e tentar clarear um pouco sobre minha opinião com relação a isso tudo. Também volto a falar do gospel e sobre o que aconteceu com ele. Até breve.

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16 comentários sobre “Gêneros Musicais: O rock, o pop e o começo de tudo”

  1. Cara, estou surpreendido como esse blog ressurgiu. Nem lembro como era aquele desativado blog de uns tempos atrás, data essa que coincide com a última vez que conversamos. Estou gostando de ver Anderson. Quero ser assim quando crescer. hehe. Um abraço.

    OBS: O motivo principal de escrever certinho assim é que não suporto esses rabiscos vermelhos debaixo da frase e o motivo de te chamar de Anderson é que não sei o quanto está difundido seu apelido no mundo virtual. Até mais.

  2. Oi, Anderson! [ imitando o comentarista aqui de cima =p]
    Pela milésima vez venho aqui falar que seu blog é o que há de mais moderno e musical :P
    Desse jeito vc vai influenciar gerações, fio!
    Haha, mas brincadeiras à parte, eu sou bem confusa no que diz respeito a classificações musicais [newmetal, hardcore, e por aí vai...], pelo fato de existirem tantas parecidas.
    A explicação sobre o termo Gospel é boa, principalmente porque atualmente ela tem uma outra conotação!

    ;*

  3. Caaaaara, que cepa de texto, nuuuuu…. bota uma figurinha Curancha… e nem adianta responder nem dar tirada do tipo: “Se ñ quiser ler ñ lê”…
    O Pop ñ tem categoria. Rihanna é pop. Calypso é pop. Jorge e Mateus é “sertanejo universitário”, mas é pop… iamgina um “pop grunge” ou um “punk pop”. Cara, se bem que acho que até já começa a existir isso… olha o NX Zero. “Emo pop”? Os caras tem um visual meio de punk gay, poderia ser um “punk pop”.
    Já o rock… tem subdivisões esdrúxulas nesse link: “eletronic rock”? Aff…
    Fiquei com preguiça de ler o resto

    “Legal seu blog. Visita o meu?” :)

  4. Grande Gui… Como sempre, fico honrado com sua visita e feliz com sua apreciação!! É por causa de gente como você que voltei a ter ânimo pra escrever!! Com relação ao apelido, cara, aqui rola de tudo… O povo me chama de tudo quanto é nome nesse blog… hehehe!!

    Debby, na verdade há muito mais ainda a ser falado sobre essas “pseudo-classificações” comerciais e muito disso é realmente confuso, é verdade! Mas é fato que muitas bandas desconhecem seu próprio estilo ou muita gente que fala desses artistas dão classificações erradas. Já cansei de ver banda de nu metal ser chamada de hard core. Grupo pop ser chamado de rock… A verdade é que é tudo bem confuso, mas vou tentar facilitar um cado!!

    Spartacus… O pop tem sim ramificações… Inclusive o tal NX Zero aí que vc comentou é tido como “power pop” ou uma variação disso!! hehehe!! A lista da Wikipédia é sim bem extensa, mas é a mais coerente pela forma classificativa ter a ver com o som, os instrumentos utilizados e etc, ao invés de classificar por como se aparentam os artistas!! Ah… Com relação às imagens, cara, eu esqueci mesmo de colocar antes, mas agora achei as que eu queria!! hehehe…

  5. acho impossível demarcar uma linha entre as duas coisas. tem muito rock que pra mim é pop. e nem to falando dos porcarias hein? coisa “da boa”

    sem falar que rock pra mim é um genero, tem um estilo, formato mais ou menos característico… pop pode engolbar qualquer coisa, basta ser feito pro povo…

  6. Cara , nada a ver o que eu vo falar , mas … Estava eu fazendo um trabalho de arte , qaundo coloquei pop art, e vi imagens para por no trabalho , quando vi essa guitarra e reconheci ela de algum lugar, e assim que vi , tenho uma camisa com essa imagem estampada DD;

  7. Sou aluna de biblioteconomia da PUC-Campinas, estou afzendo um trabalho sobre linguagens documentárias, um Tesauro sobre rock.É muito complicado fazer ligações de bandas dentro de cada estilo e fazer as definições, fico completamente chateada que não se tenha muitos estudos sobre os estilos isso dificulta muito a vida de quem é leigo no assunto mas quer ou precisa fazer um trabalho na área.
    Gostei do seu texto, me ajudou em algumas coisas.

  8. adorei o seu texto, concordo com tudo que você falou inclusive que hoje em dia tem vàrios estilos que se misturam e não se sabe qual é o gênero musical de um artista tp o Muse(pop/rock/eletronica?) florence and the machine(pop/rock/folk?) shania twain(country ou pop?) beyonce( r and b ou pop?)

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